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NRF 2026: como líderes transformam insights em resultado real

Por: Betina Wecker

Co-fundadora e VP de Novos Negócios da Appmax

VP de Novos Negócios na Appmax, startup de pagamentos online com foco no aumento de faturamento de e-commerces e negócios digitais. Formada em administração pela Unisinos, atua na área de e-commerce e meios de pagamentos digitais desde 2015.

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Todo ano, a NRF entrega uma avalanche de insights. Marca, propósito, comunidade, inteligência artificial, relevância cultural, experiência. Em 2026, isso ficou ainda mais evidente. O discurso amadureceu. Menos “como fazer”, mais “por que fazer”.

Executivos no palco da NRF 2026, com público desfocado e tela ao fundo exibindo ícones de IA, dados e e-commerce.
Imagem gerada por IA.

O problema é que, para muitas lideranças, a NRF termina no slide. O insight vira repertório, não resultado.

A diferença entre operações que evoluem e aquelas que apenas repetem o discurso do evento está na capacidade de transformar essas ideias em decisões práticas, mensuráveis e executáveis. E é exatamente aí que a maioria falha.

A pergunta que realmente importa após a NRF não é “o que aprendemos?”. É: o que vamos mudar na operação a partir disso? O que fazemos hoje que está nos desviando da rota do sucesso?

Insight não escala, execução sim

Os painéis da NRF 2026 reforçaram que o crescimento hoje é sinônimo de relevância. Marcas fortes ocupam um espaço claro na vida das pessoas, constroem confiança e entregam experiências coerentes no dia a dia.

Mas a relevância não se sustenta apenas com posicionamento e narrativa. Ela precisa sobreviver ao momento mais crítico da jornada: a transação.

É nesse ponto que vejo um descolamento perigoso entre discurso e prática. Lideranças falam de experiência, mas operam com checkouts ineficientes. Defendem personalização, mas tratam pagamento como commodity. Discutem IA no palco, mas mantêm regras estáticas no core da operação.

O resultado é previsível: a marca comunica bem, mas a operação não acompanha.

O que a NRF ensinou sobre liderança (mesmo quando não falou de pagamento)

Quando executivos e líderes globais falam de relevância, autenticidade e conexão real, existe um subtexto claro: o consumidor não tolera fricção.

A experiência precisa fluir do conteúdo à conversão. Do clique ao pagamento. Do pagamento à recompra.

Isso exige decisões invisíveis acontecendo o tempo todo, sem intervenção humana, mas alinhadas à estratégia da marca. É aqui que entra o papel da liderança.

Líderes não podem mais tratar infraestrutura como assunto técnico. Infraestrutura é estratégia, ferramenta de performance. E precisa ser revisada como tal, com um olhar crítico. Se você precisar dissecar a jornada do seu consumidor hoje, ela seria um motor de crescimento ou um gargalo?

IA no core não é discurso, é responsabilidade de liderança

Um dos pontos mais consistentes da NRF 2026 foi o amadurecimento da discussão sobre IA. Não se trata mais de testar ferramentas isoladas ou adotar essa tecnologia por exigência do mercado, mas de integrar inteligência artificial aos sistemas centrais da operação.

Na prática, isso significa usar IA para aprender com dados transacionais, ajustar regras em tempo real e equilibrar conversão, segurança e custo continuamente. Ou seja, a IA precisa ser aplicada para resolver problemas reais do dia a dia.

Em pagamentos, isso se traduz em perguntas que líderes precisam se fazer:

– Nosso sistema aprende com recusas e aprovações ou repete regras fixas?
– Conseguimos aumentar a conversão sem elevar o risco?
– As decisões são orientadas por comportamento real ou por parâmetros genéricos?

Delegar essas respostas apenas para times técnicos é um erro estratégico. Quem lidera precisa entender que IA aplicada a pagamentos impacta diretamente receita, margem e experiência.

Agentic commerce: quando a decisão acontece sem pedir permissão

A NRF 2026 enfatizou que o consumidor nativo de IA espera experiências que se adaptem em tempo real. Isso impulsiona o avanço do agentic commerce: sistemas capazes de agir de forma autônoma dentro de limites estratégicos bem definidos.

Em pagamentos, isso significa que o sistema decide:

– Qual meio priorizar
– Qual regra antifraude aplicar
– Quando flexibilizar e quando endurecer
– Como maximizar aprovação sem comprometer segurança

Essas decisões acontecem em milissegundos. Quando bem feitas, ninguém percebe. Quando mal feitas, a venda morre. Gestores que ignoram isso deixam dinheiro na mesa todos os dias, mesmo com tráfego, marca e produto funcionando. Estando à frente de uma fintech de pagamentos, é possível ver isso acontecer na prática: e-commerces que migram de plataforma não estão buscando “mais um meio de pagamento”, mas sim uma infraestrutura capaz de tomar decisões melhores em tempo real, reduzindo fricção invisível que antes travava conversão sem deixar rastro evidente.

Performance invisível é onde o discurso vira resultado

Existe uma ideia equivocada de que performance precisa aparecer para ser valorizada. A NRF mostrou exatamente o oposto: a melhor performance é aquela que não chama atenção.

Quando o pagamento funciona, o cliente segue. Quando falha, ele abandona e raramente volta.

Transformar insights da NRF em resultado exige que líderes olhem para essa camada invisível com seriedade estratégica. Taxa de aprovação, tempo de resposta, inteligência antifraude e fluidez no checkout não são métricas técnicas. São métricas de liderança e da saúde de uma operação.

O verdadeiro pós-NRF começa agora

A NRF não é um evento para ser celebrado. É um diagnóstico.

Os gestores que vão colher resultados em 2026 são aqueles que usam os insights para fazer perguntas difíceis agora:

– Onde nossa operação cria atrito sem perceber?
– Nossa infraestrutura acompanha o discurso da marca?
– Nossos parceiros de negócio entregam a melhor performance?
– Estou realmente focado em resolver problemas ou insistindo numa solução?

Insight sem execução é apenas repertório. Execução sem inteligência é desperdício.

O papel da liderança no e-commerce atual é conectar propósito, tecnologia e operação. E, sem exceção, essa conexão passa pelos pagamentos. Porque no fim do dia, toda experiência termina da mesma forma: ou a transação acontece, ou ela morre ali.