Micro e pequenas empresas, incluindo MEIs, respondem por mais de R$ 700 bilhões em renda gerada por ano no Brasil, segundo levantamento de 2024 do Sebrae. Com a aprovação do PLP 108/2024 no Senado, esse grupo passa a enfrentar uma adaptação ao modelo de tributação baseado no IBS e na CBS, que deve alterar de forma significativa rotinas fiscais, contábeis e operacionais.

A proposta da reforma é simplificar os tributos sobre o consumo, mas especialistas alertam que a transição exigirá ajustes rápidos por parte das PMEs. O novo sistema modifica a forma de cálculo e de declaração dos impostos, impactando desde a emissão de notas fiscais até o registro das operações financeiras.
Segundo Reginaldo Stocco, CEO da vhsys, a mudança vai além da carga tributária. Para ele, será necessário revisar processos internos e a estrutura de gestão das empresas. A adequação, afirma, passa pela organização do controle fiscal, pela atualização de sistemas e pelo planejamento financeiro diante do novo cenário.
Entre as principais recomendações está a reorganização do controle fiscal e contábil. O modelo do IBS e da CBS demandará maior integração de informações e precisão no cruzamento de dados. Automatizar a emissão de notas fiscais, revisar cadastros de produtos e serviços e centralizar relatórios contábeis tendem a reduzir riscos de inconsistência durante a transição.
Outro ponto considerado decisivo é a atualização dos sistemas de gestão. Empresas que ainda operam com controles manuais podem enfrentar mais dificuldades para acompanhar alíquotas, obrigações acessórias e mudanças graduais na legislação. Plataformas integradas, que conectam vendas, estoque, financeiro e emissão fiscal, ajudam a manter conformidade e a reduzir erros operacionais.
O novo modelo também exige atenção ao planejamento financeiro. Com alterações na tributação sobre o consumo, margens e custos podem variar, impactando o fluxo de caixa. Especialistas recomendam simular cenários, antecipar ajustes de preços e revisar contratos com clientes e fornecedores para mitigar efeitos negativos e preservar a rentabilidade.
Além disso, a capacitação das equipes se torna um fator indispensável. Profissionais das áreas contábil, fiscal, financeira e de tecnologia precisarão se atualizar, enquanto processos internos devem ser revisados para garantir consistência entre os sistemas de gestão e as obrigações legais.
Para Stocco, a reforma pode funcionar como um gatilho para modernização. Segundo ele, empresas que investirem em digitalização e integração tendem a ganhar mais controle sobre a operação, reduzir riscos e criar bases mais sólidas para o crescimento nos próximos anos.