Vou direto ao ponto: ainda tem muita operação de e-commerce tratando o mobile como “o site que funciona no celular”. E isso é pouco. Bem pouco.

O problema não é falta de tecnologia, framework ou plataforma. É mentalidade. Mobile continua sendo visto como uma adaptação do desktop, quando, na prática, já deveria ser o centro da estratégia.
Quem está na linha de frente do e-commerce sabe: o celular virou o principal ponto de contato entre marca e consumidor. É ali que a jornada começa, avança, pausa, retoma… e, muitas vezes, morre. Não por falta de interesse, mas por fricção. Pequenas frustrações que, somadas, viram abandono.
Acesso é mobile. Resultado, nem sempre
Hoje, a maior parte do tráfego vem do mobile. Isso não é novidade para ninguém que acompanha o mercado. O curioso é que, mesmo assim, as taxas de conversão no celular continuam atrás do desktop em muitas operações. E não é por acaso.
Isso acontece porque ainda existe uma distância enorme entre acessar e comprar no mobile. O usuário entra, olha, compara… e desiste. Não porque o produto é ruim ou o preço está alto, mas porque a experiência cansa.
E quando o consumidor cansa, ele não reclama. Ele simplesmente fecha a aba.
Onde as coisas ainda dão errado
1. Mobile como “versão reduzida”
Responsivo não é sinônimo de bem pensado. Vejo muitas lojas que apenas encaixam o layout desktop na tela pequena e chamam isso de mobile. Só que o comportamento muda completamente. O jeito de navegar, o tempo disponível, a atenção, tudo é diferente. Se a jornada não é redesenhada, o usuário sente.
2. Performance que só existe no relatório
Na prática, velocidade ainda é tratada como detalhe técnico, quando deveria ser prioridade de negócio. Página lenta no mobile mata conversão, piora SEO e aumenta custo de mídia. E o pior: muitas vezes o time só olha para isso quando o resultado já caiu.
3. Checkout que parece castigo
Formulário longo, campo que não abre o teclado certo, validação confusa, erro que não explica nada. No desktop, isso já é ruim. No celular, é fatal. Cada passo extra é uma desculpa para o usuário desistir… e ele desiste mesmo.
4. Navegação sem empatia
O usuário mobile está no meio do dia dele. Ele navega com uma mão, com notificações pipocando, com pouco tempo e menos paciência ainda. Se a navegação não for óbvia, rápida e sem atrito, a chance de perda é enorme.
O problema não é pontual, é estrutural
Quando a gente olha estudos mais aprofundados de UX mobile, o cenário fica claro: mesmo grandes e-commerces ainda entregam experiências medianas, para não dizer ruins, no celular. Isso mostra que o problema não está em uma funcionalidade específica, mas na forma como o mobile é priorizado (ou não) dentro das empresas.
Enquanto isso, o impacto aparece direto nas métricas que realmente importam: abandono de carrinho, CAC mais alto, menor lifetime value e dificuldade de fidelização. Não adianta investir pesado em tráfego se o destino não está preparado para receber bem.
Mobile precisa ser o ponto de partida
Para quem já vende online e está buscando evolução real, a pergunta não deveria ser “nosso site funciona no mobile?”, mas sim: essa experiência foi pensada para quem compra pelo celular?
Isso passa por decisões bem práticas:
– texto legível, sem esforço
– botões no lugar certo, fáceis de tocar
– carregamento rápido de verdade
– checkout simples, curto e confiável
– análise constante de comportamento real, não só de dashboards
Nada disso é tendência. É o básico bem feito, que ainda não é comum.
No fim das contas, mobile não é mais um canal. É o ambiente onde o e-commerce acontece de forma mais crua, mais real e mais exigente.
Quem continua subestimando isso, em 2026, não está ficando para trás por falta de inovação, está ficando para trás por insistir em decisões antigas.
O futuro do e-commerce já está aí. Ele é móvel, impaciente e muito pouco tolerante a experiências ruins.