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O varejo que vence em 2026: tendências de negócios e estratégias reveladas na NRF 2026

Por: Daniel Pisano

Daniel Pisano é empreendedor e investidor em empresas de tecnologia. Chief Growth Officer da Vurdere, sócio-fundador e head de investimentos da 87Labs e CGO da Payloop, atua na interseção entre inovação, automação e transformação digital no varejo. Engenheiro mecânico formado pela Unicamp, tem experiência internacional e investe em startups de tecnologia no Brasil e na Europa.

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Realizada em Nova York, a NRF 2026: Retail’s Big Show reafirmou seu papel como o principal fórum global de debates sobre o varejo ao evidenciar uma mensagem central para líderes e empresários: o futuro do setor não se resume ao digital ou à tecnologia, mas passa por estratégias consistentes, focadas na geração de valor concreto para consumidores e negócios. Ao longo das discussões, ficou claro que o varejo atual ultrapassou a lógica do ponto de venda e assumiu a função de eixo de um ecossistema integrado de relacionamentos, dados e decisões que impactam toda a cadeia produtiva.

Tablet com “NRF 2026” em destaque sobre uma mesa, em ambiente de conferência desfocado e minimalista.
Imagem gerada por IA.

Em 2026, as empresas que conseguem traduzir tecnologia em vantagem competitiva estão indo além da adoção de ferramentas: elas estão redefinindo a forma como estruturam seus modelos de negócio. Uma das grandes tendências reafirmadas na NRF é a transição do discurso sobre inovação para a execução prática e rentável. A inteligência artificial, por exemplo, deixou de ser promessa e passou a se integrar à operação, impactando diretamente processos, canais e resultados. Os varejistas discutiram como algoritmos, automação e dados não são fins em si mesmos, mas instrumentos para gerar eficiência, reduzir custos e, especialmente, melhorar a experiência do cliente e a operação comercial.

Omnicanalidade e integração de canais

Outro ponto central do evento foi a evolução do retail media, o uso de canais de mídia próprios como uma linha de receita e ferramenta estratégica de marketing. Esse movimento transforma dados proprietários em vantagem competitiva ao conectar exposição, engajamento e conversão em uma única plataforma integrada. A estratégia de retail media não só amplia a monetização de audiências, mas também reforça o papel do varejista como parceiro de marcas em estratégias de comunicação e performance.

Paralelamente, a omnicalidade foi tratada não como conceito aspiracional, mas como prática operacional que exige coordenação de processos, dados e pessoas. Os consumidores não percebem mais canais distintos; eles enxergam uma única jornada, e qualquer ruptura entre físico e digital se traduz em fricção e perda de vendas. Para competir, as empresas precisam integrar inventários, unificar experiências e oferecer consistência em preço, oferta e atendimento em todos os pontos de contato.

Governança de dados e decision commerce

A NRF 2026 também marcou a consolidação do que muitos analistas estão chamando de “decision commerce”, um modelo em que a IA desempenha um papel ativo na jornada de compra, não apenas sugerindo produtos, mas facilitando decisões a partir de dados limpos, contexto e confiança construída entre marcas e consumidores. Nesse novo cenário, qualidade e governança de dados se tornam pilares estratégicos, pois são eles que alimentam algoritmos que recomendam, antecipam demandas e impulsionam conversões.

Finalmente, um tema transversal em todas as apresentações foi a necessidade de organizações orientadas por propósito, humanos e digitais ao mesmo tempo. A tecnologia pode ampliar capacidades, mas é a estratégia, alinhada ao comportamento do cliente e aos objetivos de negócio, que determina quem se destaca e quem fica para trás. Isso significa desenvolver um modelo de negócios resiliente, orientado por dados, centrado no cliente e capaz de responder rapidamente às mudanças do mercado, sem perder foco na criação de valor sustentável.

Em síntese, as tendências discutidas na NRF 2026 apontam um varejo que não apenas abraça a tecnologia, mas que a integra de forma estratégica nos modelos de negócio, com foco na experiência do cliente, na eficiência operacional e na geração de valor de longo prazo. Para as empresas que estão dispostas a transformar essas tendências em ações práticas, o futuro reserva novas oportunidades de crescimento, parceria e inovação sustentável.