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O fim do monopólio tech ocidental e o impacto direto no e-commerce global

Por: Tiago Baeta

Fundador do E-Commerce Brasil

Tiago Baeta é fundador do Grupo iMasters e do E-Commerce Brasil, Diretor da Escola Superior de E-Commerce, eleito empreendedor do ano do Brasil em 2009, é também professor da ESPM, membro de conselhos e curador/mentor de diversas iniciativas digitais do país.

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A abertura da edição de 10 anos do Web Summit em Lisboa deixou claro: o mercado de tecnologia global está passando por uma ruptura estrutural. Segundo Paddy Cosgrave, CEO e fundador do evento, a hegemonia tecnológica ocidental — especialmente no campo da Inteligência Artificial — está sendo substituída por modelos chineses abertos, gratuitos e escaláveis.

Essa mudança não é teórica: ela já se materializa em robôs humanoides avançados, modelos de IA open source de performance superior e plataformas de pagamento de custo zero.

Paddy Cosgrave, CEO e fundador do WebSummit em coletiva de imprensa para a abertura do evento em 2025, em Lisboa

De acordo com o executivo, no centro dessa transformação, duas forças se destacam:

  • A ascensão da IA open source chinesa, capaz de competir diretamente com OpenAI, Anthropic e Google; e
  • O Pix, sistema de pagamentos brasileiro que processa transações instantâneas sem tarifas, ameaçando todo o modelo de receita de empresas de adquirência e gateways.

O que isso significa para o e-commerce?

Empresas que dependem de cobrança por uso de IA (como a geração de imagem, copywriting, personalização) e as taxas de transação financeira enfrentarão concorrentes que oferecem o mesmo serviço a custo zero.

Dessa forma, o comércio eletrônico passa a viver um novo imperativo. O valor competitivo não está mais no acesso à tecnologia, mas na velocidade de implementação, experiência do cliente e diferenciação de marca.

Novas zonas de inovação

Cosgrave aponta um novo eixo global:

Pequim → São Paulo → Varsóvia ganham relevância, enquanto Vale do Silício → Londres → Berlim perde protagonismo relativo.

Para e-commerces, isso implica:
• Diagnosticar dependências de fornecedores proprietários;
• Considerar modelos open source para IA generativa e automação;
• Avaliar redes de pagamento alternativas ao modelo tradicional.

Conclusão

O futuro do comércio eletrônico será guiado não pelo quem tem acesso à tecnologia, mas por empresas que entregam experiência superior, reduzem atritos e operam com custos marginais próximos de zero.