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Você pode adiar as mudanças de 2026, mas não vai escapar delas

Por: Denise Marques

Denise Joaquim Marques é consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing, atua no desenvolvimento de líderes e de estratégias voltadas à alta performance comercial. Graduada em Secretariado Executivo Bilíngue e em Letras pela PUC-SP, possui MBA em Marketing pela FIA-FEA/USP e pós-graduação em Arteterapia Junguiana pela UNIP. Conta ainda com formações executivas em instituições como NYU, Columbia, Wharton e Northwestern. Atuou em multinacionais do setor MedTech, como Johnson & Johnson e LivaNova, e atualmente atua com consultoria estratégica, mentoria e treinamentos para líderes e empreendedores.

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Todo início de ano escancara uma verdade que muita gente prefere não encarar. Mudanças não pedem licença, não respeitam planejamento perfeito e não se adaptam ao nosso conforto. Elas simplesmente acontecem. Em 2026, não será diferente. O cenário global já deixa claro que os desafios não são pontuais nem passageiros, e fingir que seus impactos não alcançam os negócios é uma escolha arriscada, ainda que tentadora.

Escritório moderno ao entardecer, com notebook exibindo gráficos de crescimento sobre a mesa e duas pessoas ao fundo analisando dados em uma parede de vidro com vista para a cidade.
Imagem gerada por IA.

Entrar em 2026 com a mesma lógica comercial de 2025 não é sinal de estabilidade, é um movimento de exposição estratégica. É decidir operar no igual, repetindo fórmulas que já esgotaram como solução. Mais metas, mais cobrança e mais desconto passam a ser o plano, mesmo quando não existe sustentação real para o crescimento da operação. Os custos sobem, o lucro encolhe, o discurso perde força e o valor percebido desaparece. Não porque o mercado esteja difícil, mas porque ele está saturado de propostas parecidas ou “comoditizadas”.

Estratégias e riscos da continuidade sem adaptação

Quando não há diferenciação clara, qualquer contingência vira um terremoto. As vendas oscilam, o fluxo de caixa perde previsibilidade, o preço se transforma no principal argumento, a oferta de valor se esvazia como resultado da diminuição das margens. O cliente assume o controle da negociação, a equipe comercial trabalha sob pressão constante e a operação passa a rodar no limite, apagando incêndios em vez de construir futuro. Esse cenário costuma ser atribuído ao time de vendas, mas essa é uma leitura superficial e cômoda.

O problema raramente está apenas em vender. Ele está na ausência de visão estratégica, na lentidão para rever e adaptar processos a um ambiente mutável e em modelos comerciais que não acompanham a complexidade do mercado atual. Empresas que atravessam ciclos econômicos com solidez não fazem isso por sorte. Elas observam com atenção o próprio posicionamento, investem em lideranças comerciais preparadas e atualizadas e constroem sistemas de vendas capazes de sustentar valor, inovação e consistência, mesmo em contextos muito desafiadores.

Visão estratégica como diferencial competitivo

Mudanças sempre foram e serão inevitáveis. É possível adiá-las por um tempo, mascarar seus efeitos ou fingir que ainda não chegaram, mas ignorá-las não é uma estratégia viável. O custo dessa escolha costuma aparecer rapidamente e, quase sempre, quando já não há espaço para improviso.