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Substituição da lógica SEO para a do GEO decreta o fim dos hacks de marketing

Por: Fernanda Nascimento

Planejadora de Marketing, fundadora e CEO da Stratlab, empreendedora, estrategista digital centrada no cliente e especialista em marketing e vendas B2B, que estuda e cria estratégias de marketing digital para empresas B2B. Com mais de 30 anos de mercado, atua na Stratlab, criando planejamentos integrados que priorizam a experiência do cliente, geram leads e convertem em vendas de alta qualidade. Possui Master’s Degree em Marketing pelo Chartered Institute of Marketing, tem especialização em Liderança e Estratégia pelo Insper e Columbia University. É professora convidada na Lemonade School, FGV e ESPM, ministrando cursos de Marketing Digital aplicado às áreas de Marketing, Vendas e Recursos Humanos. É influencer para o LinkedIn e Gartner. Em 2017 foi certificada como Social Selling Expert pelo LinkedIn e em 2023 foi convidada a integrar o LinkedIn Sales [In]sider, grupo global de especialistas em vendas, sendo a única integrante latino-americana.

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Durante o auge dos mecanismos de busca tradicionais como o Google, baseados na indexação de links e na correspondência entre palavras-chave, o foco da grande maioria das equipes de marketing era construir conteúdos que pudessem ganhar maior visibilidade.

Letras “SEO” em um ambiente escuro e fragmentado à esquerda e letras “GEO” em um cenário futurista iluminado, com elementos digitais e inteligência artificial à direita.
Imagem gerada por IA.

Eu lembro como se fosse ontem de essa lógica ter provocado uma certa correria para capacitação em SEO no setor. Afinal, era preciso aprender a construir conteúdos otimizados e estruturados para ranquear bem nas páginas de resultado.

Não é que o SEO tenha morrido definitivamente, mas a ascensão da busca por meio de ferramentas de inteligência artificial, caracterizadas por respostas cada vez mais contextualizadas e que não necessariamente levam a um segundo clique, rompeu com a lógica linear entre busca, tráfego, consideração e conversão. Essa mudança de paradigma está sendo destacada na NRF 2026.

A nova lógica de busca e impactos da IA

Os números discutidos no evento ajudam a entender a dimensão disso. Um estudo da empresa Authoritas apontou que 91,4% das consultas no Google SGE (Search Generative Experience) já aparecem com respostas geradas de IA, o que reduz a visibilidade dos resultados orgânicos e muda completamente a lógica de ranqueamento. Outro levantamento feito pela SE Rankings mostrou que 64% das buscas já trazem respostas de SGE, enquanto, no Brasil, o ChatGPT concentra 45% do tráfego total de ferramentas de IA, segundo dados recentes. Agora, com o Atlas, o novo navegador da OpenAI, a transformação ganha mais um capítulo: menos cliques, mais respostas diretas e mais interação.

Além de apresentar dados que simbolizam a nova lógica de pesquisas, a maior feira de varejo do mundo deu detalhes sobre a transição da predominância do SEO para um modelo ancorado na lógica GEO (Generative Engine Optimization). Na prática, isso significa aderir a uma lógica orientada a contexto e resolução de problemas, algo que faz muito sentido se observarmos o fato de a IA privilegiar respostas cada vez mais completas e interpretativas.

De SEO tradicional a confiança e contexto

Isso muda completamente o jogo, uma vez que relevância já não é sinônimo de tráfego e visibilidade. Ela é sinônimo de consideração, algo que só pode ser construído por meio de autoridade consistente, confiança acumulada e presença qualificada ao longo do tempo.

Esse novo cenário decreta o fim da era dos hacks de marketing. Afinal, já não adianta “otimizar para a IA” como se fazia com algoritmos antigos.

O que passa a importar agora são os sinais de confiança e um posicionamento genuíno de serviços no qual a inteligência gerada dos principais especialistas da empresa é disponibilizada para educar e orientar sem que isso, muitas vezes, resulte no fechamento direto de uma venda.

É importante notar que a execução dessa nova postura não vem de um lugar único, ela aparece por meio de consistência editorial, presença em contextos relevantes, avaliações reais, creators que falam de verdade sobre a marca e comunidades ativas. Ou seja, um ecossistema inteiro.

Talvez o maior risco hoje seja achar que nada disso importa porque o tráfego ainda não caiu, o que, além de tudo, reflete uma escolha pouco educada em relação às métricas que transcendem a vaidade e realmente são válidas quando falamos de branding e geração de negócios.

A questão central é que muitas decisões já estão sendo tomadas sem que a marca sequer perceba. A NRF lançou luz a esse quadro que já se apresenta há algum tempo, apontando que a IA caminha cada vez mais para deixar de apenas responder e passar a agir, comparando opções, recomendando escolhas e até tomando decisões em nome do usuário.

O que posso trazer de mais importante sobre essa discussão é que quanto mais inteligente a tecnologia fica, mais humana a comunicação precisa ser. O futuro da busca não fala de palavras-chave, fala de contexto, confiança e relevância real.

As marcas que entenderem isso primeiro vão aumentar exponencialmente suas chances de serem escolhidas.