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Americanas: relatório aponta fraudes nas demonstrações financeiras da diretoria de Gutierrez

Por: Júlia Rondinelli

Editora-chefe da redação do E-Commerce Brasil

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero e especialização em arte, literatura e filosofia pela PUC-RS. Atua no mercado de <nowrap>e-commerce</nowrap> desde 2018 com produção técnica de conteúdo e fomento à educação profissional do setor. Além do portal, é editora-chefe da revista E-Commerce Brasil.

Divulgado hoje, 13, relatório preliminar desenvolvido pelos assessores jurídicos que investigam o rombo da Americanas aponta fraudes nas demonstrações financeiras disponibilizadas pela diretoria do ex-presidente Miguel Gutierrez.

aba do site Americanas Marketplace com uma lupa
Imagem: Divulgação

A companhia diz que os documentos responsáveis pela investigação demonstram os esforços da antiga diretoria em ocultar do conselho de administração e do mercado a situação do patrimônio da empresa.

Além de Gutierrez, o relatório aponta outros executivos envolvidos no esquema, como Anna Saicali, José Timótheo de Barros, Márcio Cruz Meirelles, Fábio da Silva Abrate, Flávia Carneiro e Marcelo da Silva Nunes.

“Os documentos que deram origem ao relatório demonstram ainda os esforços da diretoria anterior das Americanas para ocultar do Conselho de Administração e do mercado em geral a real situação de resultado e patrimonial da companhia”, informa um trecho do fato relevante.

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O que diz o relatório

O documento informa que foram identificados diversos contratos de verba de propaganda cooperada e instrumentos similares, conhecidos como VPC, forjados para mascarar ou tentar melhorar os resultados operacionais da companhia. Não houve, no entanto, a efetiva contratação dos fornecedores para estes contratos.

Em números preliminares e não auditados, os lançamentos seriam responsáveis por um saldo de R$ 21,7 bilhões em setembro de 2022. Para dar continuidade ao caixa da empresa, a Americanas contratou financiamentos sem as aprovações societárias. O relatório aponta ainda que estes financiamentos não foram adequadamente contabilizados no balanço patrimonial da companhia.

“Esses contratos de VPC criados ao longo do tempo, os quais não tiveram lastro financeiro associado, se deram majoritariamente na forma de lançamentos redutores da conta de fornecedores, totalizando, em números preliminares e não auditados, o saldo de R$ 17,7 bilhões em 30 de setembro de 2022”, diz a nota. “A diferença de R$ 4 bilhões teve como contrapartida lançamentos contábeis em outras contas do ativo da companhia.”

Os financiamentos de compras (risco sacado, forfait ou confirming), em números preliminares e não auditados são responsáveis por um dividendo de R$ 18,4 bilhões. Já os financiamentos de capital de giro estão avaliados em R$ 2,2 bilhões.

Ainda de acordo com o relatório: “A indevida contabilização dessas operações de financiamento nos demonstrativos financeiros da Americanas não permitiu a correta determinação do grau de endividamento da companhia ao longo do tempo”.

“Também foram identificados lançamentos redutores da conta de fornecedores oriundos de juros sobre operações financeiras, que deveriam ter transitado pelo resultado da Companhia ao longo do tempo, totalizando, em números preliminares e não auditados, o saldo de R$ 3,6 bilhões em 30 de setembro de 2023”, consta no documento.

A Americanas acrescenta que o efeito desses ajustes nos resultados da companhia ao longo do tempo ainda está sendo apurado. Além disso, os ajustes contábeis derivados dos fenômenos encontrados podem estar sujeitos a alterações.

Com informações do Valor Econômico e Neofeed.