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Cinco verdades sobre o consumidor de e-commerce que vão fazer você repensar tudo

Por: Gustavo Esteves

Fundador e CEO da Métricas Boss, Autor do livro “Menos Achismo Mais Dados” e já trabalhou em gigantes como B2W. Autoridade na área de Digital Analytics, com mais de 15 anos de experiência e 3 mil projetos atendidos, incluindo gigantes como PUC, Rede D’Or, Globo, Stanley, Médico Sem Fronteiras, Alura, entre outras. Atua como Mentor, Palestrante e Professor. Eleito por voto popular um dos destaques de Business Intelligence e Métricas pelo Digitalks, além de ser Host do Podcast Analytics Talks, o podcast mais ouvido de Analytics no Spotify.

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Sabe aquela sensação de que o consumidor mudou, mas você não consegue entender exatamente como? Pois é. Ele mudou mesmo. E não foi ontem, foi anteontem.

Enquanto muita gente ainda trata e-commerce como se estivéssemos em 2019, o consumidor brasileiro já evoluiu três gerações. Ele não tolera mais aquela experiência básica que você oferece achando que está tudo bem. Ele abandona o carrinho sem dó. Ele pesquisa em 15 abas diferentes. Ele não tem paciência. E, principalmente: ele não está nem aí para as suas desculpas.

Mergulhei no estudo “E-commerce Trends 2026” da Octadesk com Opinion Box, com mais de dois mil consumidores reais respondendo sobre comportamento de compra e destilei aqui os cinco insights que mais me incomodaram. Aqueles dados que fazem você parar e pensar: “caramba, eu estava fazendo tudo errado”.

Menos achismo, mais dados. Vamos lá.

1. WhatsApp virou loja (e você ainda não percebeu)

Primeiro lugar: 37% dos consumidores preferem WhatsApp para atendimento. Passou o chat online. Passou o e-mail. Passou tudo.

E não, isso não é sobre “facilidade”. É sobre algo muito mais profundo: o consumidor não quer mais ir até você. Ele quer que você vá até ele.

Pensa comigo: o cara está no sofá, vendo TV, com o celular na mão. Ele não vai abrir seu site, procurar o botão de chat, esperar carregar. Ele vai mandar um “oi, quanto custa?” no WhatsApp mesmo. No mesmo app que ele usa para falar com a mãe dele.

A conveniência não é só técnica, é emocional. O WhatsApp é íntimo. É onde ele já está. É onde a conversa flui naturalmente.

A pergunta que você precisa se fazer: seu WhatsApp é um canal de vendas ou só um “tira-dúvidas”?

Imagem: Reprodução.

2. Frete grátis não é diferencial. É o mínimo.

Aqui vem o soco no estômago: 93% dos consumidores já abandonaram uma compra por causa do valor do frete.

Noventa. E. Três. Por. Cento.

Mas espera, tem mais: 85% já desistiram por causa do prazo. E 38% abandonaram porque não confiavam na transportadora. Essa aqui é bem nova pra mim, não imaginava como a reputação da transportadora poderia atrapalhar uma conversão.

Sabe o que isso significa na prática? Que você pode ter o melhor produto, o melhor preço, o melhor site do mundo. Mas se na hora do checkout aparecer “Frete: R$ 25” ou “Entrega em 15 dias úteis”… game over!!

O consumidor não vê mais o frete como um custo separado da compra. Para ele, frete é parte do preço. Ponto.

E não adianta ficar comparando com “como era antigamente”. Antigamente, a Amazon não entregava em dois dias. Antigamente, o Mercado Livre não tinha frete grátis. O consumidor não vive no antigamente. Ele vive no agora.

A questão real: você está tratando logística como custo ou como estratégia de conversão? Porque seus concorrentes já descobriram que é a segunda opção.

3. IA para pesquisar? Sim. IA para vender? Nem pensar.

Paradoxo detectado. E dos grandes.

26% dos consumidores já usam ChatGPT para pesquisar produtos. Bacana, né? A IA está conquistando espaço como assistente de pesquisa.

Imagem: Reprodução.

    Mas aí você coloca um chatbot no seu site achando que está inovando e… 45% dos consumidores relatam experiências negativas ou muito negativas. Contra apenas 22% de experiências positivas.

    O que está acontecendo aqui? Simples: questão de controle.

