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Mobile first: o modelo deve ser priorizado pelo e-commerce

Por: Gustavo Chapchap

Graduado em Marketing com especialização em Gestão de Projetos, trabalha com comunicação há mais de 20 anos e com <nowrap>e-commerce</nowrap> desde 2006. Redigiu o projeto que originou o Dia do Profissional Digital #404DigitalDay aprovado no plenário da Câmara Municipal da Cidade de São Paulo em 2014. Colaborou com o lançamento do Guia de e-Commerce ABRADi-SP Sebrae-SP escrevendo o capítulo de plataformas, atua como CMO na JET. Em 2019 foi premiado como MVP no Fórum E-Commerce Brasil.

Há alguns anos, o aparelho celular tornou-se o principal meio de acesso à internet, o que passou a exigir mais atenção das operações de e-commerce. Afinal, se as pessoas estão o tempo todo conectadas à web via mobile, é compreensível que realizem suas pesquisas de produtos e de preço nos dispositivos móveis, assim como as compras.

No meio dessa transformação, uma mudança importante: não basta mais ter sistemas de venda responsivos (que se adaptem aos vários equipamentos). O ideal é investir em plataformas mobile first. Nesse caso, todos os recursos devem ser pensados para o aparelho celular, privilegiando a experiência do usuário nesse tipo de tela.

Um aspecto interessante de ser analisado é que o comportamento mobile-only, no Brasil, predomina sobre os demais.

Simplicidade no processo de compra, favorecendo a comodidade do usuário, é um dos principais atrativos das compras via aparelho celular, além da instantaneidade.

Estudo divulgado recentemente pela ComScore evidencia essa situação. Os dados de junho de 2023 indicam que nossos índices, aliás, são bem diferentes de outros países.

No Brasil, 68% das pessoas dão preferência ao celular – 7% desktop e 25% combinam os dispositivos (é o chamado multiplataform). Nesse quesito, ficamos à frente de apenas três países: Índia (78% para o mobile-only), Vietnã (83%) e Indonésia (88%).

Na outra ponta do ranking, onde estão os países nos quais há o predomínio do multiplataform, aparecem Alemanha, Finlândia e Noruega. Nesses locais, mobile-only registra índices de 7%, 10% e 14%.

Uma série de razões justificam esse comportamento do consumidor, mas vale enfatizar que, no caso do Brasil, essa situação está relacionada ao fato de boa parte da população não ter nem passado pelo desktop em seu processo de digitalização.

Social media: a prioridade é o celular

O estudo da ComScore também confirma que social media tornou-se uma atividade mobile first. Para se ter ideia, a média diária de minutos por usuários únicos nas plataformas apresenta a seguinte proporção: dois para o desktop e 51 para o mobile.

Refletindo sobre a situação do e-commerce, não podemos ignorar a importância dessas plataformas e a necessidade de garantir que o usuário não tenha problemas ao transitar desses locais para o ambiente da loja.

Apesar dos esforços das operações para simplificar cada vez mais a navegação, esse é um ponto que ainda exige mais atenção. E, muito provavelmente, terão mais sucesso as lojas que optarem por sistemas de vendas mobile first.

No dia a dia, isso significa que todo o processo está devidamente adequado para favorecer a jornada de compra, da busca de produtos ao checkout. Com menos recursos e numa tela menor, não faz sentido se exigir que o consumidor preencha extensos cadastros para finalizar sua compra.

E, nesse ambiente, a possibilidade do login social, por exemplo, não pode ser vista como um mero detalhe. É uma funcionalidade que pode fazer muita diferença na decisão do cliente.

Ter uma jornada de compra sem atrito é hoje um aspecto fundamental para o sucesso das lojas virtuais e, considerando a situação atual do mercado, isso passa pela necessidade de priorizar o celular.

Quais são as preferências dos clientes no m-commerce?

Os dados da edição de setembro de 2023 do relatório sobre Pagamentos Móveis e Comércio Móvel no Brasil, da Mobile Time e Opinion Box, traz outros insights importantes sobre o comportamento dos consumidores nesse ambiente:

– 95% dos entrevistados declararam que já encomendaram mercadoria por meio de um aplicativo ou site no smartphone;
– 83% da amostra realizaram alguma compra no celular nos últimos 30 dias;
– sobre a frequência de compras, 44% fazem esse tipo de compra algumas vezes ao mês; 28%, algumas vezes por ano; e 15%, algumas vezes por semana;
– e um dado que mostra que o comportamento de compra mobile-only tem se acentuado: 81% dos entrevistados declararam que compram mais hoje pelo celular do que há seis meses.
– confirmando a importância dos dispositivos móveis para o e-commerce, a pesquisa indica ainda que 82% realizam compras de produtos e serviços com mais frequência pelo smartphone – 18% indicara o computador.
– quando se analisa o comportamento dos clientes que fazem compra pelo celular, chama a atenção a relevância conquistada pelos aplicativos de mensagens. Nesse estudo, 61% declararam já ter comprado pelo WhatsApp; 49%, pelo Instagram; e 29%, pelo Messenger.
– detalhe importante e que merece a atenção dos gestores de e-commerce: o Instagram foi a plataforma social e de mensageria que registrou o maior crescimento na sua utilização para compras.
– com relação aos meios de pagamentos, o cartão de crédito ainda lidera como o preferido no mobile, mas caiu de 70% para 67%. E as carteiras digitais baixaram de 5% para 3%. Hoje, o Pix é indicado como o meio mais utilizado por 27% dos consumidores móveis nacionais. Isso decorre da sua integração dentro de vários apps de m-commerce, com a facilidade de copiar o código para rápido pagamento.

Como manter-se relevante no m-commerce?

A consolidação do m-commerce coloca novos desafios para as lojas virtuais, mas o principal é investir no aprimoramento da experiência do usuário.

Como citamos no início, o que está em debate não é mais a questão da responsividade, e sim a urgência de atuar com plataformas de e-commerce mobile first.

Para quem não priorizar isso, estamos falando de algo que deve impactar negativamente as vendas atuais e, claro, os resultados de longo prazo.

O consumidor hoje tem muitas possibilidades e são bem reduzidas as chances de a pessoa resolver trocar de dispositivo. O mais provável é que ele opte por uma marca que facilite a compra via celular.

E, como vimos, no caso do Brasil, essa questão é ainda mais urgente, uma vez que boa parte da população nem tem acesso ao computador.

Simplicidade no processo de compra, favorecendo a comodidade do usuário, é um dos principais atrativos das compras via aparelho celular. Outro aspecto fundamental é a instantaneidade. Aplicativos como o WhatsApp alteraram a forma como as pessoas se comunicam e, ao se relacionar com as marcas, o cliente adota o mesmo nível de exigência.