O setor de shopping centers abre o ano de 2026 em um cenário que exige planejamento rigoroso e gestão estratégica. Após um 2025 marcado por resultados heterogêneos entre os lojistas, a expectativa atual aponta para um primeiro semestre de desempenho contido, com projeções de retomada mais consistente apenas a partir da segunda metade do ano.

De acordo com a Associação Brasileira de Lojistas Satélites de Shoppings (ABLOS), o ano passado foi um dos períodos mais complexos para o segmento. Para o ciclo atual, o calendário deve ditar o ritmo das vendas: a ocorrência do Carnaval em fevereiro, a Copa do Mundo no meio do ano e o pleito eleitoral em outubro tendem a fragmentar a jornada de consumo, tornando o fluxo de caixa mais irregular ao longo dos meses.
Mauro Francis, presidente da ABLOS, observa que o comportamento das vendas tem sido desigual. Ele ressalta que o ligeiro aumento no ticket médio registrado recentemente não reflete necessariamente uma expansão no volume de vendas, mas sim o repasse necessário da elevação dos custos operacionais ao consumidor final.
Desafios operacionais e a pauta trabalhista
Um dos temas centrais para o varejo físico em 2026 é o debate sobre a flexibilização da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6×1. A entidade defende que a discussão seja conduzida com base em dados técnicos, visto que as operações em shoppings possuem características específicas, como horários estendidos e dependência direta de equipes presenciais.
O setor alerta que mudanças estruturais na jornada sem um planejamento de transição podem comprometer a produtividade e elevar os custos em um momento em que as margens de lucro já estão pressionadas. Segundo a liderança da ABLOS, a manutenção dos níveis de emprego depende diretamente da viabilidade econômica dessas operações de alta complexidade.
Para navegar em um ambiente de crescimento moderado, a ABLOS estabeleceu uma agenda institucional focada no alívio da carga tributária e na qualificação profissional. Entre as prioridades para 2026 estão a atualização da tabela do Simples Nacional e o suporte técnico aos lojistas durante a transição da reforma tributária.
Além da frente legislativa, a associação pretende investir em projetos de formação de mão de obra para elevar o padrão de atendimento e eficiência nas lojas. Em um cenário onde o consumidor busca cada vez mais valor agregado, o foco em produtividade e na experiência do cliente será determinante para que o varejo de shopping consiga atravessar o ano com sustentabilidade financeira.