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Menos hype, mais execução o que realmente vai diferenciar o varejo em 2026

Por: Maurício Trezub

CEO na OmniChat

Com mais de 20 anos de experiência no varejo brasileiro como investidor, Mauricio Trezub é empresário e executivo de tecnologia e um dos maiores especialistas em chat-commerce do Brasil, fundador da OmniChat.

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Nos últimos meses, uma pergunta tem aparecido com frequência nas conversas com líderes do varejo: o que, de fato, esperar de 2026? A resposta curta é simples menos discurso sobre tendências e mais capacidade de execução. Mas a resposta completa passa por mudanças estruturais que já estão em curso e que, em breve, vão separar quem cresce de quem apenas reage.

Ambiente de varejo futurista com integração entre loja física e digital, uso de inteligência artificial, dados e retail media para criar uma experiência omnichannel.
Imagem gerada por IA.

O varejo entra em 2026 mais pressionado, mais competitivo e mais consciente de que tecnologia, sozinha, não resolve. O que muda não é apenas o o que se adota, mas como essas escolhas são feitas e integradas ao negócio. Alguns sinais já são claros e merecem atenção imediata.

IA e dados deixam de ser promessa e passam a ser infraestrutura

A inteligência artificial deixa de ocupar o lugar do experimento para assumir um papel estrutural na jornada de consumo. Não se trata mais de usar tecnologia para impressionar, mas para tomar decisões melhores: entender comportamento, antecipar necessidades, recomendar com contexto e operar com mais eficiência. Em 2026, dados e IA não são diferenciais, são o motor invisível por trás de experiências relevantes.

O omnichannel amadurece e o canal desaparece

A discussão deixa de ser sobre presença em múltiplos canais e passa a ser sobre continuidade. Para o consumidor, a fronteira entre físico e digital praticamente não existe mais. Ele espera contexto, histórico e fluidez, independentemente do ponto de contato. Marcas que ainda operam canais como silos tendem a gerar fricção. As que integram visão, dados e operação entregam experiências mais naturais.

Simplicidade e propósito ganham valor real

Em um cenário de excesso de estímulos, menos ruído passa a ser uma escolha estratégica. O consumidor valoriza marcas que respeitam seu tempo, sua atenção e suas decisões. Clareza na comunicação, experiências simples e coerência entre discurso e prática se tornam ativos competitivos. Não é sobre fazer mais, mas sobre fazer melhor.

Retail media se consolida como alavanca de receita

Os dados próprios das marcas passam a ocupar um novo papel: o de ativo de monetização. O varejo amplia sua atuação para além da venda do produto, criando novas frentes de receita baseadas em inteligência de audiência, relevância e contexto. Essa evolução exige maturidade em governança de dados e clareza sobre limites e valor gerado.

Confiança e transparência deixam de ser discurso

Em um ambiente cada vez mais orientado por dados, confiança não é opcional. Privacidade, uso responsável da informação e comunicação clara se transformam em vantagem competitiva. Marcas que não tratam esses temas de forma consistente tendem a perder relevância e credibilidade – e recuperá-las custa caro.

O varejo de 2026 será mais digital, sem dúvida. Mas, sobretudo, será mais inteligente, integrado e conectado à vida real das pessoas. O grande desafio – e também a maior oportunidade – está em transformar esses sinais em decisões práticas agora, e não quando o mercado já tiver se movido.

No fim, não vence quem fala mais sobre o futuro, mas quem constrói operações capazes de sustentá-lo.