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Tendências sociais que devem moldar o futuro do e-commerce em 2026

Por: Mikhail Liu-i-Tian

Mikhail Liu-i-Tian é CEO da Flowwow Brasil, marketplace global de entrega de flores e presentes presente em mais de 1.400 cidades ao redor do mundo e em 17 estados brasileiros. Antes de assumir a operação brasileira, atuou como Chief Visionary Officer e Business Development Manager na Flowwow, com foco em expansão de mercado, estratégia de crescimento e parcerias. É formado pela Ammosov North-Eastern Federal University e possui experiência na condução de operações cross-border e de tecnologia aplicada a e-commerce.

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Pense na última vez em que você realmente foi influenciado a fazer uma compra.

Provavelmente não foi por um banner chamativo ou um anúncio aleatório. O mais provável é que tenha sido algo sutil, como um vídeo rápido de um criador de conteúdo ou uma marca que lembrou uma data importante na sua região.

Pessoa interagindo com notebook e ícones de curtidas.
Imagem: Envato.

Esse comportamento já aparece nos números. O TikTok tem ampliado o volume de compras dentro da plataforma, e o social commerce cresce também no Brasil. Uma pesquisa da Opinion Box mostra que 67% dos brasileiros já compraram algo que viram nas redes sociais. O e-commerce deixou de ser um momento único de decisão e virou um ecossistema de microescolhas que acontecem ao longo de dezenas de pontos de contato digitais.

A seguir, destacamos cinco movimentos sociais e tecnológicos que devem definir o futuro do comércio eletrônico em 2026.

Instabilidade virou rotina

Nos últimos anos, o varejo brasileiro tem enfrentado inflação, mudanças na cadeia de suprimentos e um consumidor mais cauteloso. O relatório Webshoppers, da NielsenIQ|Ebit, mostra que a confiança do consumidor flutua desde a pandemia, impulsionando um comportamento mais cuidadoso e racional nas compras.

Esse cenário força as empresas a priorizar sustentabilidade e resiliência em vez de crescimento a qualquer custo. Em momentos de instabilidade, a diversificação de canais de venda, o uso de automação para reduzir complexidade operacional e a otimização das cadeias logísticas tornam-se essenciais.

Retenção é a grande prioridade

O custo de aquisição de clientes cresce mais rápido que as margens. No Brasil, 42% das empresas afirmam que o CAC aumentou nos últimos anos. Na prática, grande parte desse investimento poderia ser otimizado com estratégias focadas em retenção, não apenas em mídia de performance.

A retenção depende de jornadas pós-compra, experiências personalizadas, comunidades e uso inteligente de IA. Quanto mais pessoal e relevante é a comunicação, maior o valor do cliente ao longo do tempo.

A busca agora começa na IA

O comportamento de busca está mudando rapidamente com a popularização de assistentes de IA. Em vez de pesquisar no estilo clássico, cada vez mais consumidores descrevem o que querem em prompts e recebem recomendações personalizadas.

Nos Estados Unidos, 64% dos consumidores dizem estar dispostos a comprar produtos sugeridos por IA. No Brasil, um levantamento da Associação Brasileira de Inteligência Artificial aponta que 58% dos consumidores já usaram IA generativa para buscar informações de produtos ou serviços.

A tendência fortalece o conceito de visibilidade em IA, equivalente ao SEO tradicional, mas com exigências diferentes. Para aparecer nas respostas de modelos de linguagem, empresas precisam estruturar dados de catálogo, revisar descrições e produzir conteúdo legível para sistemas de IA.

Social commerce e a nova jornada de compra

As redes sociais evoluíram para uma mistura de busca, entretenimento e compra. No Brasil, essa tendência é especialmente forte. O TikTok já supera 4,2 milhões de compradores ativos no país, segundo a própria plataforma, e o Instagram segue como fonte primária de descoberta de produtos (Meta Brasil, 2024).

A jornada acontece em um único ambiente. A pessoa vê um produto no feed, recebe uma confirmação social por meio de UGC ou um criador de conteúdo e finaliza a compra no próprio app. Campanhas tradicionais continuam funcionando, mas deixam espaço para a influência de microcriadores e conteúdos autênticos.

Enquanto caminhamos para 2026, o sucesso estará com as empresas que entendem seus consumidores e estão dispostas a se adaptar às mudanças, à instabilidade e às novas formas de descoberta. Mais do que buscar crescimento guiado apenas por dados, é hora de fazer com que as marcas se encaixem de forma orgânica na vida das pessoas.