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A nova lógica das jornadas no e-commerce e o papel da IA nessa evolução

Por: Camila Olaechea

Diretora Comercial da SAP Emarsys para a LATAM

Como Diretora Comercial da SAP Emarsys para a LATAM, Camila Olaechea é uma líder com mais de uma década de experiência na SAP. Sua expertise está em guiar grandes marcas na transformação digital, utilizando estratégias de engajamento omnicanal. Camila apoia empresas de diversos setores a conectar dados, inteligência artificial e automação para personalizar a experiência do cliente em escala, resultando em maior retenção, fidelização e crescimento de receita.

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Durante muito tempo, a jornada do cliente foi desenhada como um fluxo previsível, com descoberta, consideração, compra e pós-venda. Esse modelo funcionou enquanto os pontos de contato eram limitados e as interações aconteciam em momentos bem definidos.

Mulher sentada ao ar livre usando notebook, com prédios altos ao fundo.
Imagem: SAP.

Com a evolução da tecnologia e a mudança no comportamento das pessoas, essa lógica passou a capturar apenas parte da realidade. Estudos recentes da WGSN e os debates observados durante a NRF 2026, em Nova Iorque, mostram que os caminhos deixaram de ser lineares para se tornarem contínuos, fragmentados e, ainda assim, interconectados.

O consumidor transita entre canais, contextos e expectativas diferentes, mas não encerra sua relação com a marca após a compra. O pós-venda passou a ocupar um papel central e duradouro na experiência. Assim, a fidelidade é construída pela capacidade da marca de manter relevância ao longo do tempo, oferecendo interações coerentes antes mesmo que o cliente expresse uma nova necessidade.

A inteligência artificial como elo da experiência

É nesse ponto que a inteligência artificial assume um papel estratégico, atuando como uma camada que conecta dados, contexto e comportamento para sustentar experiências mais vivas e consistentes. A IA permite interpretar sinais que antes passavam despercebidos, como mudanças no padrão de navegação, recorrência de compras, resposta a comunicações e engajamento no pós-venda.

Esses sinais alimentam jornadas mais ajustadas ao ritmo real do cliente. No Brasil, esse movimento já começou.

A pesquisa Value of AI, realizada pela SAP em parceria com a Oxford Economics, aponta que empresas brasileiras devem investir cerca de R$ 100 milhões em inteligência artificial até 2027. O retorno médio atual da tecnologia é de 16%, com expectativa de chegar a 31% nos próximos anos. Isso reforça que a IA vem sendo incorporada como um elemento relevante na geração de valor para os negócios.

Ao mesmo tempo, o avanço traz novas responsabilidades. O estudo indica que o uso de ferramentas de “IA paralela”, adotadas sem aprovação formal, é um ponto de atenção para 80% das empresas, enquanto 66% reconhecem que essa prática ocorre com frequência. Em jornadas contínuas, especialmente no pós-venda, a experiência do cliente passa a depender não apenas de velocidade, mas de consistência, governança e uso responsável dos dados.

Outro levantamento da SAP mostra que o Brasil é o país mais otimista da América Latina em relação ao uso da IA no ambiente corporativo.

Segundo a pesquisa, 52% das empresas brasileiras têm uma percepção totalmente positiva sobre a tecnologia, enquanto 27% a enxergam de forma favorável, ainda que com ressalvas. Esse cenário abre espaço para avanços mais sofisticados no engajamento, desde que sustentados por processos integrados e decisões conscientes.

O pós-venda inteligente surge, então, como um diferencial competitivo para o e-commerce. Em vez de contatos pontuais, as marcas passam a construir relações baseadas em utilidade, conveniência e reconhecimento.

Recomendações no momento certo, notificações alinhadas ao uso real do produto e sugestões contextualizadas fortalecem o vínculo emocional e ampliam a recompra.

Coerência operacional para sustentar jornadas contínuas

Outro ponto recorrente nos debates da NRF 2026 é a importância da coerência operacional para sustentar essas jornadas. A experiência percebida pelo cliente reflete decisões tomadas muito antes do contato final, envolvendo planejamento, disponibilidade de produto, integração entre canais e capacidade de resposta. A IA atua como o elo entre essas camadas, ajudando a ajustar ações e reduzir fricções ao longo do tempo.

À medida que o varejo avança para 2026, a vantagem competitiva passa menos por iniciativas isoladas e mais pela qualidade das conexões construídas ao longo do caminho.

Experiências memoráveis exigem marcas capazes de aprender com cada interação e evoluir junto ao cliente. Se aplicada de forma consciente e integrada, a IA cria as condições para estabelecer relações cada vez mais consistentes e sustentáveis ao longo do tempo. Quando isso acontece, a empresa ganha uma importante vantagem competitiva.