As projeções para o e-commerce brasileiro em 2026 reforçam um cenário já perceptível no varejo digital, como o crescimento que continuará consistente e cada vez mais condicionado à capacidade das marcas de se adaptarem as novas dinâmicas de consumo.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom), o setor pode avançar cerca de 10% em relação a 2025, alcançando um faturamento estimado em R$ 258,40 bilhões. Já o número de compradores online terá incremento de 2,5% e atingirá a marca de 96,87 milhões de pessoas, enquanto o montante de pedidos deve chegar à casa dos 457,38 milhões, com avanço de 5%. E o tíquete médio deve ter crescimento de 4,7% e alcançar R$ 564,96.
Consumidor e jornadas omnichannel
Em paralelo a esse movimento de expansão, o estudo “E-Consumidor 2026”, conduzido pela Nuvemshop em parceria com a Opinion Box, mostra que há uma crescente predisposição do consumidor para transitar por múltiplas plataformas em suas jornadas de compra, integrando marketplaces e mídias sociais para comparar preços, produtos e serviços.
Esses indicadores, quando analisados em conjunto, apontam para uma tendência que precisa ser considerada pelos varejistas online: o crescimento do setor está atrelado ao uso de novos recursos e estratégias, que envolvam canais diversos para direcionar o consumidor para suas plataformas proprietárias e assegurar uma experiência de compra caracterizada por agilidade, segurança, confiabilidade e valor agregado.
Protagonismo dos marketplaces e fatores de conversão
Outro dado importante do estudo é que os marketplaces são vistos como hubs de consumo digital, sendo a primeira escolha para 70% da base de clientes. Isso mostra que esse protagonismo é balizado por métricas de valor percebido e conveniência operacional: 57% dos consumidores citam a competitividade de preços como o principal driver de atração, enquanto 55,3% destacam a usabilidade da navegação e a eficiência do checkout como fatores críticos de conversão.
Além disso, chama atenção a hierarquia de atrativos no processo decisório de compra. O frete grátis, por exemplo, mantém sua liderança, citado por 67,4% dos consumidores. No entanto, os programas de benefícios e pontuações surgem em segundo lugar, alcançando 32,8% da relevância, superando descontos diretos (32,7%) e o mecanismo de cashback (24,8%).
Somado a isso, o relatório indica que 46,4% dos clientes priorizam o retorno às lojas oficiais pela experiência personalizada. Essa tendência consolida a estratégia dos programas como ferramentas que transformam o benefício em um pilar de confiança para a compra direta.
Nesse cenário, a capacidade das marcas de construir relações de longo prazo com seus consumidores ganha ainda mais importância. Proposições de valor que ultrapassam a lógica da precificação tornam-se centrais para a competitividade no ambiente digital. Esses mecanismos de engajamento e programas de benefícios são essenciais para alavancar o poder de compra do consumidor e para a viabilidade dos modelos Direct to Consumer (D2C) nesse novo ambiente competitivo.