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Reforma tributária, Copa do Mundo e eleições: ainda dá tempo para as PMEs do e-commerce ajustarem o planejamento para 2026

Por: Marcelo Navarini

É Administrador e Mestre em Economia Internacional. Antes do Bling, Navarini atuou como Investment Officer na CRP Cia de Participações, em transações de Venture Capital e Private Equity, além de outras experiências em empresas do setor financeiro e de bens de consumo.

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O planejamento anual é uma parte essencial para gestão saudável de qualquer empresa, especialmente PMEs online. Começar o ano sem um planejamento mínimo compromete a sustentabilidade e, em muitos casos, o futuro do negócio. É nessa etapa que a empresa organiza seus objetivos e conecta operação, finanças e vendas em um mesmo raciocínio de gestão.

Mesa com caderno “Planejamento E-commerce 2026”, laptop, celular com gráficos e post-its sobre ERP e tributos.
Imagem gerada por IA.

No Brasil, em 2026, os desafios serão maiores para quem atua no varejo, tanto online quanto físico. O calendário prevê a Copa do Mundo, eleições e o início da transição para o novo regime tributário sobre o consumo. Juntos, esses fatores tendem a alterar o ritmo das vendas, os custos e como o empreendedor precisa olhar para o próprio negócio ao longo do ano.

No campo tributário, o ano marca o início da aplicação prática da reforma tributária do consumo, com CBS e IBS passando a constar nos documentos fiscais eletrônicos, ainda em fase inicial e convivendo com tributos atuais. Inicialmente, o impacto será concentrado nas empresas do regime normal de tributação (Lucro Real e Lucro Presumido). As micro e pequenas empresas (PMEs) sentirão os efeitos de forma gradual, conforme o cronograma de transição.

Marketplaces e ERPs precisarão adaptar os sistemas ao novo regime. Portanto, a necessidade é compreender quais são os possíveis impactos diretos no negócio, e avaliar os cenários possíveis de adaptação ao que muda com a reforma tributária. Conforme a dinâmica do negócio, relacionado ao perfil de vendas e produtos, e a estrutura de custos x margem, haverá maior ou menor urgência para se adequar às mudanças estruturais que devem impactar a economia e os diferentes mercados.

Neste momento de maior incerteza, é fundamental compreender como será executada a transição no sistema que está sendo utilizado no negócio, em especial no ERP, que é parte fundamental de toda essa estrutura de adequação à nova realidade. O ERP, por exemplo, integra vendas, financeiro, estoque e relatórios em um único ambiente, e precisará estar adequado ao período de transição, no qual haverá o convívio de duas estruturas tributárias, a atual e a nova que entra em vigor. A partir dessa lógica, vale olhar para cinco pontos que não podem ficar de fora do planejamento para quem vende online.

1. Organize o caixa e projete o ano

Planejar começa pelas finanças. A partir da projeção de receitas e despesas, avalie a necessidade de capital de giro, mesmo que no curto prazo, e se há um cenário plausível de capacidade de financiamento da operação com a geração de caixa do negócio. Se possível, mantenha uma margem de segurança para variações inesperadas, a partir da redução de vendas, menor giro de estoque ou de margens inferiores ao previsto.

2. Conheça seus custos operacionais

Sem conhecer bem os custos, não há margem que resista. O planejamento financeiro precisa incluir todas as despesas relevantes do e-commerce: plataformas, comissões de marketplaces, fretes, marketing, meios de pagamento e estrutura logística. Ao organizar esses custos no ERP e acompanhar através de relatórios periódicos, o empreendedor consegue precificar de forma consciente, avaliar a contribuição de cada canal no mix de volume e margem de lucro.

3. Desenhe metas de vendas para um ano atípico

Metas não podem ignorar o calendário. Em 2026, o plano comercial precisa considerar os efeitos da Copa do Mundo e das eleições sobre atenção, tráfego e conversão.

4. Alinhe estoque e logística ao calendário

Não adianta planejar vendas sem planejar entregas. O estoque deve ser dimensionado para cobrir as campanhas previstas, evitando tanto ruptura quanto excesso. Com o controle de estoque integrado ao ERP, o empreendedor acompanha giro, valor imobilizado e necessidade de reposição, enquanto as integrações logísticas ajudam a executar o que foi planejado, com prazos realistas e menor risco de surpresa operacional.

5. Use automação e indicadores a seu favor

Planejamento não é um documento feito em janeiro e esquecido na gaveta. Ele precisa ser acompanhado por indicadores e ajustado ao longo do ano. A automação, desde a emissão de notas à atualização de estoque e registros financeiros, libera tempo para o empreendedor analisar resultados e decidir melhor. Os dashboards e relatórios gerenciais consolidados permitem comparar o planejado com o entregue, corrigindo a rota com rapidez.

A visão geral decorrente de um planejamento estruturado permite compreender as principais variáveis que impactam o desempenho do negócio e, com isso, realizar os ajustes necessários nas estratégias comerciais, financeiras e operacionais para minimizar os desvios decorrentes da performance do negócio. Mais do que um plano estático, o objetivo é ter um mapa contínuo, no qual a rota é ajustada para chegar da melhor forma ao destino, balanceando resultados de curto prazo e o fortalecimento do negócio no médio e longo prazo.