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Marketplaces concentram 87% das vendas online globais, revela relatório

Por: Amanda Lucio

Jornalista e Repórter do E-Commerce Brasil

O comércio eletrônico global deve ultrapassar pela primeira vez a marca de US$ 5 trilhões em receita em 2026, consolidando um novo ciclo de crescimento mais estável após anos de forte volatilidade durante a pandemia. A projeção é do relatório Global eCommerce Outlook 2026, da ECDB.

Tela aplicativo Amazon
(Imagem: Marques Thomas/Unsplash)

De acordo com o estudo, a receita global do e-commerce deve alcançar US$ 5,36 trilhões em 2026, ante US$ 4,94 trilhões estimados para 2025. O crescimento previsto é de 9,8% em 2025 e 8,6% em 2026, abaixo da taxa média anual de 14% registrada entre 2017 e 2024, período marcado por picos e retrações impulsionados pelo contexto sanitário global da Covid-19.

O movimento sinaliza a transição para uma fase de expansão mais sustentável, com menor volatilidade e maior previsibilidade.

Marketplaces dominam

A consolidação também se reflete na estrutura do mercado. Em 2026, os marketplaces devem responder por 87% de toda a receita global do e-commerce B2C de bens físicos, ante 86% em 2025. Na prática, quase nove em cada dez dólares gastos online passarão por plataformas como Amazon, Alibaba e Shopee.

As lojas virtuais próprias devem ficar com apenas 13% da receita, reforçando a crescente concentração em grandes ecossistemas digitais.

O cenário não é diferente no Brasil, onde os marketplaces lideram com 71% das compras, seguidos pelos sites próprios das lojas (20%) e pelas redes sociais ou links diretos (8%).

América Latina acelera

Regionalmente, o crescimento será puxado por mercados emergentes. A América Latina deve registrar alta de 12,4% em 2026, acima da média global de 8,6%. A região se destaca como uma das mais dinâmicas, ao lado da Ásia-Pacífico.

Entre os países com maior potencial de expansão aparecem Indonésia (22%), Índia (17,6%) e México (21,3%), segundo o ranking das dez maiores nações do e-commerce global.

Na outra ponta, economias maduras da Europa Ocidental devem crescer abaixo de 5%. Alemanha (4,6%), França (4,8%) e Japão (4,5%) figuram entre os mercados com menor ritmo de expansão no próximo ano.

(Imagem: ECDB/Divulgação)

Grocery lidera crescimento

No recorte por categorias, o grande destaque é o segmento de alimentos. A categoria deve crescer 14,4% em 2026, mais de cinco pontos percentuais acima da média global, atingindo US$ 548 bilhões em receita.

Pela primeira vez, o grocery deve ultrapassar 10% de participação no mercado global de e-commerce, consolidando-se como motor de crescimento estrutural.

O avanço é impulsionado principalmente pela entrega de meal kits, que devem crescer 18,7% em 2026. Alimentos frescos (16%), produtos de panificação (16,2%) e congelados (14,5%) também mantêm ritmo acelerado. Bebidas alcoólicas, embora avancem 11%, aparecem como o subsegmento mais fraco dentro da categoria.

Enquanto isso, segmentos tradicionais como eletrônicos e hobby & lazer apresentam desempenho inferior ao grocery, refletindo uma normalização da demanda após os picos da pandemia.

Gigantes sob pressão

O relatório também aponta mudanças no ranking dos principais varejistas globais por GMV (gross merchandise value).

Douyin, operação de e-commerce vinculada ao TikTok na China, aparece como um dos destaques de 2026, com crescimento projetado de 12,6%. O TikTok Shop também ganha tração global, com alta estimada de 59,4%.

Em contraste, players consolidados enfrentam desaceleração. JD.com deve registrar retração de 0,8%, enquanto Taobao e Tmall avançam pouco mais de 1%.

Já SHEIN e Temu entram em uma nova fase. Após anos de expansão acelerada, a SHEIN, que cresceu em média 74,5% ao ano nos últimos nove anos, deve avançar apenas 6,5% em 2026. A Temu, que chegou a registrar média anual superior a 500% desde o lançamento, deve crescer 13,4%.

A desaceleração ocorre em meio ao aumento de tarifas e ao fim da regra de isenção de impostos para pequenas remessas (de minimis), fatores que alteram a dinâmica competitiva global.

Nos Estados Unidos, o estudo indica que varejistas de valor e marcas intermediárias já começam a capturar consumidores que deixam as plataformas de fast fashion, sugerindo uma redistribuição de demanda no mercado.


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