A NRF Retail’s Show é a maior feira de varejo e tecnologia do mundo, tendo como lar o coração de Nova York todo mês de janeiro, e reunindo varejistas, soluções, restaurantes e profissionais de todos os níveis.
O E-Commerce Brasil terá um Lounge na NRF Retail’s Big Show 2026, um espaço dedicado a relacionamento, conteúdo e encontro estratégico para executivos, autoridades e lideranças do ecossistema digital nacional e internacional.
Todos os anos, o evento começa muito antes das portas da feira serem abertas. São meses de preparo, delegações inteiras de países mobilizadas e especialistas que estudam incansavelmente para trazer as maiores tendências em negócios e tecnologia para os palcos e corredores do pavilhão.
Na manhã desta sexta-feira, dois dias antes do começo oficial da NRF 2026, o escritório da Mastercard em Manhattan abriu suas portas para um grupo de brasileiros experimentarem um preview dos assuntos que serão estudados nos próximos dias.

Gustavo Arruda, economista-chefe da Mastercard, explicou que os dados mostram algumas respostas para perguntas econômicas relevantes no mercado internacional.

Nos EUA
De acordo com os dados apurados pela Mastercard, as tarifas norte-americanas estão impactando severamente algumas economias próximas, como o México e o Canadá, e sendo, concomitantemente, menos relevante para nações mais independentes da cadeia, como a União Europeia e a China.
Hoje, cada vez mais países se preparam para depender menos dos Estados Unidos para importação. Enquanto isso, o varejo estadunidense começam a pensar em dinâmicas de produção que fujam das rotas chinesas, abrindo caminhos para os países latino americanos exportarem para os EUA.
Além disso, o governo norte-americano está atuando de forma mais intensa sobre a imigração, uma vez que há um aumento nos níveis de desemprego para os residentes do país. “Não há uma resposta rápida ou mudança de uma hora para outra, mas os consumidores começam a desconfiar da economia e perceber com mais atenção a inflação”, explica Arruda.
Ademais, ele expôs que em 2026 veremos uma influência do governo norte-americano sobre as eleições na América Latina, como na Colômbia e no Brasil, no final do ano. “A eleição na Colômbia, por ser alguns meses antes da nossa, será um bom termômetro dessa influência para guiar o mercado brasileiro”, conclui.
No Brasil
O Brasil viverá um processo rápido de redução em sua população nos próximos 25 anos, mudando a dinâmica demográfica do país. A tendência já atinge outros países, mas dá alguns sinais de alerta para e Arruda avisa que os varejistas no Brasil deve tomar cuidado com as próximas tendências, que vão requer ajustes para contemplarem essas mudanças.
“A pergunta ‘o que a próxima geração vai querer?’ passa a ser secundária, pois a próxima geração será cada vez menor, então passa a fazer mais sentido entender o que o consumidor atual quer independente da idade”, afirma.
Lego e McDonald’s são exemplos de empresas que eram voltadas ao público infantil e redirecionaram suas estratégias para adultos nos últimos anos, como menos apelo no lado lúdico e mais apelo para o lado colecionável.
Inteligência Artificial
De acordo com Arruda, a Inteligência Artificial vai ser tendência por um bom tempo e talvez para sempre nos eventos sobre teconologia, economia e varejo. As plataformas, usabilidades e aplicações das IAs evoluiram de forma exponencial nos últimos anos e estão assumindo novas funções. O executivo entende que esse será um tema universal na NRF deste ano.
Consumo e macro tendências
No Brasil, conforme a inflação cresce, o último gasto não essencial que deixa de ser consumido são os restaurantes, como momento de lazer da maioria das famílias. Em contrapartida, o brasileiro tenta mudar produtos no supermercado por opções mais viáveis, deixa de gastar com roupas e sapatos novos e limita seus gastos com categorias mais superfulas.
Em São Paulo, a realidade pós-pandemia, mesmo que já tenham passado vários anos, é perceptível o aumento de gastos em supermercados ao longo dos últimos 8 anos.
Além disso, ano após ano, o mês de novembro tem se tornado mais relevante do que a própria Black Friday, diversificando as vendas para um perfil maior de categorias e consumidores.
Unified Commerce e Agentic Commerce
“A missão da Mastercard é simplificar a experiência do cliente, independente do canal, de forma segura e rápida”, explica Cassiano Dias, Vice Presidente da Mastercard na América Latina. “Saímos de um pedaço de carbono para um pagamento contactless”, completa.

Para o mundo digital, o plano é construi uma base para eliminar os pagamentos com senha, aproximando-se da experiência do varejo físico.
Segurança, autentificação e click to pay são algumas das tendências a serem implementadas antes do agentic commerce ser uma realidade nos próximos anos.
Em linhas gerais, o agentic commerce é a realidade em que a IA será responsável pela conclusão das compras online. Hoje, 20% das tarefas do e-commerce já são realizadas via IA.
Neste cenário, os especialistas em e-commerce vão trabalhar como co-pilotos da experiência do usuário para alimentar e guiar a IA generativa em suas compras. A C&A, por exemplo, já usa a tecnologia da Mastercard como um assistente virtual para sugerir looks e auxiliar consumidores nas compras feitas pelo site.
Outro exemplo é a ferramenta Aesthetic, que busca na internet looks vistos como inspirações nas redes sociais, assim como fabricante e onde comprar.
“A ideia é que o assistente por IA trabalhe para o usuário, como já acontece com as ações”, explica. O agente virtual por IA procure por melhores opções de preços, avise quando o produto buscado estiver em promoção e dê dicas de compras de acordo com as preferências do consumidor.
“Estamos falando de tendências, mas o futuro é logo ali virando a esquina”. O executivo exemplifica sua fala com as funcionalidades já disponíveis na plataforma Perplexity, que identifica opções de acordo com uma necessidade muito específica solicitada pelos clientes.
Com o cartão já cadastrado e o produto escolhido, a IA compra por você o produto sem que o usuário entre no site.
“Tudo isso se baseia em uma relação de confiança entre tecnologia, banco e consumidor”, alega. “Como o banco contesta uma compra feita errada, ou enviada errada, ou feita sem o consentimento do consumidor?”. Para que funcione, ele elenca 3 pontos cruciais:
- Know your agent (KYA)
Os robôs precisam ser cadastrados como de confiança e com tokens específicos para que as transações sejam rastreadas, evitando assim ações fraudulentas. - Compreender os padõres de interfaces
É preciso que exista a definição de um padrão de troca de dados entre os agentes e os vendedores, assim como funcionam os protocolos de segurança com os modelos de e-commerce e aplicativo. - Consentimento e intenção do portador
A IA até pode fazer a compra sozinha, mas o usuário precisa ter consciência de todos os passos e tipos de produtos ou serviços que estão sendo comprados, incluindo a verificação quando necessária. A compra é automática, mas nunca sem restreabilidade.