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O erro que faz e-commerces crescerem e mesmo assim perderem dinheiro

Por: Denis Strum

Com quase 20 anos de experiência em estratégias digitais e growth para negócios B2B e B2C, Denis Strum construiu uma carreira marcada pela aceleração digital de grandes empresas nos setores de full commerce, varejo e tecnologia. Iniciou sua trajetória como o primeiro profissional de marketing da Westwing, onde foi responsável por estruturar as estratégias de aquisição e retenção de clientes, impulsionando o crescimento da marca no Brasil. Na sequência, atuou como sócio e CMO da Synapcom, pioneira em full commerce no país. Posteriormente, integrou o time da Infracommerce, onde ocupou o cargo de diretor da unidade digital. Atualmente, é diretor de Marketing da Selia Fullcommerce, liderando o posicionamento da empresa como referência em operações digitais integradas para grandes players do e-commerce brasileiro.

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Muitos e-commerces crescem. Poucos sabem explicar por quê.

E é exatamente aí que mora o erro que faz negócios aumentarem GMV enquanto perdem dinheiro no processo.

Interface holográfica moderna com a palavra “Growth” em destaque, sobre um ambiente de análise de dados e dashboards digitais.
Imagem gerada por IA.

Quando o resultado não vem como esperado, a pressão sobe e o time entra em modo reação. Mais mídia. Novo criativo. Cupom. Frete grátis. Algum ajuste rápido para ver se “destrava”.

Às vezes funciona. Muitas vezes não. E quase nunca fica claro por que funcionou ou falhou.

Isso não é growth. É tentativa com KPI bonito.

O problema raramente está em onde mexer. Está na incapacidade de ler o e-commerce como um sistema econômico, antes de agir.

Este texto não é sobre hacks, canais ou tendências. É sobre método de decisão para quem responde por crescimento sem destruir margem, operação ou caixa no processo.

O que você vai aprender aqui

Ao final deste artigo, você vai conseguir:

– Ler o e-commerce como um sistema econômico, não como métricas isoladas.
– Identificar o gargalo real antes de sair executando.
– Decidir se o problema é tráfego, conversão, ticket ou outra variável.
– Evitar otimizações locais que pioram o resultado global.
– Construir um playbook mental replicável para decisões futuras.

Nada aqui depende de ferramenta específica. Tudo depende de leitura.

Leitura sistêmica de growth: o método por trás das decisões certas

O que falta na maioria dos e-commerces não é ferramenta, canal ou teste. Falta leitura sistêmica de growth.

Leitura sistêmica de growth é a capacidade de entender qual variável realmente limita o sistema agora, antes de sair mexendo em tudo ao mesmo tempo.

Quem ignora isso geralmente consegue uma coisa só: confundir causa com sintoma.

Vamos ao método.

Passo 1: Pare de procurar “o erro” e comece a procurar “o limitador”

O erro mais comum é começar a análise perguntando: “o que está errado?”.

Essa pergunta abre portas demais ao mesmo tempo.

Tráfego pode estar ruim. Conversão pode cair. Ticket pode oscilar. Margem pode apertar.

A pergunta certa é outra: o que está limitando o crescimento do sistema agora?

Todo e-commerce tem um fator dominante que limita o resultado em determinado momento. O problema é tentar atacar todos ao mesmo tempo.

Quando você faz isso, normalmente melhora um indicador e piora dois.

Antes de qualquer decisão, force-se a responder: se eu melhorasse apenas uma coisa agora, qual destravaria mais resultado com menos impacto colateral?

Sem essa resposta, qualquer plano vira tentativa.

Passo 2: Leia a equação inteira antes de mexer em qualquer parte

Todo gestor conhece a equação básica do e-commerce:

Sessões × taxa de conversão × ticket médio = receita

O erro não está na equação. Está em tratá-la como três partes independentes.

Na prática, nenhuma dessas variáveis se mexe sozinha.

– Mais tráfego costuma piorar conversão.
– Mais conversão via desconto reduz ticket e margem.
– Mais ticket pode reduzir volume e recompra.

Tratar essa equação como independente é o motivo pelo qual muitos e-commerces crescem em GMV e encolhem em caixa. Crescimento que não melhora caixa não é crescimento. É adiantamento de problema.

Antes de decidir onde mexer, responda mesmo que por estimativa:

– Se eu aumentar sessões em 20%, o que acontece com CAC e conversão?
– Se eu subir conversão em 0,5 ponto, qual o impacto real em receita líquida?
– Se eu aumentar ticket, quantas transações posso perder sem prejudicar o resultado?

Se você não consegue responder isso, o problema não é execução. É leitura.

Passo 3: Descubra se o gargalo é aquisição ou aproveitamento

Essa divisão simples resolve metade das decisões erradas.

Todo e-commerce sofre, basicamente, de um destes dois gargalos:

– Gargalo de aquisição
– Gargalo de aproveitamento

Gargalo de aquisição acontece quando existe demanda, o produto funciona, mas o volume ou a qualidade do tráfego não sustentam crescimento.

