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Tendências 2026 - o cenário digital e o futuro da mídia

Por: Renato Avelar

sócio e Co-CEO da A&EIGHT

Com formação em administração de empresas, construiu uma sólida carreira em companhias reconhecidas de tecnologia, marketing e e-commerce como Montify e B8one, destacando-se na área de transformação digital e desenvolvimento de novos negócios.

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2026 marca o início de uma nova era no digital brasileiro. Menos glamour, mais eficiência real.
Depois de anos de hype em torno de mídia, influência e tecnologia, o mercado entra agora em sua fase mais madura. O que antes era celebrado como inovação passa a ser avaliado sob a ótica de margem, ROI, TCO e impacto direto no negócio.

Mesa de madeira com um laptop aberto exibindo gráficos e ícones de performance, ao lado de celular, óculos e papéis, com vista urbana desfocada ao fundo.
Imagem gerada por IA.

Dentro desse cenário, quatro movimentos se destacam como os mais importantes do ano para CMOs, CDOs, CTOs e CEOs:

1. Pressão por performance real em mídia.
2. Retail media avançando como pilar de margem no Brasil.
3. Revisão completa do stack enterprise de e-commerce.
4. Agentic commerce e UCP.

A seguir, o Digital Martech Review 2026 detalha cada um deles.

1. A nova era da mídia: o fim do glamour e o início da eficiência radical

O tempo das métricas indulgentes acabou. Em 2026, o que domina as mesas de diretoria é uma pergunta simples e objetiva: a mídia está gerando lucro ou apenas custo?

Os principais movimentos:

ROAS real substitui ROAS de plataforma: adoção de modelos independentes de atribuição e foco em venda incremental.
– CFO pressionando eficiência: campanhas sem tese financeira clara perdem prioridade.
– CRM + mídia integrados: valor de ciclo de vida (LTV) vira métrica central da estratégia.
– SEO e GEO voltam ao topo da pauta: efeito composto, custo fixo menor, impacto direto na margem.

O resultado dessa virada é claro: empresas estão reduzindo investimentos não performáticos e alocando mais verba em SEO/GEO, retail media, conteúdo orientado à conversão e dados + automação.

2026 inaugura a fase mais pragmática da história da mídia digital no Brasil.

2. Retail media: o pilar de margem que o varejo brasileiro abraçou

Se 2024 foi descoberta e 2025 foi validação, 2026 é a consolidação total do retail media no Brasil.

As grandes redes entenderam que possuem algo que nenhuma plataforma aberta oferece: intenção de compra em tempo real combinada a dados proprietários robustos.

Os movimentos que mais chamam atenção:

– Carrefour e Casas Bahia transformaram seus ambientes digitais em veículos premium de mídia.
– O crescimento acelerado do Magalu Ads consolidou o Magalu como um dos maiores canais de mídia baseada em intenção do país.
– Panvel tornou-se referência em retail media para categorias de saúde, bem-estar e beleza.
– Redes de farmácia como Raia Drogasil e Droga Raia avançam na integração omnichannel, criando inventário híbrido entre loja física e digital.
Marketplaces como Shopee e Amazon ampliam inventário baseado em intenção e first-party data.
– Marcas percebem retail media entregando CAC menor, conversão superior e impacto direto na margem.

O resultado é evidente: retail media deixa de ser “trade digital” e passa a ser uma das três principais linhas de investimento em performance para categorias como beleza, bens de consumo, eletrônicos e farmácia.

2026 será o ano em que a indústria finalmente opera retail media como um canal core de aquisição e retenção.

3. Revisão completa do stack enterprise de e-commerce

Após anos de hype do composable commerce, o mercado entrou em nova fase de maturidade.

2026 traz a pergunta que realmente importa: essa arquitetura aumenta GMV, margem ou eficiência? Se não aumentar, não entra.

As tendências claras:

– Composable modular, não full: empresas mantêm VTEX, Shopify Plus ou SAP Commerce como núcleo e compõem apenas onde existe vantagem real – performance, personalização, busca inteligente.
– Front-ends de alta performance viram padrão: especialmente Next.js, VTEX FastStore e Shopify Hydrogen. A velocidade de carregamento virou indicador direto de conversão e impacto de mídia, reduzindo espaço para soluções headless de baixa performance.
– Custo total (TCO) vira prioridade: squads gigantes perdem espaço para times enxutos. Integrações desnecessárias desaparecem. Arquiteturas ficam mais simples, mais rápidas e mais baratas.
– O conceito de LAAS ganha força: Laboratório como Serviço permite que empresas escalem desenvolvimento com governança, segurança da informação e eficiência operacional.
– Arquitetura guiada por ROI: o glamour acabou. Fica apenas o que paga a conta.

4. Agentic commerce e UCP: a automação inteligente que muda o jogo em 2026

Se 2023 e 2024 foram anos de hype da IA generativa, 2026 é o ano em que ela se torna operacional.

Agentic commerce emerge como o maior salto desde o mobile commerce.

Em vez de apenas gerar conteúdo, agentes autônomos começam a:

– Otimizar páginas.
– Ajustar preços.
– Reescrever descrições com base em intenção.
– Testar combinações de UX.
– Reorganizar categorias.
– Sugerir bundles e ofertas.
– Disparar automações de mídia.
– Analisar concorrentes em tempo real.

Tudo isso sem depender de squads internos gigantes.

O conceito de UCP (Unified Commerce Profile) se consolida como ponte entre dados, mídia e experiência.

Com um perfil único por cliente, marcas passam a:

– Unificar navegação, CRM, mídia e transação.
– Eliminar silos entre e-commerce, loja física e ads.
– Criar experiências personalizadas em qualquer ponto de contato.
– Ativar dados próprios com precisão.
– Reduzir CAC e aumentar LTV.

Agentic commerce + UCP estabelecem um novo patamar competitivo. Empresas passam a operar estruturas de digital muito mais leves, rápidas e eficientes.

Conclusão

2026 inaugura a fase mais madura do marketing e da tecnologia no Brasil.

As empresas que prosperarão não serão as que gastam mais, mas as que operam melhor.

Eficiência passa a ser a nova criatividade. ROI torna-se a nova métrica de status. E tecnologia só importa se gerar margem.