Pense na última vez em que você realmente foi influenciado a fazer uma compra.
Provavelmente não foi por um banner chamativo ou um anúncio aleatório. O mais provável é que tenha sido algo sutil, como um vídeo rápido de um criador de conteúdo ou uma marca que lembrou uma data importante na sua região.

Esse comportamento já aparece nos números. O TikTok tem ampliado o volume de compras dentro da plataforma, e o social commerce cresce também no Brasil. Uma pesquisa da Opinion Box mostra que 67% dos brasileiros já compraram algo que viram nas redes sociais. O e-commerce deixou de ser um momento único de decisão e virou um ecossistema de microescolhas que acontecem ao longo de dezenas de pontos de contato digitais.
A seguir, destacamos cinco movimentos sociais e tecnológicos que devem definir o futuro do comércio eletrônico em 2026.
Instabilidade virou rotina
Nos últimos anos, o varejo brasileiro tem enfrentado inflação, mudanças na cadeia de suprimentos e um consumidor mais cauteloso. O relatório Webshoppers, da NielsenIQ|Ebit, mostra que a confiança do consumidor flutua desde a pandemia, impulsionando um comportamento mais cuidadoso e racional nas compras.
Esse cenário força as empresas a priorizar sustentabilidade e resiliência em vez de crescimento a qualquer custo. Em momentos de instabilidade, a diversificação de canais de venda, o uso de automação para reduzir complexidade operacional e a otimização das cadeias logísticas tornam-se essenciais.
Retenção é a grande prioridade
O custo de aquisição de clientes cresce mais rápido que as margens. No Brasil, 42% das empresas afirmam que o CAC aumentou nos últimos anos. Na prática, grande parte desse investimento poderia ser otimizado com estratégias focadas em retenção, não apenas em mídia de performance.
A retenção depende de jornadas pós-compra, experiências personalizadas, comunidades e uso inteligente de IA. Quanto mais pessoal e relevante é a comunicação, maior o valor do cliente ao longo do tempo.
A busca agora começa na IA
O comportamento de busca está mudando rapidamente com a popularização de assistentes de IA. Em vez de pesquisar no estilo clássico, cada vez mais consumidores descrevem o que querem em prompts e recebem recomendações personalizadas.
Nos Estados Unidos, 64% dos consumidores dizem estar dispostos a comprar produtos sugeridos por IA. No Brasil, um levantamento da Associação Brasileira de Inteligência Artificial aponta que 58% dos consumidores já usaram IA generativa para buscar informações de produtos ou serviços.
A tendência fortalece o conceito de visibilidade em IA, equivalente ao SEO tradicional, mas com exigências diferentes. Para aparecer nas respostas de modelos de linguagem, empresas precisam estruturar dados de catálogo, revisar descrições e produzir conteúdo legível para sistemas de IA.
Social commerce e a nova jornada de compra
As redes sociais evoluíram para uma mistura de busca, entretenimento e compra. No Brasil, essa tendência é especialmente forte. O TikTok já supera 4,2 milhões de compradores ativos no país, segundo a própria plataforma, e o Instagram segue como fonte primária de descoberta de produtos (Meta Brasil, 2024).
A jornada acontece em um único ambiente. A pessoa vê um produto no feed, recebe uma confirmação social por meio de UGC ou um criador de conteúdo e finaliza a compra no próprio app. Campanhas tradicionais continuam funcionando, mas deixam espaço para a influência de microcriadores e conteúdos autênticos.
Enquanto caminhamos para 2026, o sucesso estará com as empresas que entendem seus consumidores e estão dispostas a se adaptar às mudanças, à instabilidade e às novas formas de descoberta. Mais do que buscar crescimento guiado apenas por dados, é hora de fazer com que as marcas se encaixem de forma orgânica na vida das pessoas.