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Branding semântico e GEO: as novas armas na disputa pela atenção do consumidor

Por: Rebecca Fischer

Chief Strategy Officer (CSO) de co-fundadora da Divibank

Chief Strategy Officer (CSO) de co-fundadora da Divibank, ela é formada pela Universidade de Georgetown e tem mais de 12 anos de experiência na indústria de marketing e publicidade. Iniciou sua carreira em 2008 como estagiária na Pinacoteca do Estado de São Paulo e, ao longo dos anos, ocupou Diretora de Sucesso do Cliente na Skai (antiga Kenshoo), onde atendeu clientes como Mercado Livre, Nubank e iFood. Em 2020, uniu-se a Jaime Taboada para fundar a Divibank, combinando sua expertise em marketing digital com a experiência financeira de Jaime.

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Os mecanismos de busca baseados em inteligência artificial estão se consolidando como a principal interface entre consumidores e marcas. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity deixaram de ser apenas assistentes de produtividade: tornaram-se filtros de confiança, que orientam milhões de decisões de compra todos os dias. Se antes a disputa pela atenção se concentrava no Google, agora ela se desloca para sistemas que não apenas listam links, mas constroem narrativas. E essa mudança redefine, de forma profunda, o que significa proteger a reputação de uma marca no ambiente digital.

Imagem futurista em azul e roxo com a frase “branding semântico e GEO”.
Imagem gerada por IA.

O ponto central é que os grandes modelos de linguagem não operam de forma neutra. Eles se alimentam de dados, conteúdos e percepções humanas, organizando essas informações em respostas que parecem definitivas para o usuário. Isso significa que qualquer dado desatualizado, incompleto ou incorreto sobre uma marca pode ser reproduzido e amplificado, moldando a percepção pública sem que o consumidor precise acessar o site oficial. Mais grave ainda: marcas que não aparecem nessas respostas simplesmente deixam de existir no radar do consumidor. Invisibilidade, nesse novo cenário, é sinônimo de irrelevância.

A nova fronteira do marketing digital

A gestão da reputação nesse contexto ocorre em duas camadas complementares. A primeira é a tecnológica, composta por elementos já conhecidos do marketing digital: SEO, dados estruturados, sinais de autoridade, avaliações e agora também o emergente campo da Generative Engine Optimization (GEO) – uma evolução do SEO voltada para influenciar diretamente a forma como modelos de IA apresentam informações. A segunda é a simbólica, menos técnica, mas igualmente decisiva: a relevância cultural e emocional que a marca ocupa no imaginário coletivo. Em outras palavras, os modelos de IA aprendem com aquilo que os humanos compartilham, discutem e valorizam. Quanto mais uma marca ocupa espaço na mente das pessoas, maior será sua presença também nas respostas das máquinas.

Presença e memória no ambiente digital

Esse movimento é o que alguns especialistas chamam de fenômeno “Mind-to-Machine”. A lógica é simples: quanto mais uma marca está presente nas conversas, maior a probabilidade de aparecer nas recomendações das inteligências artificiais. Não se trata apenas de dominar algoritmos, mas de cultivar uma presença simbólica consistente e relevante. Marcas que apostam exclusivamente na camada técnica e negligenciam o aspecto cultural terão dificuldade em sustentar sua visibilidade no longo prazo.

Por que isso importa? Porque o próprio conceito de busca está mudando. De acordo com dados recentes, 69% das pesquisas no Google já são classificadas como “zero-click”, ou seja, o usuário obtém sua resposta diretamente no buscador, sem acessar os sites originais. Com a popularização de recursos como o AI Overview, esse comportamento tende a se intensificar. Nesse modelo, se a inteligência artificial entrega uma informação equivocada ou incompleta sobre sua marca, não haverá segunda chance: o consumidor tomará aquela resposta como verdade.

Do site first ao AI first

É nesse cenário que surge a noção de branding semântico, uma metodologia que responde à necessidade de posicionar marcas em buscas cada vez mais específicas, granulares e mediadas por IA. Mais do que presença digital, trata-se de garantir clareza e consistência na forma como a marca é representada em múltiplos contextos – de uma base de dados estruturada até uma conversa em redes sociais ou fóruns.

Proteger a reputação em buscadores de IA, portanto, já não é uma escolha estratégica, mas uma questão de sobrevivência. As marcas precisam adotar monitoramento ativo para entender como estão sendo descritas e recomendadas por diferentes sistemas de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, devem investir em estratégias simbólicas que reforcem sua relevância cultural, já que o consumidor de hoje não compara apenas preços ou funcionalidades, ele busca marcas com significado.

Estamos diante de um ponto de inflexão. A transição do “site first” para o “AI first” exige que líderes de marketing repensem seus fundamentos. Se no passado a disputa estava em quem conquistava as primeiras posições no Google, o novo jogo é mais complexo: trata-se de quem será lembrado e recomendado – pelas máquinas. E, como em qualquer revolução tecnológica, quem se adiantar terá uma vantagem difícil de alcançar depois.