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A experiência mobile ainda é subestimada: o que ainda está sendo feito errado?

Por: Rodrigo Cursi de Carvalho

Co-CEO e CXO na FRN³

Rodrigo Cursi é Co-CEO, CXO (Chief Experience Officer) e co-fundador da FRN³, empresa especializada em desenvolvimento digital. Com formação em Design de Games e Gráfico e Pós-graduação em Design: Conceito e Aplicação, possui 15 anos de experiência nas áreas de User Interface (UI), User Experience (UX), branding, e-commerce e aplicativos. Ao longo de sua trajetória, atuou como Diretor de Arte e Criação, liderando projetos de diversos segmentos e tamanhos, com foco em soluções criativas e de alto impacto. Seu trabalho se destaca pelo gerenciamento de equipes criativas e squads especializados em mídia e desenvolvimento de projetos digitais. Atualmente, é especialista em UX e UI, com um portfólio robusto de mais de 500 projetos realizados.

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Vou direto ao ponto: ainda tem muita operação de e-commerce tratando o mobile como “o site que funciona no celular”. E isso é pouco. Bem pouco.

Mão segurando um smartphone com ícone de carrinho de compras e símbolos de e-commerce ao redor.
Imagem: Reprodução.

O problema não é falta de tecnologia, framework ou plataforma. É mentalidade. Mobile continua sendo visto como uma adaptação do desktop, quando, na prática, já deveria ser o centro da estratégia.

Quem está na linha de frente do e-commerce sabe: o celular virou o principal ponto de contato entre marca e consumidor. É ali que a jornada começa, avança, pausa, retoma… e, muitas vezes, morre. Não por falta de interesse, mas por fricção. Pequenas frustrações que, somadas, viram abandono.

Acesso é mobile. Resultado, nem sempre

Hoje, a maior parte do tráfego vem do mobile. Isso não é novidade para ninguém que acompanha o mercado. O curioso é que, mesmo assim, as taxas de conversão no celular continuam atrás do desktop em muitas operações. E não é por acaso.

Isso acontece porque ainda existe uma distância enorme entre acessar e comprar no mobile. O usuário entra, olha, compara… e desiste. Não porque o produto é ruim ou o preço está alto, mas porque a experiência cansa.

E quando o consumidor cansa, ele não reclama. Ele simplesmente fecha a aba.

Onde as coisas ainda dão errado

1. Mobile como “versão reduzida”

    Responsivo não é sinônimo de bem pensado. Vejo muitas lojas que apenas encaixam o layout desktop na tela pequena e chamam isso de mobile. Só que o comportamento muda completamente. O jeito de navegar, o tempo disponível, a atenção, tudo é diferente. Se a jornada não é redesenhada, o usuário sente.

    2. Performance que só existe no relatório

      Na prática, velocidade ainda é tratada como detalhe técnico, quando deveria ser prioridade de negócio. Página lenta no mobile mata conversão, piora SEO e aumenta custo de mídia. E o pior: muitas vezes o time só olha para isso quando o resultado já caiu.

      3. Checkout que parece castigo

        Formulário longo, campo que não abre o teclado certo, validação confusa, erro que não explica nada. No desktop, isso já é ruim. No celular, é fatal. Cada passo extra é uma desculpa para o usuário desistir… e ele desiste mesmo.

        4. Navegação sem empatia

          O usuário mobile está no meio do dia dele. Ele navega com uma mão, com notificações pipocando, com pouco tempo e menos paciência ainda. Se a navegação não for óbvia, rápida e sem atrito, a chance de perda é enorme.

          O problema não é pontual, é estrutural

          Quando a gente olha estudos mais aprofundados de UX mobile, o cenário fica claro: mesmo grandes e-commerces ainda entregam experiências medianas, para não dizer ruins, no celular. Isso mostra que o problema não está em uma funcionalidade específica, mas na forma como o mobile é priorizado (ou não) dentro das empresas.

          Enquanto isso, o impacto aparece direto nas métricas que realmente importam: abandono de carrinho, CAC mais alto, menor lifetime value e dificuldade de fidelização. Não adianta investir pesado em tráfego se o destino não está preparado para receber bem.

          Mobile precisa ser o ponto de partida

          Para quem já vende online e está buscando evolução real, a pergunta não deveria ser “nosso site funciona no mobile?”, mas sim: essa experiência foi pensada para quem compra pelo celular?

          Isso passa por decisões bem práticas:

          – texto legível, sem esforço
          – botões no lugar certo, fáceis de tocar
          – carregamento rápido de verdade
          – checkout simples, curto e confiável
          – análise constante de comportamento real, não só de dashboards

          Nada disso é tendência. É o básico bem feito, que ainda não é comum.

          No fim das contas, mobile não é mais um canal. É o ambiente onde o e-commerce acontece de forma mais crua, mais real e mais exigente.

          Quem continua subestimando isso, em 2026, não está ficando para trás por falta de inovação, está ficando para trás por insistir em decisões antigas.

          O futuro do e-commerce já está aí. Ele é móvel, impaciente e muito pouco tolerante a experiências ruins.