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Dados comportamentais: o caminho para melhorar a experiência no varejo

Por: Davi Iglesias

- CEO da Gendo; - Formado em Gestão de reder de computadores, TI pela Anhembi Morumbi; - Product Manager na Locaweb de 2000 até 2008; - Product Manager na UOL Host de 2009 até 2014.

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Durante muito tempo, o varejo acreditou que coletar dados bastava para entender o consumidor. Hoje, esse modelo já não funciona. O volume de informações disponíveis cresceu, mas o principal desafio passou a ser outro: transformar dados em ações práticas que melhorem a experiência do cliente no dia a dia. Sem esse movimento, a personalização se torna superficial, lenta e pouco eficiente.

Notebook aberto sobre uma mesa, com gráficos na tela e ícones ao redor conectados por linhas.
Imagem gerada por IA.

Na prática, muitas empresas até registram informações sobre compras, atendimentos e interações, mas não conseguem utilizá-las de forma estruturada. Os dados ficam presos em relatórios ou sistemas isolados, sem gerar impacto real na jornada do consumidor e apoiar decisões estratégicas.

Entendendo os dados comportamentais como vantagem competitiva

Quando o objetivo é entender o consumidor, os dados mais estratégicos não são apenas os de perfil, mas, principalmente, os de comportamento. Informações como recorrência de compra, frequência de visitas, horários preferidos, serviços ou produtos mais consumidos, interações em canais digitais e respostas a campanhas revelam padrões muito mais úteis para a tomada de decisão.

No ambiente físico, esses sinais aparecem no intervalo entre visitas, no tipo de consumo e na regularidade do retorno. No digital, são cliques, mensagens, agendamentos, abandono de processos e engajamento em comunicações. Quando analisados em conjunto, esses dados ajudam a identificar tendências com antecedência e permitem ajustar atendimento, ofertas e comunicação com mais precisão.

Quando bem utilizados, os impactos são diretos. O atendimento se torna mais relevante, as ofertas chegam no momento certo e a comunicação passa a dialogar com o contexto real do consumidor. Isso aumenta a taxa de conversão, estimula a recompra e fortalece o relacionamento.

Mesmo com mais acesso à informação, muitos varejistas ainda cometem erros que limitam o potencial da personalização. Um dos mais frequentes é coletar dados sem um objetivo claro de uso, acumulando informações que não se transformam em decisão. Outro problema recorrente é a fragmentação: dados espalhados em diferentes sistemas que não se conectam, dificultando a construção de uma visão única do cliente.

Do dado ao insight: superar práticas reativas

Também é comum usar dados apenas de forma reativa, olhando para o passado em vez de identificar padrões para antecipar comportamento. Além disso, muitas iniciativas de personalização acabam sendo genéricas, desconsiderando contexto, momento e intenção do consumidor, o que reduz a efetividade das ações.

Para que os dados saiam do papel, o varejo precisa ir além de sistemas de armazenamento. Ferramentas de inteligência artificial e análise avançada ajudam a transformar números em recomendações práticas. Assim, a tecnologia deixa de ser apenas um repositório e passa a apoiar decisões em tempo real.

O uso responsável dos dados também é parte central da experiência moderna. Personalizar não significa coletar tudo, mas utilizar apenas as informações necessárias para melhorar o atendimento, sempre com transparência, consentimento e segurança. Quando a tecnologia é bem estruturada, é possível equilibrar personalização e privacidade sem comprometer a confiança do consumidor.

Existem sinais claros de que a estratégia orientada por dados está funcionando. Aumento da taxa de retorno, maior frequência de compra, redução de faltas e cancelamentos, crescimento do ticket médio e melhora no tempo de resposta indicam uma experiência mais alinhada às expectativas do público.

No fim, marcas que não desenvolvem uma cultura orientada por dados passam a operar no escuro. Tomam decisões baseadas em percepção, perdem eficiência, desperdiçam oportunidades de venda e reagem mais lentamente às mudanças do mercado. Já aquelas que conseguem transformar dados comportamentais em ações práticas constroem experiências mais relevantes, antecipam demandas e estabelecem relacionamentos mais duradouros com seus clientes.