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Try Before You Buy 3.0: a revolução dos espelhos de IA e avatares gerados por foto

Por: Rodrigo Cursi de Carvalho

Co-CEO e CXO na FRN³

Rodrigo Cursi é Co-CEO, CXO (Chief Experience Officer) e co-fundador da FRN³, empresa especializada em desenvolvimento digital. Com formação em Design de Games e Gráfico e Pós-graduação em Design: Conceito e Aplicação, possui 15 anos de experiência nas áreas de User Interface (UI), User Experience (UX), branding, e-commerce e aplicativos. Ao longo de sua trajetória, atuou como Diretor de Arte e Criação, liderando projetos de diversos segmentos e tamanhos, com foco em soluções criativas e de alto impacto. Seu trabalho se destaca pelo gerenciamento de equipes criativas e squads especializados em mídia e desenvolvimento de projetos digitais. Atualmente, é especialista em UX e UI, com um portfólio robusto de mais de 500 projetos realizados.

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Lembra quando comprar roupa online era praticamente um tiro no escuro? Tamanhos que não batiam, modelos que no corpo pareciam outros… Hoje, essa realidade está virando peça de museu.

Estamos entrando na era do Try Before You Buy 3.0, na qual espelhos de IA, realidade aumentada e avatares gerados por foto recriam a experiência do provador físico no digital. E acredite: isso já está funcionando.

Mulher sorridente deitada no chão tentando vestir uma calça jeans, com roupas penduradas ao fundo em um ambiente descontraído.
Imagem: Reprodução.

O Google, por exemplo, lançou recentemente um recurso que permite “vestir” roupas em si mesmo usando IA. O sistema entende o corpo, o caimento e simula como aquela peça ficaria de forma incrivelmente realista. E não é o único. Sephora, Nike, Amazon, Zara… todas estão investindo pesado em tecnologias que simulam experiências visuais antes da compra, seja para roupas, óculos, tênis ou até móveis.

A confiança digital como fator de conversão

O motivo é simples: visualização gera confiança. E confiança converte.

Esse tipo de tecnologia já mostra impacto direto no checkout. Algumas marcas relatam aumento de conversão acima de 30% e queda significativa nas devoluções – um dos grandes vilões do e-commerce, principalmente em moda e beleza.

Além disso, dados de mercado indicam que consumidores que interagem com tecnologias de experimentação virtual passam até 2,5 vezes mais tempo nas páginas de produto em comparação com aqueles que não utilizam esses recursos. Esse aumento de engajamento gera um efeito positivo não apenas na conversão direta, mas também na construção de recorrência e fidelização ao longo do tempo.

Mas a revolução não para na imagem. O que está acontecendo é mais profundo: estamos digitalizando a sensação de experimentar. Criando presença, mesmo na ausência. É o futuro da jornada sensorial no e-commerce.

Outro ponto interessante é o uso de avatares gerados por IA a partir de fotos reais. Ferramentas como a L’Oreal ModiFace e soluções embutidas em redes como TikTok Shop estão permitindo que o consumidor use sua própria imagem para testar produtos com precisão. Isso tira a compra do campo da imaginação e a coloca no campo da certeza.

Esse avanço também provoca uma mudança no papel do conteúdo nas lojas virtuais. Enquanto antes os e-commerces dependiam quase exclusivamente de fotos estáticas e descrições técnicas, agora o desafio passa a ser criar experiências dinâmicas, integradas e responsivas. A implementação de recursos como provadores virtuais, vídeos 360°, modelagens 3D interativas e realidade aumentada exige um novo olhar das equipes de UX, design e tecnologia.

E vale lembrar: estamos falando de tecnologias acessíveis, em rápida expansão, e que em breve estarão disponíveis para lojas de todos os tamanhos. Com APIs abertas e ferramentas white label, o que hoje parece futurista será padrão amanhã.

Um reflexo direto desse movimento é o crescimento de marketplaces e plataformas que já oferecem recursos nativos de Try Before You Buy. O próprio setor de marketplaces B2B começa a explorar esse tipo de tecnologia, principalmente em categorias como calçados profissionais, uniformes e equipamentos de proteção individual (EPIs). Ou seja, o conceito de experimentação virtual não está restrito ao universo fashion ou cosmético: ele se expande para diferentes segmentos, incluindo bens duráveis e até automotivo, com montadoras testando showrooms virtuais com visualização de veículos em realidade aumentada.

O que isso muda na prática?

Muda o conteúdo da página de produto. Muda o papel dos influenciadores. Muda o nível de exigência do consumidor. E muda, principalmente, a experiência de quem compra – de passiva para ativa, de imaginária para real.

Outra consequência importante é a alteração nas métricas de performance analisadas pelos times de e-commerce. Acompanhamento de tempo de interação com o provador virtual, taxa de cliques nas ativações de AR, número de visualizações de simulações de caimento e até heatmaps de movimentação nos avatares começam a ganhar protagonismo nas análises de CRO (Conversion Rate Optimization). Isso demanda uma evolução nos KPIs e nos dashboards das operações digitais.

Quem entender isso primeiro sai na frente.

Afinal, vender no digital nunca foi só sobre ter produto e preço. É sobre eliminar dúvidas antes que elas virem abandono. E a IA, mais uma vez, está ajudando a encurtar esse caminho.

Ao olhar para o futuro, é possível prever que as próximas ondas de evolução nessa frente incluirão integração com dados biométricos, análises de movimento corporal para prever conforto durante o uso e até simulações de experiência sensorial multicanal, com respostas táteis em dispositivos móveis e wearables. Trata-se de um avanço que reposiciona a relação entre marca e consumidor para um patamar cada vez mais interativo, personalizado e orientado por dados.