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O algoritmo matou o ‘pular anúncio’

Por: Ewerton Mokarzel

Ewerton Mokarzel é designer e executivo com mais de 25 anos de experiência em branding. CEO e sócio da FutureBrand, lidera projetos de transformação para grandes empresas no Brasil e no exterior, com passagens pela Austrália e Singapura. Reconhecido por unir estratégia e execução criativa, conquistou mais de 250 prêmios nacionais e internacionais, incluindo os mais importantes do setor, e consolidou a FutureBrand como a maior consultoria de marcas do país e uma das líderes globais. Ao longo da carreira, já trabalhou com empresas como Grupo Boticário, Santander, Nestlé, Hering, BTG Pactual, Track&Field, Localiza, Banco do Brasil, Porto Seguro, JBS, Nespresso, entre outras.

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Você não entra para comprar. Entra para passar o tempo. Em três movimentos, sai com um carrinho que não existia um minuto antes. O vídeo segura a atenção, o creator empresta credibilidade, o checkout nativo conclui a compra. É assim que o shoppertainment empurra o e-commerce para um lugar onde a busca perde protagonismo e a descoberta passa a orientar a conversão.

Smartphone em primeiro plano com a palavra “shoppertainment” na tela e ícones de play, carrinho e pagamento, sobre uma mesa com objetos de consumo e pessoa desfocada ao fundo.
Imagem gerada por IA.

Nesse novo cenário, a disputa não acontece entre marcas. Ela acontece entre sinais que o algoritmo lê e recompensa. Não se trata de publicidade intrusiva, mas de uma experiência de compra nativa do formato, validada pelo creator e impulsionada por um algoritmo que antecipa preferências.

Jornada dentro do entretenimento

Por anos, o funil de vendas foi um dogma: descoberta, consideração, intenção, compra. Um processo linear, previsível e entediante. O TikTok Shop, que desembarcou oficialmente no Brasil em maio de 2025, não apenas encurtou esse funil; substituiu-o por um fluxo contínuo. Seu lançamento por aqui foi considerado um dos melhores globalmente e integrou descoberta, decisão e pagamento no único ambiente. Sem redirecionamento, sem quebra de atenção.

Em cinco meses, a receita média diária (GMV) cresceu 26 vezes; houve aumento de 11 vezes no número de vendedores e 12 vezes no de criadores que efetivamente venderam. A projeção de que o TikTok Shop movimente R$ 39 bilhões no país até 2028 não é apenas um número; consolida o shoppertainment como motor de crescimento do e-commerce.

O novo e-commerce em escala

No terceiro trimestre de 2025, o TikTok Shop movimentou cerca de US$ 19 bilhões em GMV global, com 4 a 4,5 bilhões nos Estados Unidos no mesmo período, aproximando-se do volume do eBay. Na Black Friday americana de 2024, o Shop passou de US$ 100 milhões em um único dia; um ano depois, somou mais de US$ 500 milhões entre a sexta e a Cyber Monday.

Nos Estados Unidos, a plataforma foi uma das marcas que mais cresceram em 2025 e projeta-se que possa superar a Target em volume de e-commerce até 2026. A eMarketer estima US$ 15,82 bilhões em vendas do TikTok Shop nos EUA em 2025, cerca de 18,2% de todo o social commerce do país, com o setor superando US$ 100 bilhões em 2026.

A inversão do poder

Nos últimos anos, vimos marcas virar creators e creators virar marcas. Quando a SKIMS atinge valuation de US$ 5 bilhões e projeta bilhões em receita, fica claro que influência operada com eficiência escala, e o Brasil, um dos mercados mais efervescentes da creator economy, segue sendo terreno fértil para essa disrupção. O programa de afiliados não é ação isolada; é a força de vendas nativa da plataforma. A marca define regras por produto, comissões e briefing aberto ou fechado. O criador direciona a venda pelo link e a operação financeira permanece centralizada no ambiente do Shop.

O TikTok Shop opera com indicadores de integridade que afetam visibilidade, elegibilidade para campanhas e até limites de pedido. A métrica de saúde de conta usa uma escala numérica dinâmica e reflete violações nos últimos meses. Materiais da TikTok Academy explicam a lógica de pontuação, além de métricas operacionais como taxa de cancelamento por culpa do vendedor, que precisa se manter baixa para evitar punições e perda de tráfego.

O e-commerce que cresce em 2026

Como manter a solidez e essência da marca em um ecossistema que valoriza a espontaneidade e o timing do creator? A marca precisa emprestar sua estrutura e gestão para uma rede cada vez maior de creators, enquanto absorve a autenticidade e a confiança que eles construíram com a audiência. O conteúdo brand safe nunca foi tão complexo. O criador de conteúdo não é mais um mero veículo de mídia; ele é um canal de distribuição e um ponto de construção da marca.

O ambiente do TikTok Shop é de performance intensa: lives de horas, ofertas relâmpago e pressão constante por conversão imediata. A Riachuelo entrou com cinco mil itens e estratégia de lives, afiliados e conteúdo proprietário. A Granado estreou o Super Brand Day com quase 300 mil espectadores e mais de 18 mil produtos vendidos.

O futuro do e-commerce não é uma página mais rápida. É uma história melhor. O consumidor quer sentir que faz parte de algo antes de apertar o botão de comprar.