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Shopee vs Mercado Livre: análise dos maiores marketplaces do Brasil

Por: Cláudio Dias

Co-founder e CEO da Magis5

Co-founder e CEO do Magis5, possui vasta experiência em varejo e <nowrap>e-commerce</nowrap>. Formado em Direito e com MBA, também tem uma formação consolidada em gestão e governança de empresas tech.

Em apenas três anos no mercado nacional, a Shopee chegou à vice-liderança dos e-commerces brasileiros. Mesmo na segunda posição, o site de vendas de Singapura tem prejuízo de US$ 1,52 por compra no país em 2022, mas indica uma melhoria de 45% em um ano.

A perda tem um bom motivo: ganhar uma boa fatia do segmento em um primeiro momento. Tanto que, no início de 2022, a nova queridinha das compras online diminuiu o número de cupons para minimizar as perdas e houve alterações nas taxas para vendedores que utilizam CPF em vez de CNPJ.

No entanto, o Mercado Livre (ML) ainda lidera os rankings dos marketplaces. Mas será que o Meli já está consolidado no país, por isso os dados se estabilizaram, ou será que a Shopee vai ameaçá-lo?

Neste artigo, aprofundaremos esses dados e, o mais importante, saberemos quais são as diferenças e as semelhanças entre os dois marketplaces. O foco é como as políticas e as características desses sites podem afetar o seller.

Afinal, qual o maior marketplace atualmente?

Quem é maior: Shopee ou Mercado Livre?

Somados os acessos de aplicativos e desktops, o Mercado Livre, até julho de 2022, liderava o ranking do e-commerce no Brasil. Mas a tendência de crescimento é maior para o marketplace Shopee, de acordo com o gráfico abaixo.

Maiores e-commerces do Brasil. Reprodução: Conversion.

Como os dados da Conversion mostram, o Mercado Livre apresenta oscilações de visitas desde janeiro. O número no início do ano era maior do que em julho.

Já a Shopee vive um momento de crescimento. Os acessos são menores que os do maior concorrente, mas, em relação ao início de 2022, as visitas estão crescendo.

Acesso por aplicativos nos marketplaces

Nos aplicativos próprios, a Shopee lidera os acessos com larga vantagem. Os dois e-commerces estão crescendo nos apps de marketplace, mas a empresa singapuriana supera os acessos do Meli em mais de 40 mil acessos.

Maiores aplicativos do Brasil. Reprodução: Conversion.

Líder em satisfação do cliente

Dados do Bank of America Merrill Lynch (BofA) mostram que a Shopee está se tornando a favorita dos brasileiros. A empresa é líder em satisfação do cliente, com três pontos de vantagem sobre o Mercado Livre. O Net Promoter Score (NPS) da singapurense é 64, enquanto o do Mercado Livre é 61.

Preços

A mesma pesquisa mostrou liderança de preços baixos da Shopee, o que confirma a impressão de que o marketplace asiático é um site para quem procura por produtos com baixo valor.

Porém, a própria Shopee divulgou que investirá em eventos do setor de luxo. Assim, mercadorias com ticket médio maior podem ter mais relevância no marketplace daqui a um tempo.

Tendência de crescimento

Os dados indicam uma forte tendência de crescimento da Shopee e consolidação do Mercado Livre. O Brasil é o grande objetivo da empresa asiática, e a estimativa é de que a performance do país supere até mesmo os resultados na terra de origem da plataforma.

Outra característica relevante é a preocupação da Shopee em entender a cultura local para se adaptar. Em todos os mercados em que o e-commerce entra, há bastante investimento para criar estratégias compatíveis com a região em que está inserido.

Como o player asiático está mudando algumas políticas, o indicado é que o seller continue a analisar os dados, pois pode haver uma estabilização, e até mesmo queda, a depender da resposta do consumidor às alterações. A tendência é uma diminuição das políticas agressivas à medida que o público brasileiro se habitua a comprar na Shopee.

É fundamental acompanhar as estatísticas dos marketplaces. Os dados vão mostrar as expectativas de crescimento e, principalmente, as preferências dos consumidores. Porém, tão importante quanto isso é entender qual a política com os vendedores e o perfil dos e-commerces para traçar estratégias de negócios.

A seguir serão mostrados dados que interferem diretamente na margem de lucro do seller e estratégias para vender nos dois maiores marketplaces do momento.

Perfil de compra

É preciso entender o perfil de compra dos consumidores de cada marketplace.

O perfil de compra para cada marketplace difere. Cada consumidor possui objetivos e comportamentos diferentes, e por conta desses fatores, é essencial entender como atuar em cada um, se compensa empreender sua loja na plataforma e aplicar diferentes estratégias.

