O e-commerce brasileiro encerrou o período entre Natal e Ano Novo de 2025 com faturamento de R$ 10,8 bilhões, resultado que representa crescimento de 18,7% na comparação com o mesmo intervalo de 2024. Os dados consideram as vendas realizadas entre 19 e 31 de dezembro e fazem parte de um estudo da Confi Neotrust.

No total, foram 37,2 milhões de pedidos finalizados, avanço de 22,5% em relação ao ano anterior. Já o tíquete médio ficou em R$ 290,3, registrando queda de 3,1% na comparação anual, o que indica um cenário de maior volume de compras, porém com valores unitários mais baixos.
Semana de Natal concentra maior volume de vendas
No acumulado da semana de Natal, entre 19 e 25 de dezembro, o comércio eletrônico movimentou R$ 5,9 bilhões, crescimento de 14,2% em relação a 2024. No período pós-Natal, de 26 a 31 de dezembro, o faturamento somou R$ 4,8 bilhões, com avanço mais expressivo, de 24,8% na comparação anual.
Segundo Léo Homrich Bicalho, head de Negócios da Confi Neotrust, a semana de Natal registrou alta de 23,9% no número de pedidos, que superaram 21,3 milhões, além de crescimento de 21,6% nas unidades vendidas. Nesse intervalo, o tíquete médio apresentou retração de 7,9%, ficando em R$ 279,3, o que sugere a manutenção de promoções ao longo de todo o período.
De acordo com a análise, o pico de volume e de receita ocorreu logo no início do recorte, no dia 19 de dezembro, seguido por uma desaceleração natural nos dias 24 e 25. O movimento indica uma antecipação das compras por parte dos consumidores, em linha com a preocupação com os prazos de entrega no e-commerce.
Fim do ciclo de compras impacta categorias tradicionais
No período pós-Natal, categorias tradicionalmente associadas a presentes, como TVs, celulares, roupas e calçados, registraram quedas expressivas na comparação mensal, variando entre 60% e 83%, sinalizando o encerramento do ciclo de compras festivas.
Por outro lado, alguns segmentos mantiveram uma demanda estruturalmente mais elevada do que em 2024. As vendas de remédios avançaram 143,1%, enquanto geladeiras tiveram crescimento de 38,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Na análise qualitativa do período, o estudo aponta uma valorização das vendas. O preço médio subiu 5,7%, alcançando R$ 147,3, enquanto o tíquete médio avançou 3,4%, chegando a R$ 305. O único indicador em retração foi a média de unidades por pedido, com queda de 2,14%, o que sugere que, apesar de compras mais frequentes e de maior valor por transação, o tamanho das cestas individuais diminuiu de forma moderada.
Na avaliação de Bruno Pati, CEO do E-Commerce Brasil, o desempenho do período reflete um ambiente macroeconômico de consumo ainda ativo, porém mais racional.
“O crescimento sustentado por volume, combinado à retração do tíquete médio, indica um consumidor mais sensível a preço e criterioso na decisão de compra, consolidando o varejo digital como um termômetro relevante da renda disponível e do comportamento econômico das famílias. Ao mesmo tempo, a resposta rápida do setor a fatores sazonais, como o clima no pós-Natal, reforça o papel do e-commerce como principal canal de ajuste do consumo no curto prazo, exigindo das empresas eficiência operacional, gestão de estoque e leitura de dados em tempo real para sustentar crescimento com rentabilidade”, comenta.