    Quando o consumidor usa a IA, ELE está no comando. Ele faz as perguntas que quer, busca o que precisa, filtra como preferir. É uma ferramenta a serviço dele.

    Quando VOCÊ usa IA para atendê-lo, ele sente que está sendo “empurrado”. Que tem uma máquina tentando vender para ele. Que não tem ninguém real do outro lado se importando de verdade.

    A lição: o problema não é a tecnologia. É a implementação. Chatbot que não resolve e fica mandando o cliente de um lado para o outro? Pior que não ter nada.

    É por isso, inclusive, que o WhatsApp está explodindo, as pessoas querem eficiência, sim, mas querem sentir que tem alguém real ali, capaz de resolver de verdade.

    4. O maior concorrente do seu e-commerce é o medo

    Prepare-se: 93% dos consumidores já deixaram de comprar por medo de fraude.

    Gráfico de linhas mostrando que a maioria das pessoas já deixou de comprar online por medo de fraude, com “Sim” entre 87% e 93% de 2022 a 2025, e “Não” entre 7% e 13%.
    Imagem: Reprodução.

    Isso não é problema pequeno. Isso não é “ajuste fino”. Isso é a sua conversão indo pelo ralo antes mesmo de o carrinho carregar.

    E não é exagero. 55% dos entrevistados já foram vítimas de golpe online. Então, quando o consumidor olha para o seu site e pensa “será que isso é real?”, ele tem motivo.

    Até minha mãe já tá treinada com isso…

    Imagem: Reprodução.

      O que faz seu site parecer uma fraude?

      Top 5 dos gatilhos de desconfiança:

      1. Não ter avaliações de clientes.
      2. Ter avaliações fakes.
      3. Visual do site/app parecer “estranho”.
      4. Não aparecer no Google ou nas redes sociais.
      5. Não ter selo do reclame aqui com link.

      Olha só: nenhum desses cinco tem a ver com o seu produto ser bom ou ruim. Tem a ver com sinais de confiança. Ou melhor, com a ausência deles.

      Você pode ter o melhor produto do Brasil. Se o seu site não transmite segurança, você não existe. É assim que funciona na cabeça do consumidor de 2026.

      Pergunta honesta: você já testou comprar no seu próprio site como se fosse a primeira vez? Dá medo ou dá confiança?

      5. Seus clientes vendem mais que você (ou afundam sua loja)

      Conectando direto com o ponto anterior: a falta de avaliações é o sinal #1 de que uma loja pode ser fraude.

      E o impacto? 91% dos consumidores já foram influenciados por uma avaliação negativa.

      Pensa na matemática perversa disso: você gasta fortuna em tráfego, em anúncios, em pixel, em criativos. Traz o cara até a página do produto. Ele está quase comprando…

      Aí ele rola a página, vê um review negativo dizendo “produto não chegou” ou “péssima qualidade” e… tchau. Perdeu.

      Mas aqui está o ponto que a maioria erra: o problema não é ter avaliação negativa. É não ter avaliação nenhuma ou não responder as negativas.

      76% dos consumidores leem reviews para “ver a qualidade do produto”. 75% para “ver se o produto realmente se parece com o anunciado”. Traduzindo: eles estão buscando a verdade, não a sua propaganda.

      Gráfico de barras mostrando motivos para considerar avaliações úteis em lojas online, com destaque para qualidade do produto (76%), fidelidade ao anúncio (75%), material (50%), tamanho/caimento (43%), prazo de entrega (43%) e outros (1%).
      Imagem: Reprodução.

        E sabe o que gera mais confiança que cinco estrelas perfeitas? Uma loja que tem 4.2 estrelas, algumas avaliações negativas, mas o dono respondendo TODAS explicando o que aconteceu e como resolveu.

        Isso é uma prova social de verdade. Isso é transparência que converte.

        Conclusão: você está jogando o jogo certo?

        O consumidor de 2026 não está mais esperando você se adaptar. Ele já se adaptou. Sozinho.

        Ele quer resolver no WhatsApp, não quer pagar frete, desconfia da sua IA mal feita, tem medo de cair em golpe e só acredita no que outros clientes falam.

        A pergunta não é “quando o consumidor vai mudar”. Ele já mudou.

        A pergunta é: quando você vai parar de operar com estratégias de 2020 para um cliente de 2026?

        Menos achismo, mais dados.