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Viral nas redes, perfumes árabes viram oportunidade de mercado no Brasil

Por: Amanda Lucio

Jornalista e Repórter do E-Commerce Brasil

Os perfumes árabes se consolidaram como um dos principais fenômenos do mercado de beleza no Brasil, impulsionando vendas, buscas online e operações de importação ao longo de 2025 e no início de 2026. O movimento, liderado por consumidores jovens e fortemente influenciado pelas redes sociais, transformou uma tendência digital em um novo vetor de crescimento para o setor.

(Imagem: Daria Liudnaya/Pexels)

Dados da Circana mostram que o segmento movimentou cerca de R$ 20 milhões em 2024 e registrou um avanço de 340% nas vendas no primeiro semestre de 2026, refletindo a rápida conversão do interesse online em consumo efetivo. Conteúdos virais em plataformas como TikTok e Instagram ajudaram a impulsionar o apelo desses produtos, especialmente pelas embalagens sofisticadas e pela proposta olfativa diferenciada.

A hashtag #perfumearabe já ultrapassa 86 mil publicações no TikTok. Fragrâncias como Lattafa Fakhar acumulam centenas de milhares de menções, com vídeos que superam 100 mil visualizações. Criadores de conteúdo e consumidores compartilham avaliações de fixação, comparações com perfumes importados tradicionais e experiências de uso, influenciando diretamente a decisão de compra.

Segundo Rodrigo Giraldelli, CEO da China Gate e especialista em importação e exportação, o caso ilustra como tendências culturais se convertem rapidamente em movimentos econômicos. “As redes sociais encurtaram o caminho entre o desejo e o consumo. Quando um produto viraliza, a demanda surge quase instantaneamente, impactando toda a cadeia, da indústria ao comércio exterior”, afirma.

Apesar da associação com o Oriente Médio, o termo “perfume árabe” se refere mais a um estilo olfativo do que à origem geográfica. Giraldelli destaca que hoje a China reúne fábricas qualificadas para produzir fragrâncias desse nicho, desde perfumes autorais até variações inspiradas em marcas internacionais. Nesse modelo, o maior valor agregado muitas vezes está no frasco e na embalagem, mais do que na composição do líquido em si.

A expansão do segmento também impõe desafios regulatórios. Todos os perfumes vendidos no Brasil precisam cumprir as exigências da Anvisa, e o processo de aprovação pode levar de três a seis meses. Segundo o executivo, isso exige planejamento por parte de importadores e varejistas. “Quem compra grandes volumes sem considerar o prazo regulatório corre o risco de ficar com estoque parado quando o pico de demanda passar”, alerta.

Oportunidade no mercado nacional

O cenário se assemelha a outros fenômenos recentes impulsionados pelas redes sociais, como o Labubu, Morango do Amor e Bobbie Goods, nos quais a demanda cresceu rapidamente e recuou com a mesma velocidade. Ainda assim, o avanço dos perfumes árabes já começa a influenciar estratégias de grandes marcas do setor. Empresas como O Boticário e Hinode passaram a incorporar produtos inspirados nesse estilo, reforçando o impacto do consumo digital nas decisões de portfólio e nas estratégias de mercado.

Com crescimento acelerado, forte presença nas redes sociais e reflexos diretos nas importações, os perfumes árabes deixaram de ser apenas uma tendência online e passaram a ocupar espaço relevante na economia da beleza no Brasil.