A experiência do cliente no e-commerce atravessa um novo estágio de maturidade. Após a adoção inicial da Inteligência Artificial Generativa para atendimento e suporte, o mercado avança para modelos mais integrados, nos quais os Agentes de IA assumem um papel ativo na jornada do consumidor. Essa evolução amplia a capacidade das empresas de interpretar intenções e antecipar problemas para agir de forma coordenada ao longo da operação.

Na prática, isso representa um passo além da estratégia de automatizar respostas. Agentes de IA analisam contexto, identificam padrões, levantam informações e iniciam ações de forma automática, sem depender de intervenções humanas. Para as áreas de marketing e vendas, a mudança redefine a CX, pois conecta dados, processos e decisões em tempo real.
O movimento ganhou ainda mais força nas apresentações e debates durante a NRF 2026, em Nova Iorque. Em sua participação no evento, o CEO do Google, Sundar Pichai, chamou a atenção para um ponto estrutural dessa nova etapa. A maior armadilha para as empresas é tratar a Inteligência Artificial como uma camada adicional sobre antigos processos. Quando isso acontece, em vez de provocar a mudança, aceleramos as ineficiências que já existem.
Segundo Pichai, a IA demanda novos proprietários da decisão, regras claras de governança, transparência nos processos e disposição para redesenhar o que “funciona mais ou menos”, como ele disse em sua palestra. Em outras palavras, a Inteligência Artificial demanda uma nova estrutura tecnológica, mas a nova lógica operacional é o diferencial.
Essa leitura ajuda a entender por que os Agentes de IA ganham relevância na experiência do cliente. Ao conectar informações de estoque, logística, atendimento e histórico de compras, esses agentes permitem identificar gargalos antes que eles impactem a jornada.
Um possível atraso na entrega pode ser detectado com antecedência, acionando ajustes automáticos ou comunicações proativas. Da mesma maneira, uma ruptura de estoque pode gerar recomendações alternativas em tempo real, preservando a fluidez da experiência.
Assim, a lealdade do consumidor não é mais um simples programa de captação e retenção de clientes. No Customer Experience, ela se torna infraestrutura. Na era dos Agentes de IA, a consistência da jornada e a capacidade de antecipação são percebidas pelo cliente como valor contínuo, e não como ações pontuais.
Uma pesquisa realizada pelo Gartner revelou que 85% dos líderes de atendimento ao cliente pretendem explorar ou testar soluções de IA Generativa conversacional voltadas ao consumidor. Esse movimento indica uma busca por modelos mais inteligentes de interação, capazes de acompanhar o ritmo e a complexidade do e-commerce atual.
Em um artigo, a Harvard Business Review também destaca que agentes autônomos de atendimento ao cliente conseguem compreender rapidamente intenções e emoções, além de tomar medidas independentes para resolver dúvidas e situações. Essa habilidade amplia a eficiência operacional e sustenta experiências mais fluidas, especialmente em ambientes de alto volume e múltiplos pontos de contato da CX.
Para as equipes de pessoas, os Agentes de IA são a nova era de organização do trabalho. Ao assumir tarefas repetitivas e análises operacionais, esses sistemas liberam profissionais para atividades de maior valor e estratégicas. A colaboração entre pessoas e agentes passa a fazer parte da rotina, elevando o nível de personalização sem aumentar a complexidade da gestão.
Essa evolução depende de pilares bem definidos. Qualidade de dados, segurança da informação e reestruturação de processos humanos sustentam a atuação dos agentes. Em ambientes unificados e governados, a IA opera com precisão, coordena fluxos e contribui para uma experiência consistente ao longo da jornada.
A transição da IA Generativa para os Agentes de IA marcou um novo momento para o e-commerce. Além de responder interações, a tecnologia tem o potencial de orquestrar decisões que sustentam a CX de ponta a ponta.
Em um mercado dinâmico, a maturidade operacional torna-se cada vez mais visível na experiência oferecida ao cliente.