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Sindusfarma vê e-commerce como alavanca para o setor

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

A indústria e o varejo farmacêutico brasileiro tem fundamentos sólidos, mas ainda enfrenta desafios estruturais para ampliar sua relevância global. Essa foi a avaliação de Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindusfarma, durante apresentação de abertura na Conferência Saúde & Farma 2026, promovida pelo E-Commerce Brasil.

Sindusfarma vê e-commerce como alavanca para o setor
(Imagem: Envato)

Segundo o executivo, o Brasil responde por cerca de 2% do mercado farmacêutico mundial, movimentando aproximadamente R$ 200 bilhões dentro de um setor global estimado em US$ 1,5 trilhão. Apesar da relevância regional, Mussolini apontou que o país ainda é percebido como um mercado de médio porte no cenário internacional.

Além da escala, a imagem do setor também foi destacada como um entrave. De acordo com o presidente do Sindusfarma, a indústria farmacêutica ainda sofre um processo de “demonização” junto à opinião pública, o que dificulta o avanço de pautas estratégicas e a construção de um ambiente mais favorável à inovação.

Por outro lado, o executivo ressaltou uma mudança clara no comportamento do consumidor brasileiro, hoje mais atento à saúde, à prevenção e ao bem-estar. Essa transformação tende a criar um cenário mais positivo para o setor nos próximos anos, desde que seja acompanhada por investimentos contínuos em digitalização.

Nesse contexto, o e-commerce aparece como um vetor de transformação do mercado farmacêutico. Mussolini afirmou que o canal online está “mudando o jogo”, ainda que exista certa desconfiança por parte da população, especialmente quando o tema envolve medicamentos e cuidados com a saúde. Para ele, o avanço do digital é inevitável, mas requer educação do consumidor e amadurecimento do ecossistema.

Cenário geopolítico

O presidente do Sindusfarma também chamou atenção para a elevada judicialização do setor no Brasil. Segundo ele, o excesso de disputas judiciais tem impacto direto sobre o lançamento de novos medicamentos e contribui para o aumento de custos de produtos já disponíveis no mercado, criando obstáculos adicionais para a indústria.

Ao tratar da relação entre canais, Mussolini reforçou que o crescimento do online não significa o fim do varejo físico. Pelo contrário, o executivo avalia que as farmácias físicas estão se beneficiando das facilidades trazidas pelo e-commerce, seja integrando serviços, ampliando a conveniência ou melhorando a experiência do consumidor.

Na visão do Sindusfarma, o plano estratégico para os próximos cinco anos passa pela combinação entre inovação, digitalização contínua, equilíbrio regulatório e fortalecimento da confiança do consumidor, com o objetivo de ampliar a competitividade da indústria farmacêutica brasileira e sua inserção no mercado global.


Confira a cobertura completa do Conferência Saúde & Farma 2026