As favelas brasileiras devem ter papel de destaque na Black Friday deste ano. Segundo a pesquisa Black Friday nas Favelas, da NÓS – Inteligência e Inovação Social, mais de 18 milhões de consumidores que vivem nessas comunidades movimentam um potencial de consumo estimado em R$ 167 bilhões. Além disso, a influência nos resultados de empresas que atuam no varejo digital e físico será direta.

O estudo indica que a digitalização acelerada das comunidades tem transformado o comportamento de compra e reforçado a importância de um bom posicionamento no comércio eletrônico. “A confiança é a principal moeda e deve ser construída também no digital”, afirma Emília Rabello, fundadora e CEO da NÓS. Segundo ela, avaliações de consumidores reais em marketplaces e a transparência nas relações com o cliente são fatores determinantes para conquistar esse público.
Além da presença digital, a pesquisa destaca o peso da visibilidade local. Ações presenciais, como eventos e patrocínios em comunidades, ampliam o reconhecimento e a lembrança das marcas. A agilidade na resolução de problemas pós-compra também é vista como um diferencial, especialmente pela influência do “boca a boca” e da consulta a plataformas como o Reclame AQUI.
Entre as estratégias mais eficazes, a NÓS aponta o uso de promoções que combinem preço competitivo e benefícios adicionais, como frete grátis, garantia estendida e cashback. “Mais do que preço baixo, o consumidor das comunidades busca empresas que entendem sua realidade e oferecem benefícios tangíveis”, diz Rabello.
Marcas e categorias
A digitalização ampliou a presença dos grandes players do e-commerce nas comunidades. Segundo o Tracking das Favelas da NÓS, Mercado Livre, Shein e Shopee lideram o ranking de lembrança e intenção de compra entre os consumidores das favelas. Marcas como Amazon, Centauro, Mercado Livre, Shein e Shopee também se destacam nos atributos de confiança e transparência.
Os produtos mais desejados para a Black Friday incluem eletrodomésticos, eletrônicos, moda, beleza e alimentação. O ticket médio é de R$ 180 em moda e utilidades domésticas, R$ 300 em eletrônicos e R$ 450 em produtos de maior valor agregado.
Mercado em expansão
Com mais de 6 mil comunidades mapeadas em todo o país, que somam 4 milhões de domicílios e 260 mil comércios formais, as favelas representam um ecossistema econômico relevante para o varejo nacional.
“As marcas que quiserem se destacar precisam combinar qualidade, preço e conexão com o contexto local. Esse é o caminho para se tornarem a primeira escolha desses milhões de consumidores que já sabem de sua força no mercado”, conclui Emília Rabello.