A abertura da edição de 10 anos do Web Summit em Lisboa deixou claro: o mercado de tecnologia global está passando por uma ruptura estrutural. Segundo Paddy Cosgrave, CEO e fundador do evento, a hegemonia tecnológica ocidental — especialmente no campo da Inteligência Artificial — está sendo substituída por modelos chineses abertos, gratuitos e escaláveis.
Essa mudança não é teórica: ela já se materializa em robôs humanoides avançados, modelos de IA open source de performance superior e plataformas de pagamento de custo zero.

De acordo com o executivo, no centro dessa transformação, duas forças se destacam:
- A ascensão da IA open source chinesa, capaz de competir diretamente com OpenAI, Anthropic e Google; e
- O Pix, sistema de pagamentos brasileiro que processa transações instantâneas sem tarifas, ameaçando todo o modelo de receita de empresas de adquirência e gateways.
O que isso significa para o e-commerce?
Empresas que dependem de cobrança por uso de IA (como a geração de imagem, copywriting, personalização) e as taxas de transação financeira enfrentarão concorrentes que oferecem o mesmo serviço a custo zero.
Dessa forma, o comércio eletrônico passa a viver um novo imperativo. O valor competitivo não está mais no acesso à tecnologia, mas na velocidade de implementação, experiência do cliente e diferenciação de marca.
Novas zonas de inovação
Cosgrave aponta um novo eixo global:
Pequim → São Paulo → Varsóvia ganham relevância, enquanto Vale do Silício → Londres → Berlim perde protagonismo relativo.
Para e-commerces, isso implica:
• Diagnosticar dependências de fornecedores proprietários;
• Considerar modelos open source para IA generativa e automação;
• Avaliar redes de pagamento alternativas ao modelo tradicional.
Conclusão
O futuro do comércio eletrônico será guiado não pelo quem tem acesso à tecnologia, mas por empresas que entregam experiência superior, reduzem atritos e operam com custos marginais próximos de zero.