A Natura Cosmetics deu o passo final em sua estratégia de simplificação operacional ao anunciar, na quinta-feira (19), a venda das operações da Avon na Rússia para o Grupo Arnest. A transação, realizada por meio da subsidiária Avon Netherlands Holdings II B.V., foi fechada em aproximadamente € 26,9 milhões (cerca de R$ 165,5 milhões). Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os recursos já foram integralmente recebidos pela companhia.

O movimento consolida a decisão da Natura de otimizar sua estrutura global, concentrando esforços e investimentos nos mercados da América Latina. Esta venda ocorre após uma série de desinvestimentos estratégicos realizados no final de 2025, que incluíram a alienação da Avon na América Central e República Dominicana (Avon CARD) para o Grupo PDC, além da venda da holding Avon Internacional para a gestora de investimentos Regent.
Reestruturação e foco no Brasil
Com a conclusão da saída de mercados internacionais menos estratégicos, a Natura redireciona seu capital intelectual e financeiro para fortalecer suas marcas principais no continente sul-americano. O CEO da companhia, João Paulo Ferreira, já sinalizou que a prioridade imediata é o relançamento da Avon no Brasil, previsto para ocorrer ainda neste primeiro semestre de 2026.
Essa repaginação não será apenas estética; o plano inclui uma revisão completa do portfólio de produtos para alinhar a Avon aos novos hábitos de consumo e às sinergias operacionais com a marca Natura. A ideia é aproveitar a robusta rede de consultoras e a capilaridade logística da empresa para recuperar a relevância da Avon em categorias de alto volume.
Otimização e valor de mercado
A série de vendas de subsidiárias internacionais foi descrita pela empresa como um “marco importante” no compromisso de reduzir a complexidade do negócio e melhorar a rentabilidade. Ao se desfazer de operações com desafios logísticos ou geopolíticos complexos, como a unidade russa, a Natura busca entregar um balanço mais limpo e focado em regiões onde já detém liderança de mercado e maior potencial de margem.
Para analistas do setor, a estratégia de “voltar às origens” latino-americanas é vista como um movimento de proteção e eficiência. Agora, o mercado aguarda os resultados da integração final das operações e como o novo portfólio da Avon será recebido pelos consumidores brasileiros em um cenário de forte concorrência no setor de beleza e cuidados pessoais.