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Human Premium: por que o toque humano virou vantagem competitiva no varejo

Por: Lourival Júnior

Diretor de Ongoing e Comercial

Lourival Júnior é cofundador e Growth Leader da Lope Digital Commerce, empresa integrante do Grupo TTX especializada em transformação digital e gestão completa e integrada de operações e-commerce. Com 25 anos de carreira, sendo 13 dedicados à liderança e ao desenvolvimento de pessoas, construiu sua trajetória em empresas de diferentes portes e perfis, de multinacionais a startups, com atuação no varejo de bens e serviços. Possui sólida experiência nas áreas comercial, marketing, desenvolvimento de negócios, planejamento e execução estratégica e, nos últimos anos, tem se dedicado à transformação digital de empresas, equipes e segmentos inteiros, com foco na integração eficiente entre os mundos online e offline.

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A automação se consolidou como base do varejo digital. Checkouts ágeis, atendimento mediado por sistemas, personalização por dados e jornadas fluidas já fazem parte do padrão esperado. A tecnologia cumpre seu papel ao reduzir fricções e escalar operações, embora também uniformize as experiências, tornando-as cada vez mais semelhantes. Mas, quando todas as lojas oferecem o mesmo nível de eficiência, onde reside o diferencial?

Mão humana e mão robótica se tocam pelas pontas dos dedos, com um leve brilho no ponto de contato, enquanto ao fundo desfocado aparece uma atendente de headset.
Imagem gerada por IA.

A máquina e o humano: diferentes papéis na jornada

O conceito de Human Premium surge quando a eficiência operacional deixa de ser vantagem competitiva e passa a ser apenas o pré-requisito. Resolver um problema com rapidez já não gera valor percebido por si só; o que importa agora é a qualidade da interação, especialmente nos momentos em que a jornada sai do previsto.

Enquanto sistemas operam com lógica e previsibilidade, pessoas agem com sensibilidade e leitura emocional. A máquina entrega respostas corretas, mas o humano interpreta o contexto, ajusta o tom da conversa e reconhece expectativas que não aparecem em nenhum fluxo programado. Essa diferença define a qualidade real da jornada e influencia diretamente a decisão de retorno do cliente.

Segundo o estudo CX Trends 2025, realizado pela Octadesk, os consumidores esperam ações claras para melhorar sua percepção de marca, com destaque para a resolução rápida de problemas (37%), ampliação das opções de frete (37%), cupons de desconto em compras futuras (33%) e redução do prazo de entrega (32%).

Por que o toque humano ainda importa

Esses dados mostram que a eficácia técnica é apenas o ponto de partida. Um sistema automatizado pode informar o status do pedido e indicar o prazo de resolução. Já o atendimento humano, ao reconhecer o impacto daquela falha, vai além: ele oferece um cupom de cortesia, um desconto na próxima compra ou até mesmo um mimo como gesto de reparação. O problema é o mesmo, mas o sentimento do cliente é transformado quando há demonstração de cuidado.

À medida que as interações se tornam mais padronizadas, a atenção genuína passa a ser percebida como algo raro e valioso. O consumidor busca a sensação de ser compreendido de verdade, e esse cuidado não escala da mesma forma que a tecnologia, tornando-se, justamente por isso, uma vantagem competitiva difícil de replicar.

Adotar o Human Premium significa usar a automação com propósito estratégico, liberando tempo e energia das equipes para atuarem onde realmente fazem diferença. O suporte deixa de ser visto apenas como custo operacional e passa a integrar a estratégia de construção de marca.

Empresas que avançam nessa direção investem em treinamento, autonomia e maturidade emocional das equipes, entendendo que relacionamento se constrói com interações consistentes e bem conduzidas ao longo do tempo.

Em um mercado no qual preço, prazo e sortimento tendem a se igualar, o Human Premium se destaca por não ser facilmente replicável. A tecnologia sustenta a operação. O humano sustenta a relação. É dessa combinação que nasce o valor duradouro no varejo digital.