A Amazon enfrenta críticas de varejistas online nos EUA após incluir produtos de terceiros em seu marketplace sem autorização explícita, por meio de novos recursos baseados em inteligência artificial (IA). A controvérsia envolve o Shop Direct e o Buy for Me (“Comprar para mim”), ferramentas em fase de testes no país e que permitem aos consumidores navegar e comprar itens de sites de outras marcas diretamente pela plataforma da Amazon.

Anunciado em fevereiro, o Shop Direct foi apresentado como uma forma de ampliar a oferta aos clientes, permitindo encontrar produtos que não estão disponíveis no site da companhia. Parte das listagens traz um botão que aciona um agente de IA capaz de concluir a compra em nome do consumidor em lojas externas. A iniciativa se soma à estratégia da Amazon de ampliar o peso de vendedores independentes, que hoje respondem por mais de 60% das vendas em sua operação de varejo.
Nas últimas semanas, no entanto, varejistas passaram a relatar que seus produtos foram listados sem consentimento. Postagens em redes sociais indicam casos de anúncios com itens inexistentes no portfólio das marcas ou fora de estoque.
Em nota, a Amazon afirma que o Shop Direct e o Buy for Me ajudam clientes a encontrar produtos fora do site, ao mesmo tempo em que permitem às empresas alcançar novos consumidores e ampliar vendas. A companhia diz ainda que os programas receberam feedback positivo e as marcas podem optar por não participar a qualquer momento, solicitando a remoção por e-mail. Segundo a empresa, as informações de produtos e preços são obtidas a partir de dados públicos dos sites das marcas, e o sistema verifica estoque e valores antes de exibir as ofertas.
A Amazon reforça ainda que o “Comprar para Mim” segue como um experimento, não existindo cobrança de comissão quando a ferramenta é utilizada. Em novembro, a companhia informou que o número de produtos disponíveis pelo serviço passou de 65 mil no lançamento para mais de 500 mil.
O movimento está inserido na estratégia mais ampla da Amazon de investir em agentes de comércio eletrônico, tecnologia que promete alterar como consumidores compram online. Empresas como OpenAI e Google também desenvolvem soluções semelhantes. A Perplexity, por exemplo, lançou funcionalidades que permitem compras diretamente em sua interface de chatbot.
Olho em segurança
Ao mesmo tempo em que cresce gradualmente na área, a Amazon também adota uma postura mais restritiva em relação à agentes de terceiros. A empresa bloqueou o acesso de diversos deles ao seu site e, em novembro, entrou com um processo contra a Perplexity, alegando que a startup teria ocultado seus agentes para continuar extraindo dados da plataforma sem autorização.
Em 2024, a Amazon anunciou o Rufus, seu próprio chatbot de compras, ampliando sua aposta em ferramentas de IA voltadas à experiência de compra e relacionamento com o consumidor.