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Impacto global do teto de juros nos cartões

Por: Juarez Borges Filho

Executivo com 20 anos de experiência no mercado financeiro e passagem por bancos de investimento como Merrill Lynch, HSBC e Goldman Sachs, além de ter estado à frente da diretoria do PayPal Brasil.

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A discussão sobre o custo do crédito no cartão voltou ao centro do debate global após o ex-presidente Donald Trump defender a criação de um teto de 10% ao ano para os juros do cartão de crédito nos Estados Unidos, ainda que por um período temporário.

Cartão de crédito, moedas e calculadora marcando 440% ao lado de um celular com Pix e BNPL, com carrinho de compras e globo ao fundo.
Imagem gerada por IA.

Embora a proposta esteja inserida em um contexto político e econômico específico, ela reacende uma discussão que é especialmente sensível em países como o Brasil, onde o custo do crédito no cartão segue entre os mais altos do mundo.

No Brasil, segundo dados do Banco Central, os juros do crédito rotativo ultrapassaram 440% ao ano em 2025, mesmo após a implementação da regra que limita o crescimento da dívida total ao valor original da fatura, em vigor desde janeiro de 2024. Isso mostra que, apesar dos avanços regulatórios, o cartão de crédito continua sendo uma das formas mais caras de financiamento para o consumidor.

Esse cenário cria pressão não apenas sobre o consumidor final, mas também sobre o varejo. Juros elevados reduzem o poder de compra, afetam taxas de conversão, aumentam abandono de carrinho e tornam o parcelamento tradicional menos eficiente como ferramenta de venda.

O impacto dos juros altos no checkout

É nesse contexto que o debate internacional sobre tetos de juros ganha relevância no Brasil, não necessariamente como uma proposta regulatória imediata, mas como um gatilho para repensar o modelo de acesso ao crédito e os meios de pagamento disponíveis no checkout.

Para a Checkout.com, o movimento reforça uma tendência já clara no varejo global: a busca por alternativas digitais mais eficientes e com menor custo, como carteiras digitais, modelos estruturados de parcelamento e soluções de Buy Now, Pay Later (BNPL).

Essas alternativas permitem oferecer crédito de forma mais transparente, com risco melhor precificado e menor dependência do crédito rotativo tradicional. Além disso, estratégias de orquestração de pagamentos, que combinam diferentes métodos, adquirentes e regras de roteamento inteligente, ajudam o varejo a aumentar taxas de aprovação, reduzir falhas e equilibrar custos operacionais.

Pix, inovação e transformação do modelo de crédito

Outro fator que acelera essa transformação no Brasil é a evolução do Pix, que avança para modelos de recorrência e parcelamento, ampliando a competição com o cartão em determinadas jornadas de pagamento, especialmente no ambiente digital.

O debate sobre um teto de juros, portanto, vai além da taxa em si. Ele aponta para uma mudança estrutural: o checkout deixa de ser apenas um ponto de pagamento e passa a ser uma alavanca estratégica de crescimento, eficiência e experiência do consumidor.

Nesse novo cenário, empresas que oferecem múltiplas opções de pagamento, combinadas com tecnologia, dados e gestão de risco, tendem a sair na frente em um mercado cada vez mais sensível a custo, conversão e previsibilidade.