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Retail media na era do comércio agêntico: da automação à conexão humana

Por: Fátima Leal

Há 20 anos tem atuado nas áreas de Marketing e Vendas de diferentes setores, gerando impacto real nos negócios. Graduada em Publicidade e Propaganda, com Pós-Graduação em Administração de Empresas, tem passagens por Walmart, Yamaha, dunnhumby, inloco e Raia Drogasil, onde foi co-fundadora do RD Ads/Impulso. Especialista em Retail Media, possui forte expertise em planejamento estratégico, venda consultiva e desenvolvimento de campanhas baseadas em dados. Sua trajetória inclui liderança de projetos complexos e gestão de performance e implementação de metodologias ágeis em ambientes dinâmicos, como startups. Atualmente, é Diretora de Key Accounts na Unlimitail, joint venture entre o Grupo Carrefour e o Grupo Publicis, desenvolvendo soluções eficazes para as principais necessidades do mercado em Retail Media omnicanal.

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A NRF 26 deixou uma mensagem clara: retail media entra, definitivamente, em sua fase de maturidade estratégica. Não se trata apenas de inventário, métricas de conversão ou eficiência tática. O centro da discussão migrou para ações orientadas por dados, mas acompanhadas por experiências mais humanas e um novo equilíbrio entre tecnologia e sensorialidade.

Robô humanoide e dispositivos digitais exibindo dados e um carrinho de compras virtual em ambiente moderno.
Imagem gerada por IA.

Nessa nova era, os agentes de IA passam a atuar de forma autônoma em nome do consumidor, sugerindo produtos, comparando preços, validando estoque em tempo real, aplicando descontos e, em muitos casos, concluindo a compra sem fricção humana direta. Retail media faz parte disso. A IA pode organizar dados, cruzar comportamentos e gerar audiências, desenvolver precificações dinâmicas, automatizar o mix de ativos, alocar formatos e prever resultados.

O papel da IA e da estratégia humana

Varejistas e marcas terão de convencer não apenas pessoas, mas sistemas inteligentes, gerando conteúdo claro, estruturado, confiável e verificável. Falando de uma perspectiva humana, precisamos nos reposicionar para termos uma interpretação ainda mais estratégica e trabalhar em parceria com os agentes de IA, além de sermos mais velozes nas tomadas de decisão.

No entanto, essa eficiência tecnológica extrema gera espaço para experiências físicas, sensoriais e inesperadas. Quanto mais automatizada é a nossa vida, mais sentimos falta do que é real, tátil e humano. Sentir o aroma de um novo amaciante, degustar um vinho diferente, avaliar a textura de uma malha, ouvir um som agradável ou mesmo ver um produto regular exposto de uma forma completamente inovadora tornam a jornada mais agradável e dinâmica. A loja física se transforma no elemento mais estratégico do retail media e passa a ser um palco de descobertas. Se a IA cuida da transação, o espaço físico passa a cuidar da emoção. O novo varejo deixa de vender apenas produtos, para vender atenção, estímulo e influência.

A influência integrada entre canais e experiências

Em um mundo mediado por agentes, a influência não acontece apenas no clique, mas na construção prévia de repertório, preferência e confiança. A loja torna-se um meio de comunicação poderoso, capaz de alimentar tanto a memória do consumidor quanto as dos próprios sistemas inteligentes que fazem a leitura do comportamento e das escolhas reais.

O grande desafio estratégico, portanto, não é escolher entre a tecnologia ou o toque humano, mas orquestrar ambos. Bem-sucedidos serão os que utilizarem a precisão dos algoritmos para eliminar a fricção operacional, enquanto reservam o espaço físico e a criatividade para gerar conexões que os dados, sozinhos, não conseguem replicar. Enquanto a automação acelera, a experiência diferencia.