Todo começo de ano costuma ser acompanhado por mudanças nas políticas e tarifas dos maiores marketplaces brasileiros. 2026 parecia ser diferente, quando, num instante, tudo mudou: Mercado Livre e Shopee anunciaram reajustes robustos em suas tarifas, o que exige que os vendedores reavaliem sua precificação com urgência e atenção.

Enquanto 2025 ficou marcado como o ano do frete grátis, com uma forte ofensiva do Mercado Livre na oferta de frete grátis aos consumidores, integralmente subsidiado pela plataforma, no intuito claro de encarar de frente seu maior concorrente nesse quesito – a Shopee -, o nosso “ano novo” ficará marcado como o ano em que ambas as plataformas repassaram o custo desse frete ao consumidor.
O fim da simplicidade na precificação da Shopee
Precificar um produto na Shopee era o mais fácil entre todos os marketplaces. Acredito que entre os grandes continue sendo, mas, agora, uma camada adicional de complexidade foi adotada pela plataforma. A comissão continua a mesma, 14% ou 20%, de acordo com o modelo escolhido pelo vendedor. Mas a taxa adicional, que antes era fixa no valor de R$ 4, agora pode variar até R$ 26, o que representa de 300% até 550% de reajuste.

A oferta de frete grátis foi ampliada na plataforma: se antes ela variava por quantidade de cupons de acordo com o modelo de comissionamento escolhido pelo seller, agora a Shopee vai adotar uma estrutura similar à do Mercado Livre, na qual o frete grátis é oferecido na maioria das compras.
O impacto real do fim do teto de comissão
Agora se tem uma coisa que realmente vai pesar no bolso é o fim do teto de comissão de R$ 100 que era aplicado pela plataforma desde a sua chegada ao país. Na prática, isso significava que vender um produto por R$ 500 ou por R$ 5.000, para um seller que paga 20% de comissão, teria o mesmo custo: R$ 100. A partir de março/26 esse cenário muda completamente.

Agora, se você compra um produto de R$ 500, ganha um desconto de 8% no Pix, o que daria R$ 40,00, suficientes para cobrir com folga os R$ 22,00 de reajuste no comparativo de tarifas com o ano anterior.
Por outro lado, se antes anunciar um produto por R$ 5.000 custava apenas R$ 104, agora custa praticamente 10x mais, chegando a R$ 1.026. Nesse cenário, os 8% de desconto no Pix cobrem apenas uma parte desse reajuste, ficando em R$ 400. Seriam precisos mais R$ 522 para neutralizar o reajuste integralmente.
De estratégia agressiva a modelo sustentável
A Shopee também criou um padrão para os cupons de frete, que agora serão concedidos da seguinte forma:

Esses cupons servem para diminuir (ou até zerar) o custo de frete que o comprador terá em suas compras.
Essa mudança desloca a Shopee de uma estratégia agressiva de aquisição para um modelo mais sustentável financeiramente, mas que tem forte impacto sobre a rentabilidade do vendedor no canal, que frequentemente era superior ao seu principal concorrente, o Mercado Livre.
Será que, de agora em diante, vamos ver a Shopee também ajustando suas tarifas anualmente? É esperar para ver, ou melhor, é reprecificar para não perder!
Esse artigo foi dividido em duas partes,. Em breve, retorno para falar sobre os reajustes do Mercado Livre. Até já.