Gargalo de aproveitamento acontece quando o tráfego chega, mas o site, a oferta ou a experiência não capturam valor suficiente.

Indicadores típicos de gargalo de aquisição:

– Conversão dentro do benchmark
– Ticket competitivo
– Boa taxa de recompra
– Volume insuficiente

Indicadores típicos de gargalo de aproveitamento:

– Tráfego consistente
– Alta taxa de abandono
– Conversão abaixo do esperado
– Ticket abaixo do potencial do mix

Resolver gargalo de aproveitamento com mais mídia só encarece o erro. Resolver gargalo de aquisição mexendo apenas em CRO é perda de foco. Resolver o gargalo errado não gera crescimento. Gera ruído operacional com aparência de progresso.

Passo 4: Pare de otimizar métricas isoladas e comece a otimizar relações

Outro vício comum é celebrar melhorias isoladas.

Conversão subiu. CTR melhorou. Ticket cresceu. CAC caiu.

Nada disso importa se a relação entre as métricas piora.

Alguns exemplos clássicos:

– Conversão sobe, mas margem cai mais.
– Ticket cresce, mas recompra despenca.
– GMV aumenta, mas o caixa não sente.
– Tráfego cresce, mas o CAC explode.

A pergunta certa é sempre a mesma: esse ganho melhora o sistema ou apenas deixa um KPI bonito?

O e-commerce quebra quando otimiza partes e ignora o todo.

Passo 5: Use growth como método de decisão, não como área ou canal

Growth não é mídia paga. Growth não é CRO. Growth não é ferramenta. Growth é um método para decidir onde agir agora.

Um ciclo saudável de growth sempre responde:

– Qual variável limita o sistema hoje
– Qual hipótese destrava mais valor
– Qual esforço operacional isso exige
– Qual impacto colateral pode surgir
– Qual métrica confirma se a decisão foi correta

Sem isso, growth vira apenas agitação com nome moderno.

Testar muito é fácil. Difícil é testar o que realmente importa quando o resultado do mês está pressionando.

Passo 6: Aprenda a decidir onde não mexer

Toda decisão estratégica também é uma decisão de não agir.

Muitos e-commerces destroem valor tentando otimizar áreas que já estão boas o suficiente, apenas porque alguém viu um benchmark externo ou uma tendência de mercado.

Se o tráfego está saudável, não mexa nele agora. Se a conversão está acima do benchmark, não force testes irrelevantes. Se o ticket está coerente com o mix, não empurre kits artificiais.

Maturidade não é fazer mais. É saber parar.

Passo 7: Conecte marketing, site e operação na mesma lógica

Um erro estrutural recorrente é tratar marketing, e-commerce e operação como silos.

Marketing gera tráfego sem entender capacidade operacional. O site promete prazos que a logística não sustenta. A operação absorve impacto sem participar da decisão.

O resultado aparece depois: cancelamento, reclamação, recompra baixa e pressão de margem.

Toda decisão de crescimento deveria responder também:

– Isso aumenta complexidade operacional?
– Isso pressiona custo logístico?
– Isso impacta atendimento?

Crescimento que ignora operação é crescimento provisório.

Passo 8: Crie seu próprio playbook e pare de comprar narrativas prontas

O maior erro de longo prazo é terceirizar o pensamento.

Consumir conteúdo é saudável. Copiar narrativa é perigoso.

E-commerces consistentes constroem seu próprio playbook de decisão baseado em dados, histórico e contexto real.

Eles sabem quando acelerar. Quando ajustar. Quando proteger margem. Quando desacelerar.

Isso não vem de guru. Vem de método.

O que muda quando você decide com método

Quando o gestor passa a decidir com leitura sistêmica de growth, a conversa muda. Com o time.
Com fornecedores. Com a liderança.

O e-commerce deixa de ser reativo e passa a ser previsível. Menos apostas. Menos sustos no caixa. Mais controle sobre o crescimento.

E-commerce raramente quebra por falta de esforço. Quebra quando cresce no escuro, otimiza partes e chama reação de estratégia.

O diferencial nunca foi trabalhar mais. É decidir melhor quando ninguém está olhando.

Se você quiser aplicar esse raciocínio na prática, o próximo passo é simples.

Se você leu até aqui, já entendeu que o problema raramente está em “onde mexer”, mas em como decidir.

Para ajudar gestores a aplicarem a leitura sistêmica de growth no dia a dia, eu organizei esse método em um framework prático, que transforma o raciocínio do artigo em uma sequência clara de decisão.

Nesse material, você consegue:

– Identificar rapidamente qual variável está limitando seu e-commerce.
– Evitar otimizações que melhoram um KPI e pioram o negócio.
– Criar um playbook de decisão replicável para crescimento sustentável.

Acesse aqui o framework completo e aplicável: https://url-shortener.me/48G4.

Não é uma ferramenta milagrosa. É um método para parar de crescer no escuro.