A indústria brasileira abriu o ano de 2026 com o pé no freio em relação à inovação e expansão de portfólio. Segundo o Índice de Atividade Industrial da GS1 Brasil, a intenção de lançamentos de novos produtos registrou uma queda de 12% em janeiro na comparação com dezembro de 2025. O dado reflete uma retração estratégica imediata logo no primeiro mês do ano.

O cenário é ainda mais desafiador quando analisado na base anual: o recuo atingiu 34,9% em relação a janeiro de 2025. No acumulado de 12 meses, a retração chega a 16%. Na prática, o indicador mede o volume de solicitações de códigos de barras para novos itens, etapa técnica indispensável para qualquer lançamento no varejo. Menos pedidos de códigos hoje significam menos produtos inéditos chegando ao consumidor final no curto e médio prazo.
Como um termômetro antecedente, o índice da GS1 revela que as companhias estão priorizando a eficiência operacional em detrimento do risco de novos projetos. Setores que dependem de inovação constante para manter a competitividade, como alimentos, bebidas, higiene e limpeza, estão entre os mais afetados por esse ambiente de incerteza econômica.
Essa redução no ritmo de novidades impacta diretamente o dinamismo das gôndolas. Para o varejista, o cenário exige uma gestão de sortimento mais rigorosa, focada em produtos de alta rotatividade (core products), uma vez que o fluxo de lançamentos “oxigenadores” de categoria tende a ser menor. A tendência é que as empresas foquem na otimização dos portfólios atuais para reduzir custos e mitigar os efeitos de possíveis flutuações de demanda.
O que esperar para os próximos meses
A queda acumulada de 16% nos últimos 12 meses sugere que a indústria está operando em um ciclo de defesa. Se por um lado a menor quantidade de lançamentos ajuda as empresas a pouparem capital e focarem em margem, por outro, pode gerar uma perda de market share para marcas que decidirem arriscar em inovação disruptiva.
Analistas apontam que a recuperação deste índice dependerá da melhora nos indicadores de confiança industrial e da estabilização de custos de produção. Até lá, a tônica do mercado deve ser a de “fazer mais com o mesmo”, com foco em extensões de linha simplificadas em vez de novos conceitos complexos, visando garantir a competitividade sem comprometer o fluxo de caixa.