Shopee

Como a pesquisa do BofA mostrou, os clientes percebem a asiática como uma plataforma de compras mais baratas. Dessa forma, eles buscam menor preço e ofertas no marketplace. Um estudo interno da Shopee reforça esse dado. O perfil predominante de compradores é o que eles chamam de antenado em ofertas e representa 57%.

Esse é o motivo pelo qual há uma grande variedade de produtos de baixo ticket médio no marketplace que ficam em destaque na aba de “ofertas relâmpagos” como: utensílios de casa e cozinha, maquiagens, acessórios etc.

A precificação na Shopee é um fator decisivo para os consumidores, e eles buscam melhores preços que sejam possíveis utilizar cupons, promoções e frete gratuito.

Porém, é questão de sobrevivência para um negócio calcular o impacto de todos esses descontos na sua margem de lucro, entender como a comissão de vendas da Shopee funciona e aplicar preços que não atinjam seu faturamento.

Mercado Livre

O ainda maior marketplace do Brasil se assemelha a um catálogo no qual os consumidores não avaliam apenas preço. Um estudo do próprio Mercado Livre Ads, área dedicada à publicidade da empresa, mostra o quanto o cliente do e-commerce é analítico. Os visitantes passam 17% a mais de tempo no marketplace antes de realizar uma compra.

É comum a análise do custo-benefício, ao ver comentários, reputação do vendedor, características mais específicas de uma determinada mercadoria etc.

A plataforma também não consegue acompanhar a cultura de preços baixos da Shopee, que utiliza da estratégia que foi citado no início deste artigo, mas possui grande reputação no Brasil por sua qualidade de atendimento.

Podemos utilizar o comparativo de que, atualmente, a Shopee funcionaria como um ambiente comercial semelhante a pequenos shoppings com baixos preços e até poder de barganha por parte do consumidor, que tem à sua disposição muitos cupons, enquanto o Mercado Livre se torna um grande shopping com entregas de pedidos rápidos através de seu Mercado Envios Full que garante entregas até no mesmo dia a seu consumidor.

Comissão nos marketplaces

Quem não analisa bem as taxas avalia a Shopee como melhor no quesito comissão. O desconto será de no máximo 18%, caso o vendedor opte por oferecer frete grátis extra e trabalhe com CNPJ.

No Mercado Livre, a taxa varia de acordo com a categoria do produto e ainda há o desconto pela entrega gratuita. Dessa forma, é preciso uma análise mais aprofundada para entender o impacto no seu faturamento e estratégias.

Existe a vantagem, por parte do Meli, de descontar apenas R$5 em produtos de até R$79. Para quem vende produtos de baixo ticket, é uma vantagem. Ao mesmo tempo, a Shopee tem sido vista como o lugar para itens de menor valor.

Assim, é preciso analisar para entender qual é mais vantajoso para o negócio. Um produto muito barato pode ter um desconto maior na Shopee do que no Mercado Livre.

Um item de R$80, por exemplo, tem taxa de R$5 no líder dos e-commerces hoje. Na Shopee, R$9,60 ficam para o marketplace asiático. Porém, nesse exemplo, não foi considerado o frete grátis e nem anúncios diferenciados.

O Mercado Livre tem uma página com as comissões para todas as categorias de produtos para o seller consultar quando for necessário.

Já a Shopee, na data de fechamento deste texto, possui uma política de comissão mais enxuta, como você pode ver na ilustração abaixo, que considera o seu programa de frete grátis e a quantidade mensal de cupons pagos pela plataforma.

Taxas de comissão da Shopee.

Contudo, há ferramentas no mercado, como hubs de integração, que fazem o cálculo automático para o seller e ainda mostram qual a precificação ideal para preservar a margem de acordo com as taxas da Shopee e Mercado Livre, por exemplo.

Como funciona o frete grátis na Shopee?

Programa de frete grátis da Shopee e exemplos.

A Shopee possui muitos materiais visuais para simplificar o entendimento de seu programa de frete grátis a seus lojistas, como o gráfico acima, que exemplifica o limite máximo de comissão de R$100 da plataforma.

O seu programa de frete grátis se baseia em compras acima de R$29,90; ao utilizar o aplicativo, recebem o benefício. Para os vendedores, significa que será cobrado 6% a mais na comissão, mas respeitando a cobrança máxima de R$100.

Dessa maneira, produtos com ticket médio mais altos garantem mais faturamento ao lojista, que pode utilizar estratégias para atrair mais clientes.

Como funciona o custeio do frete grátis no Mercado Livre?

A contribuição do Mercado Livre com o custeio do frete está totalmente relacionada à reputação do vendedor. Assim, quanto melhor for o desempenho do seller, maiores serão as vantagens para ele. Além da contribuição do marketplace no frete, opções como utilizar seu programa de fulfilment atrairão mais compradores a sua loja.

