Semana passada saiu uma matéria no Valor Econômico detalhando que o Itaú Unibanco aumentou a captação em centenas de milhões de reais movendo um único botão de investimento para uma área mais visível do app. Não foi uma mudança de copy. Não foi alteração de preço. Não foi uma nova feature. Foi literalmente mover um botão de lugar.

E esse botão em questão estava ligado a uma função de aplicação de investimentos em renda fixa, que já existia no app e já tinha aderência. Só que antes o acesso estava em um nível mais profundo de navegação, exigindo mais passos e maior intenção consciente do usuário. Depois, o botão foi levado para a home, com mais destaque visual e mais perto dos elementos que influenciam a decisão do usuário naquele momento da navegação. Ou seja, o banco simplesmente deixou o “ato de investir” mais perto da mão do usuário.
Nenhuma grande comunicação de campanha foi feita acompanhando essa mudança. Nenhuma grande compra de mídia. Nenhum reposicionamento de produto. O conteúdo, o produto e a proposta de valor eram exatamente os mesmos. O que mudou foi o contexto do clique.
Isso é UX. Isso é o poder da interface. E isso é um recado direto para o e-commerce.
UX não é estética. UX é contexto que gera ação
Esse case do Itaú deveria ser tratado como referência padrão. Porque ele escancara um ponto que quem opera digital no dia a dia sabe: UX tem impacto financeiro direto, imediato e multiplicador.
Muitas vezes a gente debate mídia, persona, clusters, last click, first party data, modelo de atribuição. E tudo isso importa mesmo. Mas existe um outro lado da equação que é tão poderoso quanto: tirar atrito da interface.
O consumidor não percorre a página raciocinando como quem lê um PDF. Ele responde ao que está ao alcance dos olhos. Ele responde ao que está a um clique de distância.
Essa é a métrica real. E infelizmente geralmente é subestimada. Mas é ali que a “escala de verdade” acontece.
No e-commerce isso é ainda mais sensível
O varejo digital é acelerado, impulsivo, cheio de distrações. É swype, scroll, feed, push, aba paralela. A nossa janela de atenção é microscópica. Se uma informação importante está dois níveis abaixo, ela vira invisível. Se o CTA some na rolagem, ele deixa de existir naquele instante.
Por isso UX não é frescura. UX é margem. UX é uma disciplina orientada à conversão e que requer análise contínua. E ela não se resolve em “grandes redesigns anuais”, mas sim em ciclos pequenos e constantes otimizações.
E não é sobre “adivinhar o que testar”. É sobre criar método.
Cito abaixo alguns exemplos claros que mudam resultado:
– parcelamento visível logo ao lado do preço (não quatro telas abaixo)
– prazo de entrega já estimado sem o usuário ter que digitar CEP
– CTA fixo no mobile mesmo com scroll
– reviews e prova social coladas ao CTA
São decisões que trazem receita sem depender de mídia.
UX = otimização contínua
O case do Itaú é o símbolo de algo maior: não adianta fazer um projeto gigante a cada ano. O jogo é ganhar tração nas pequenas mudanças semanais. Não é “a grande reinvenção do site”. É o ajuste de 2% que sozinho parece pouco, mas que acumulado vira uma curva de crescimento.
Quem leva UX a sério não olha “uma tela por vez”, olha o ciclo!
“Mas são tantas pequenas mudanças que é melhor fazer um e-commerce novo, vamos esperar”. Se você pensa assim, pode estar deixando de faturar alto!
Quando um banco muda um botão de lugar e isso gera centenas de milhões, não é sobre banco. É sobre reconhecer o que vale dinheiro no digital.
Nós, como indústria, precisamos parar de tratar UX como acabamento visual e começar a olhar para UX como engenharia de conversão.
Porque existe muito valor bloqueado nas nossas interfaces hoje. E ele só aparece quando a gente trata UX como disciplina viva, e não como “fase do projeto”.