O varejo farmacêutico atravessa um período de intensas transformações estruturais, consolidando as unidades físicas como o primeiro ponto de contato do paciente com o ecossistema de cuidados. Durante a Conferência Saúde e Farma 2026, promovida pelo E-commerce Brasil, o setor debateu as forças que estão redesenhando o mercado. A palestra ministrada por Giovanna Leonato, Diretora Associada de Relacionamento com Parceiros Estratégicos da IQVIA, e Fabio Alguim, Diretor Sênior de Relacionamento com Parceiros Estratégicos e Serviços ao Cliente da IQVIA, detalhou como a digitalização está redesenhando a jornada de compra e a eficiência operacional das redes.

A farmácia deixou de ser apenas um local de dispensação para se tornar um hub de saúde integrado. Esse movimento foi impulsionado por mudanças regulatórias iniciadas no período da pandemia, que ampliaram o escopo de atuação do setor. Atualmente, o mercado mantém um ritmo de crescimento robusto, registrando avanços de dois dígitos ao ano, sustentado principalmente pela expansão das grandes redes e pelo fortalecimento do associativismo e das franquias.
Eficiência operacional impulsionada pela Inteligência Artificial
Um dos pilares dessa evolução é a adoção estratégica da Inteligência Artificial. Diferente de uma visão voltada apenas à automação, a IA nas redes farmacêuticas tem focado na otimização de estoque, precificação dinâmica e previsão de demanda. O uso dos agentes permite que a farmácia ganhe agilidade sem substituir o capital humano.
O objetivo central dessa tecnologia é elevar a eficiência operacional, redirecionando os profissionais para tarefas mais estratégicas e significativas dentro do ponto de venda. Para as farmácias independentes, o cenário exige uma análise interna profunda sobre processos e tecnologia para garantir a sobrevivência e o crescimento frente às redes que já operam com infraestruturas digitais avançadas.
O avanço do digital e o impacto do GLP-1 no faturamento
O comércio eletrônico já representa 13,2% do faturamento total do varejo farmacêutico, uma curva considerada extremamente relevante para o setor. Embora os medicamentos de prescrição continuem sendo o coração do negócio no varejo físico, o ambiente digital tem atraído um mix de produtos diversificado.
Categorias como dermocosméticos, cuidados infantis e o segmento de RX promovido apresentam uma penetração maior no digital em comparação ao mercado total. Recentemente, o crescimento do volume de vendas no varejo digital também foi impulsionado pelo mercado de GLP-1, que alterou a dinâmica de faturamento e volume em diversas regiões. Eventos sazonais como a Black Friday tornaram-se janelas essenciais para a aquisição e migração de novos clientes para os canais online.
WhatsApp e a nova jornada de cuidado
O mapeamento da jornada de compra do consumidor de saúde exige um olhar atento para a adaptação de soluções tecnológicas às necessidades individuais. Nesse contexto, o WhatsApp consolidou-se como a principal plataforma digital de saúde do Brasil. A ferramenta revolucionou o acesso, permitindo que o paciente interaja com a farmácia de forma ágil, humanizando o atendimento remoto e facilitando o suporte contínuo.
O mercado sinaliza que o crescimento sustentável não depende apenas de uma estratégia de preço baixo, mas sim da dedicação ao cuidado com o paciente. A tecnologia deve servir como uma ponte para fortalecer esse vínculo, especialmente no momento do pós-compra.
Nesta etapa, os Programas de Benefícios em Medicamentos (PBMs) desempenham um papel que vai além da concessão de descontos. Eles são ferramentas estratégicas para ampliar o acesso ao tratamento e fornecer um suporte contínuo, garantindo que o paciente tenha acompanhamento durante toda a sua jornada de saúde.