Reputação verde

A melhor reputação no ML é conquistada para quem cumpre os seguintes requisitos:

  • Reclamações de até 4% do total de vendas.
  • Tempo de envio igual ou inferior a 15% do total de vendas.
  • Taxa de cancelamento inferior ou igual a 2%.

Reputação amarela

Vendedores na reputação amarela, têm três pré-requisitos. São eles:

  • Reclamações de até 7% do total de vendas.
  • Envio limitado a 20% do total de vendas.
  • Taxa de cancelamento em até 7% das vendas.

Reputação laranja

Se enquadram na reputação laranja:

  • Vendedores com até 12% de reclamações do total de vendas.
  • Tempo de envio que não ultrapassa 30% do total de vendas.
  • Taxa de cancelamento em até 10% das suas vendas.

Vendas por CPF

Muitos lojistas começam o processo de vendas no marketplaces através do CPF.

As vendas por CPF são como muitos lojistas iniciam seus negócios online com o objetivo de evitar, de início, encargos e burocracias ao criar um CNPJ.

O Mercado Livre e a Shopee são dois marketplaces que permitem as vendas por pessoa física, principalmente para aqueles que querem simplesmente vender itens usados, veículos etc. Porém, não é indicado para o seller permanecer com seu negócio online com CPF. Afinal, há muitas limitações, e as plataformas estão cada vez mais priorizando vendedores com CNPJ.

O empreendedor pode até iniciar como pessoa física, mas à medida que cresce é preciso se formalizar. Afinal, ao ultrapassar o limite imposto, são solicitados dados fiscais e ele poderá ter problemas com a Receita Federal.

O vendedor pode começar como Microempreendedor Individual (MEI), que permite venda e geração de nota fiscal para quem tem um faturamento de até R$80 mil anuais e, ao crescer mais, torna-se uma empresa de pequeno porte com até R$4,8 milhões anuais e continuar a utilizar o Simples Nacional.

Taxas para vender com CPF na Shopee

No início de junho de 2022, a Shopee realizou uma revisão nas políticas para vendedores que utilizam CPF no marketplace. Além da taxa padrão de 12%, é cobrado um acréscimo de R$5 por item vendido e, para itens com valores abaixo de R$10, será cobrado metade do valor do item.

Um dos objetivos do e-commerce com essas novas políticas foi motivar a formalização dos sellers. Confira abaixo na tabela:

Gráfico de comissão por CPF da Shopee.

Vender com o CNPJ, além de ter uma menor cobrança em sua comissão, oferece mais benefícios na plataforma como:

  • Equipe da Shopee com maior suporte ao seller;
  • Acesso ao Programa Vendedores Indicados da Shopee, que dá mais destaque ao seller;
  • Selo exclusivo do seu programa de frete grátis;
  • Oferecer mais cupons de desconto a seu cliente.

Venda com CPF no Mercado Livre

O Mercado Livre, assim como a Shopee, está cada vez migrando para que seus vendedores se formalizam através de políticas que favorecem pessoas jurídicas, para que, dessa maneira, pessoas físicas utilizem sua plataforma apenas para vendas casuais, como produtos que não utilizam mais.

As vendas no Meli com CPF têm restrições, como o limite de R$12 mil por vendedor, e também não é possível usufruir dos programas de entrega, como Mercado Coletas, já que as transportadoras exigem nota fiscal.

Emissão de nota fiscal no Mercado Livre e na Shopee

Os dois e-commerces têm sistema de emissão de nota fiscal integrado às plataformas. Nos dois, o seller precisa de um certificado digital do tipo A1 para gerar a NF. Dessa forma, mesmo sem um hub de integração ou ERP, o empreendedor pode gerar o documento, que é pré-requisito para ser um vendedor com grandes volumes de venda na Shopee ou no Mercado Livre.

Afinal, devo vender no Mercado Livre ou na Shopee?

Os dois canais de venda são portas de entrada para vendedores que estão iniciando seu negócio online, e se limitar a somente um deles pode fazê-lo perder potenciais vendas.

Então, estar presente nos dois marketplaces pode lhe garantir mais alcance. Afinal, um é líder em acessos e o outro possui um crescimento acelerado e promete ser promissor no território brasileiro, mesmo não sendo uma empresa nacional.

Não somente nos dois, mas o lojista deve analisar seu negócio e buscar se expandir em marketplaces que façam sentido para seu e-commerce através de estratégias assertivas e que o façam escalar, sempre pensando em fatores internos e externos, e preparando-se para períodos com muita demanda, como Dia das Mães, Black Friday, entre outros.

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