Logo E-Commerce Brasil

Por que o e-commerce perde espaço no Carnaval e o que outros apps fizeram melhor

Por: Renata Altemari

General Manager LATAM

Com mais de 15 anos de experiência, Renata Altemari é General Manager LATAM da AppsFlyer. Já trabalhou em grandes empresas de tecnologia, como Google e Twitter, e tem se dedicado ao segmento de marketing mobile há 5 anos, auxiliando profissionais em suas estratégias de crescimento de aplicativos.

Ver página do autor

O Carnaval costuma ser tratado pelo e-commerce como um período de baixa inevitável. Mas os dados de 2026 mostram que essa leitura é simplista. O Carnaval não reduz o consumo digital: ele reorganiza completamente a atenção, a intenção e a forma como os brasileiros usam aplicativos.

Imagem com fundo amarelo contendo uma máscara de Carnaval dourada com glitter, leques de papel verde e roxo, colares de contas, penas e confetes dourados concentrados no canto inferior direito.
Imagem: Envato.

Durante a maior festa do país, com mais de 65 milhões de participantes, a economia digital passou a operar em tempo real. Segundo dados inéditos levantados logo após o Carnaval 2026 pela AppsFlyer, redes sociais, entretenimento, delivery, finanças e viagens capturaram esse movimento com força. O e-commerce, por outro lado, perdeu espaço no curto prazo. As instalações de apps de varejo caíram 33,9% no Android e 36,2% no iOS em relação ao ano anterior, com quedas superiores a 40% nas instalações não orgânicas em ambas as plataformas. Em comparação com uma semana regular, tanto instalações quanto remarketing também diminuíram.

A ascensão de outros setores no Carnaval

Essa retração contrasta de forma significativa com o desempenho de outros verticais. Redes sociais cresceram 25,6% em instalações no Android e 267,6% no iOS em relação ao ano passado, impulsionadas principalmente por crescimento orgânico e pelo efeito viral do FOMO. Aplicativos de entretenimento registraram alta de 18,8% no Android e 35,0% no iOS, combinando aquisição paga com aumento consistente de engajamento ao longo da folia.

Delivery, alimentação e bebidas tiveram uma das janelas mais claras de crescimento do ano, com instalações avançando 42,3% no Android e 49,6% no iOS. No iOS, as instalações não orgânicas cresceram impressionantes 590,8%, enquanto o remarketing avançou 44,8% no Android e 228,3% no iOS. Já no setor financeiro, mesmo sem forte aquisição de novos usuários, o reengajamento disparou: o remarketing cresceu 490,0% no Android e 870,6% no iOS em relação ao ano anterior.

Reengajamento como chave para o sucesso

Esses números deixam claro um ponto central: durante o Carnaval, o crescimento não veio da aquisição, mas da capacidade de reativar usuários existentes. Enquanto o e-commerce insistiu em estratégias tradicionais em um momento de baixa intenção de compra, outros verticais ajustaram rapidamente suas prioridades e colheram resultados expressivos com CRM, remarketing e comunicações contextuais.

O consumidor não deixou de gastar, ele passou a gastar de outra forma. Viagens, experiências, encontros e decisões imediatas ganharam prioridade. Nesse cenário, o e-commerce enfrenta um desvio temporário de atenção, mas não uma ausência de oportunidade. O erro está em tentar forçar conversão quando o comportamento pede relevância.

O Carnaval reforça uma lição que vale para todo grande evento cultural: marcas que se alinham ao comportamento ao vivo vencem. Para o e-commerce, isso significa usar esses períodos não apenas para vender, mas para reengajar, preparar terreno e fortalecer relacionamento. A diferença entre quem cresceu e quem perdeu espaço em 2026 não foi o calendário, foi a leitura do consumidor.