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Do legado à vantagem competitiva: modernizar é crescer

Por: Cristiano Oliveira

Cristiano Oliveira, é COO da TQI, empresa brasileira de tecnologia especializada em soluções digitais. Com mais de 20 anos de experiência em Tecnologia, o profissional já liderou projetos nos setores financeiro, telecom, serviços e saúde. Especialista em metodologias ágeis e tecnologia, Oliveira tem sólida visão técnica, de negócios e estratégica. Participou de importantes projetos no ecossistema financeiro, como Pix, Open Finance.

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Durante anos, a modernização de sistemas foi tratada como um tema essencialmente técnico. Um esforço necessário para “atualizar”, “migrar” ou “tirar da frente” plataformas consideradas antigas. Mas o mercado amadureceu e hoje essa visão já não é suficiente.

Um computador antigo à esquerda, um notebook moderno à direita e, no centro, blocos de madeira formando um gráfico de crescimento com uma seta apontando para cima, sobre uma mesa.
Imagem gerada por IA.

Modernizar deixou de ser um tema de TI e passou a ser um tema de crescimento, competitividade e geração de valor, que nos mostra que o legado não é o problema, mas a limitação que ele impõe é.

Todo sistema legado carrega a história de sucesso de uma empresa. Ele sustenta operações críticas, guarda conhecimento do negócio e viabilizou decisões estratégicas ao longo dos anos.

O problema surge quando esse legado passa a:

– Limitar a velocidade de lançamento de novos produtos;
– Aumentar o custo marginal de cada nova iniciativa;
– Criar dependência excessiva de pessoas ou tecnologias específicas;
– Impor risco operacional por falta de suporte adequado;
– Impedir a exploração de dados, automação e novos modelos digitais;
– Nesse ponto, o legado deixa de ser um ativo estratégico e passa a ser um freio invisível ao crescimento.

Modernizar não é migrar, é reposicionar o negócio.

A verdadeira modernização começa pela estratégia

Empresas que tratam modernização como simples migração para cloud, troca de stack ou reescrita de sistemas costumam repetir um erro comum. Mudam a plataforma, mas mantêm os mesmos gargalos, processos e limitações.

Modernizar de forma estratégica significa reaproveitar tudo o que faz sentido para o negócio da empresa, potencializando os ganhos; reorganizar arquiteturas para escalar o negócio; transformar sistemas em plataformas de integração, dados e inovação; reduzir fricções operacionais que consomem tempo, orçamento e energia; criar bases tecnológicas que habilitam novas receitas.

Quando isso acontece, a tecnologia deixa de ser custo e passa a ser alavanca de crescimento.

Tecnologia que não gera resultado é apenas complexidade

Executivos não investem em modernização para ter sistemas mais novos. Investem para ganhar velocidade de resposta ao mercado, reduzir riscos operacionais e regulatórios, melhorar margens por meio de eficiência e automação e criar capacidade real de inovação contínua.

Por isso, qualquer iniciativa de modernização precisa estar conectada a indicadores claros de resultado, como eficiência, escalabilidade, tempo de lançamento, custo por transação, capacidade de integração e geração de novas oportunidades de negócio. Sem isso, modernização vira apenas um projeto, e não uma transformação.

Na minha visão profissional, modernização é enxergada como vantagem competitiva quando é tratada como uma jornada estratégica, não como um evento técnico isolado, e tem o papel de ajudar empresas a entender o legado como um ativo vivo.

É importante priorizar modernizações com impacto direto no negócio, construir arquiteturas que sustentem crescimento, minimizem os riscos, dados, automação e IA, além de medir resultados de forma concreta, conectando TI aos objetivos corporativos. Modernizar, nesse contexto, é criar a chamada vantagem competitiva sustentável, permitindo que a tecnologia acompanhe e impulsione a ambição do negócio.

Empresas que encaram a modernização como um movimento estratégico conseguem crescer com mais segurança, previsibilidade e velocidade. As que a tratam como um problema técnico tendem a acumular custos, riscos e frustrações. O futuro pertence a quem transforma, não a quem apenas se atualiza e, para isso, o legado não precisa ser abandonado, mas transformado. Porque, no fim, modernizar não é apenas evoluir sistemas. É criar as condições para acelerar os negócios.