Logo E-Commerce Brasil

Vender online não basta: o que realmente move o e-commerce farmacêutico

Por: Marcos Paes

Gerente de E-commerce na Infracommerce

Marcos Paes, atualmente Gerente de E-commerce, é formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Sorocaba (UNISO), com conclusão em 2017. Com uma trajetória profissional iniciada em 2014, tem atuado nas áreas de comunicação e vendas, desenvolvendo habilidades em estratégias de marketing, atendimento ao cliente e negociação. Ao longo de sua carreira, tem se destacado pela capacidade de compreender as necessidades do mercado e adaptar-se às mudanças, buscando sempre a excelência no relacionamento com os clientes e nos resultados alcançados.

Ver página do autor

Quando falamos de digitalização no setor farmacêutico, muita gente ainda associa o tema apenas à venda online. Mas, na prática, o que move esse mercado é algo muito mais estratégico e poderoso: a conveniência. Comprar itens de saúde com segurança, rapidez e previsibilidade já faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Essa mudança de comportamento obrigou a indústria e o varejo a repensarem completamente suas operações.

Smartphone exibindo aplicativo de farmácia online com medicamentos no carrinho, cercado por frascos de remédio, cartelas de comprimidos e um notebook com gráficos ao fundo.
Imagem gerada por IA.

Tal transformação fica clara no dia a dia do consumidor. Hoje, a um clique de distância, qualquer pessoa consegue comprar um medicamento de venda livre para dor de cabeça, um soro fisiológico, um kit de medição de diabetes, suplementos, vitaminas ou produtos de cuidado pessoal. Essa facilidade deixou de ser exceção e passou a ser expectativa. E quando falamos de saúde, conveniência não é luxo, é necessidade.

Mas é justamente quando tudo parece simples para o consumidor que a complexidade aparece nos bastidores, e é ali que nasce a vantagem competitiva.

O que o consumidor não vê, mas sente na experiência

Por trás dessa jornada fluida existe uma engrenagem robusta. Um e-commerce farmacêutico bem-sucedido depende de uma operação altamente estruturada: integração eficiente com marketplaces, armazenamento adequado em centros de distribuição, controle rigoroso de estoque para evitar vencimentos, transporte rastreável e uma gestão precisa de preços e promoções.

Mesmo que o consumidor não enxergue esses bastidores, ele sente quando algo falha, seja no prazo de entrega, na indisponibilidade do produto ou em uma comunicação confusa. A experiência final é sempre o reflexo direto da eficiência operacional. E quando essa base está bem construída, surge uma oportunidade ainda maior de relacionamento.

Recorrência e assinatura: conveniência que gera previsibilidade

É nesse contexto que os modelos de assinatura e compra recorrente deixam de ser táticos e passam a ser estratégicos no segmento de Saúde & Farma. Suplementos, vitaminas, dermocosméticos e até alguns dispositivos médicos se encaixam perfeitamente nesse formato. Para o consumidor, é tranquilidade e continuidade no cuidado. Para a operação, é previsibilidade de demanda, fidelização e melhor planejamento logístico.

Com o tempo, esse modelo deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ser um pilar para empresas que buscam maturidade digital e relacionamento de longo prazo com o cliente. No entanto, quanto mais a operação cresce, mais evidente fica outro desafio.

O desafio real da indústria farmacêutica no digital

O grande desafio da indústria farmacêutica hoje não está no produto. A indústria domina formulação, qualidade, regulação e estratégia comercial. O ponto crítico está em orquestrar a gestão online: plataforma, loja virtual, precificação, frete, meios de pagamento, comunicação e experiência do cliente funcionando de forma integrada.

Escalar tudo isso internamente é caro, complexo e, muitas vezes, desnecessariamente arriscado. Manter uma estrutura interna completa exige investimentos altos em tecnologia, pessoas, contratos e operação. E nem sempre esse esforço se traduz em ganho de eficiência no curto prazo. É aqui que a discussão sobre escala se torna inevitável.

Escala, eficiência e custo: o tripé do crescimento

Escala é a palavra-chave. Muitas empresas têm produtos, estratégia e demanda, mas não conseguem crescer no ritmo que o mercado exige. Sem volume, os custos operacionais pesam. Taxas de ferramentas, transportadoras e integrações corroem a margem e limitam a expansão.

Por isso, eficiência operacional, previsibilidade logística e relacionamento com o cliente passaram a ser fatores decisivos para quem quer competir de verdade no digital. O crescimento sustentável não vem apenas de vender mais, mas de operar melhor e com parceiros full commerce com experiência de mercado.

Os dados confirmam: o crescimento já está acontecendo

Os números confirmam que esse movimento já está em curso. Segundo a IQVIA, o segmento farmacêutico já puxa o crescimento no Brasil. Mas só cresce de forma sustentável quem entende de regulação, operação e dados.

De acordo com o “Relatório Setores do E-commerce no Brasil 2025” (Conversion), o e-commerce de Saúde & Farma cresce 16% ao ano e já soma mais de 137 milhões de visitantes únicos. Aplicativos representam 16,3% do tráfego do setor, com mais de 20 milhões de acessos mensais.

Já a Mobility Foresights projeta que o mercado de farmácias online no Brasil pode alcançar US$ 185 bilhões até 2031, impulsionado pela digitalização, pelos modelos de assinatura e pela integração com IA, prescrições digitais e plataformas de saúde.

2026: o ano que separa quem lidera de quem fica para trás

Ter um e-commerce deixou de ser tendência e virou prioridade estratégica para Saúde & Farma. O consumidor já está no digital. As tecnologias já existem. O mercado está aquecido.

Por isso, 2026 será o ano das decisões que vão separar quem lidera de quem fica para trás. A pergunta que fica é simples e estratégica: a sua operação está realmente preparada para sustentar essa expansão com eficiência, escala e consistência?