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O que todo profissional de marketing precisa saber sobre prompts de IA

Por: Larissa Morimoto

Growth Manager da Photoroom

Com experiência na internacionalização de produtos de inteligência artificial generativa no Brasil e no México, ela usa a abordagem de design thinking na Photoroom. Entre sua experiência em estratégias de marketing orgânico voltadas para a Geração Z, ela ajudou a alcançar mais de 50 milhões de visualizações orgânicas no TikTok, além de milhões de visualizações em campanhas pagas no Meta e no Google. Formada em Administração de Empresas pela Parsons School of Design, Larissa atualmente lidera esforços de crescimento internacional na América Latina (Brasil e México) e parcerias com marcas internacionais.

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Mesa de trabalho com notebook exibindo painéis gráficos e luz natural ao fundo.
Créditos: Photoroom.

Nos últimos dois anos, o design deixou de ser um gargalo de produção para se tornar um campo de experimentação acelerada por IA. Ferramentas generativas transformaram a forma como equipes de marketing e e-commerce produzem conteúdo visual, mas o verdadeiro diferencial não está na ferramenta, e sim em quem domina a linguagem que ela entende: o prompt.

Se o SEO nasceu para os buscadores, o prompt engineering nasceu para a criatividade. Um prompt de imagem é o equivalente a um briefing criativo condensado em uma frase. A IA não lê intenções implícitas, ela lê padrões, e isso significa que quanto mais claro for o seu direcionamento, mais previsível e profissional será o resultado.

Na prática, um bom prompt combina três dimensões:

1. Contexto de negócio: o que a imagem precisa comunicar no funil de marketing.

2. Direção estética: referências visuais, estilo, enquadramento e luz.

3. Intenção emocional: o impacto desejado na audiência (urgência, desejo, confiança).

Por exemplo, se o objetivo é gerar uma imagem para uma campanha da Black Friday, em vez de escrever uma sugestão genérica como “produto em fundo escuro”, uma sugestão eficaz poderia ser: “pote de creme de beleza de alta qualidade colocado sobre uma superfície preta reflexiva com brilhos dourados, iluminado por luzes suaves de estúdio, composição cinematográfica, foco na textura e brilho, fundo minimalista, atmosfera de exclusividade e expectativa”.

Essa abordagem demonstra como uma instrução bem escrita pode gerar não apenas o produto em si, mas também um fundo atraente, projetado por IA, que aumenta seu apelo, um elemento crucial em qualquer imagem de comércio eletrônico de alto desempenho.

Pote de creme dourado sobre superfície escura com brilho.
Créditos: Photoroom.

    O resultado é visualmente coerente com o objetivo de comunicar sofisticação e impulso de compra.

    Profissionais de marketing já pensam em copywriting com estrutura: headline, call to action, argumento. O mesmo raciocínio se aplica a prompts. Uma boa estrutura é: [Assunto principal] + [Ação ou contexto] + [Estilo e técnica visual] + [Luz e cores] + [Emoção desejada] + [Restrições].

    Exemplo aplicado ao varejo:

    “Mesa de café da manhã com croissants e xícara de cappuccino sobre mesa de madeira clara, fotografia natural com luz suave matinal, estilo escandinavo minimalista, sem pessoas, sem textos”.

    A mesma lógica se aplica ao projetar fundos gerados por IA para fotos de produtos: o prompt deve descrever a superfície, a iluminação e o ambiente que fazem o produto se destacar, mantendo-se fiel à estética da marca.

    Capuccino e croissant colocados em uma mesa de madeira.
    Créditos: Photoroom.

    Esse nível de detalhamento faz diferença porque orienta o modelo de IA a preencher lacunas de forma controlada, economizando tempo em retrabalho.

    A diferença entre um bom prompt e um prompt genérico é o retorno sobre o tempo de geração. Profissionais de growth e marketing precisam equilibrar estética com eficiência, e prompts bem construídos otimizam campanhas em três dimensões:

    1. Velocidade: menos iterações, mais produção em lote.

    2. Consistência de marca: definição de paleta, luz e composição reproduzível.

    3. Aderência contextual: imagens que respeitam a narrativa de cada canal (ads, PDPs, landing pages).

    Além disso, é possível treinar a IA para seguir identidade visual persistente, criando um “vocabulário visual” próprio da marca. Basta usar prompts com vocabulário consistente – por exemplo, repetir expressões como “fotografia de produto com fundo branco texturizado e sombra suave lateral” para manter o mesmo padrão em diferentes coleções.

    Os prompts não servem apenas para criar imagens completas, eles são essenciais para gerar fundos de alta qualidade e consistentes com a marca, que fazem o produto se destacar.

    Prompts negativos, ou seja, o que você não quer na imagem, são um dos segredos menos explorados por quem usa IA generativa em marketing. Instruções como “sem logotipos, sem texto, sem moldura” ajudam a limpar ruído visual e gerar imagens mais flexíveis para composições de mídia paga.

    Para equipes de e-commerce, IA generativa não substitui o designer, ela amplia o espaço de teste e iteração. Ao analisar o desempenho de variações de imagens (CTR, tempo de permanência, conversões), é possível retroalimentar a criação de prompts. A IA, nesse cenário, deixa de ser apenas produtiva e se torna instrumental para growth.

    Inclusive, pensando em todas essas dicas de clareza, contexto e intenção visual, decidi colocar as ideias em prática e criar o prompt da imagem de capa para este próprio artigo:

    “Ilustração digital em estilo fotorrealista mostrando um laptop com tela exibindo múltiplas imagens sendo geradas por IA, sobre mesa de madeira em ambiente criativo de escritório, luz natural lateral, composição equilibrada, tons azul e âmbar, atmosfera de foco e inovação, sem texto, sem logotipo.”

    Por fim, escrever prompts de arte com IA é, essencialmente, traduzir pensamento criativo em linguagem computacional. Para profissionais de marketing e varejo, dominar essa habilidade significa reduzir o ciclo entre ideia e execução, e conquistar algo raro no marketing digital: escala com identidade.