Antes de 2024, se você perguntasse à maioria dos ocidentais para citar marcas chinesas, receberia uma lista previsível: Alibaba, Temu, Shein – talvez Huawei ou BYD, se acompanhassem notícias do varejo, de tecnologia e automotivo. Essas marcas eram conhecidas por sua escala, eficiência e preços competitivos. A China era respeitada como a fábrica do mundo, mas raramente admirada como uma referência em tendências culturais. Isso mudou.
O impacto global da nova produção cultural chinesa
Você viu o desenho Nezha 2? Não faz ideia do que estou falando? Lançado no Ano Novo Chinês, o desenho animado não apenas quebrou recordes – ele os pulverizou. Foram mais de U$ 2,2 bilhões arrecadados na bilheteria em todo o mundo, tornou-se a animação de maior bilheteria de todos os tempos, superando Divertida Mente 2. O desenho aborda temas universais de rebeldia e autodeterminação. O filme provou que os estúdios chineses podem cativar o público global enquanto contam histórias distintamente chinesas, posicionando a China não como uma imitadora, mas como uma força disruptiva no cinema.
Influência além das fronteiras e a força da autenticidade
E o que dizer do iShowSpeed, um streamer americano com mais de 46 milhões de seguidores no YouTube. Sua turnê pela China, transmitida ao vivo em julho de 2025, gerou dezenas de milhões de visualizações, tornando-se uma aula magistral de diplomacia cultural autêntica. A genialidade do governo chinês residiu no que ele não fez: não tentou controlar a narrativa. Ao permitir que Speed explorasse livremente e reagisse de forma autêntica, a China projetou confiança e abertura – qualidades que repercutiram globalmente.
A nova estética chinesa e a criação de marcas globais
E o que dizer do Labubu da Pop Mart? Com mais de um milhão de posts no TikTok e o apoio de celebridades como Lisa, do Blackpink, e Rihanna, essas figuras com aparência peculiarmente fofa e ao mesmo tempo feia estão sendo vendidas na casa das centenas de dólares e se transformaram no penduricalho de bolsas de luxo, e mochilas de viagens de quem tem andado pela Ásia. O sucesso de Labubu sinalizou algo novo: uma propriedade intelectual contemporânea, original e inegavelmente chinesa em sua sensibilidade estética. O fato de celebridades globais exibirem orgulhosamente esses brinquedos indicava uma mudança na influência cultural. Não se tratava apenas de empresas chinesas vendendo no exterior; são marcas chinesas construindo reconhecimento global.

O que emerge através dessas marcas é um retrato de uma China que desafia antigos estereótipos. Essa não é a China da mídia controlada pelo Estado e das iniciativas culturais impostas de cima para baixo. Esta é uma China que tem confiança suficiente para deixar seus criadores, empreendedores e inovadores falarem por si mesmos. A China redefiniu o que significa ser descolado em um mundo conectado.
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