Logo E-Commerce Brasil

Mercado Livre mantém liderança em engajamento no e-commerce brasileiro

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

O tráfego digital dos principais e-commerces brasileiros manteve forte concentração nas grandes plataformas no quarto trimestre de 2025, com avanço expressivo de players internacionais e desaceleração de varejistas tradicionais. Os dados fazem parte do relatório trimestral de audiência digital produzido por Similarweb e Snaq, que analisa a navegação web e em aplicativos de 29 empresas do setor no Brasil.

Mercado Livre mantém liderança em engajamento no e-commerce brasileiro
(Imagem: Envato)

No ambiente web, o Mercado Livre permaneceu na liderança em volume de sessões mensais, concentrando a maior fatia do tráfego digital no período. A Amazon Brasil aparece na segunda posição e registrou um salto relevante no quarto trimestre, reduzindo a distância em relação ao líder. O crescimento aproximou ainda mais os dois maiores players do e-commerce nacional, especialmente durante o período da Black Friday.

A análise separa o desempenho da Amazon.com.br e da Amazon.com. Enquanto o domínio brasileiro apresentou crescimento expressivo de visitas e visualizações de páginas no trimestre, o site internacional manteve participação menor no tráfego local e apresentou desempenho mais estável ao longo do período, refletindo a preferência crescente dos consumidores brasileiros pela operação nacional da companhia.

Destaques

A Shein foi o e-commerce com maior crescimento anual de visitas no quarto trimestre, com alta de 101,3% na comparação com o mesmo período de 2024. Apesar do avanço acelerado, a plataforma ainda representa uma parcela menor do total de sessões em relação aos líderes do mercado. Em sentido oposto, varejistas como AliExpress, Casas Bahia, Americanas e Magazine Luiza registraram retração no volume de visitas ano a ano, indicando perda relativa de tráfego no ambiente digital.

No indicador de engajamento, o Mercado Livre liderou em número médio de páginas visualizadas por sessão, com 8 páginas por visita, seguido pela OLX e pela Shopee. Já a Shopee apresentou o maior tempo médio de permanência dos usuários, com sessões superiores a dez minutos, enquanto Mercado Livre e OLX completaram o grupo com maior retenção.

A taxa de rejeição também evidenciou diferenças entre os modelos de operação. A OLX registrou o menor índice entre os sites analisados, com 30,9%, enquanto marketplaces internacionais e varejistas tradicionais apresentaram taxas mais elevadas, sugerindo menor engajamento logo na entrada da navegação.

Canais

O acesso aos e-commerces brasileiros segue majoritariamente móvel. No quarto trimestre de 2025, cerca de 70% das visitas aos sites ocorreram via dispositivos móveis. A distribuição, no entanto, varia entre as empresas: plataformas de marketplace com forte apelo ao consumo recorrente apresentam predominância ainda maior do mobile, enquanto varejistas de eletrodomésticos e bens duráveis mantêm participação relativamente mais alta do desktop.

No ambiente de aplicativos, Mercado Livre e Shopee encerraram o ano com liderança isolada em usuários ativos mensais no Android e com presença em mais da metade dos dispositivos móveis no Brasil. A distância em relação aos demais concorrentes permaneceu significativa ao longo de 2025. A Shein aparece na sequência, enquanto a Temu perdeu fôlego no trimestre, caindo para a sétima posição em número de downloads após um período de crescimento acelerado.

O levantamento considera dados de navegação web desktop e mobile, além de aplicativos Android, e não inclui o tráfego internacional de plataformas globais. As informações refletem exclusivamente o comportamento dos usuários no Brasil no quarto trimestre de 2025.