O Grupo Pão de Açúcar protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais. Segundo a companhia, a proposta já conta com adesão de aproximadamente 46% dos credores.

De acordo o anúncio da empresa do varejo alimentar, o plano envolve obrigações financeiras sem garantia e que não estão relacionadas às atividades operacionais do grupo.
Reestruturação não afeta operação
O CEO da companhia, Alexandre Santoro, afirmou que a medida busca reorganizar o perfil de endividamento do GPA sem impactar o funcionamento das lojas ou o relacionamento com parceiros.
Segundo o executivo, a recuperação extrajudicial não inclui pagamentos a fornecedores, aluguéis de lojas ou salários de colaboradores. A decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração, que representa cerca de 70% das ações da companhia.
Dívidas de curto prazo pressionam caixa
O diretor financeiro do GPA, Pedro Albuquerque, explicou que parte relevante do passivo tem vencimentos próximos. Aproximadamente R$ 500 milhões vencem em maio, enquanto entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão têm vencimento previsto para julho.
O executivo destacou que o processo não envolve passivos trabalhistas ou tributários. Essas obrigações seguem sendo tratadas separadamente pela companhia.
Negociação com credores terá prazo de 90 dias
Com o protocolo do pedido, a empresa terá até 90 dias para avançar nas negociações com os credores. Durante esse período, as obrigações com os credores incluídos no processo ficam suspensas.
Para que o plano seja homologado, será necessário o apoio de pelo menos 50% mais um dos credores.
No balanço mais recente, o GPA informou que a dívida líquida da companhia chegou a R$ 2 bilhões ao final de 2025, incluindo recebíveis de cartão de crédito não antecipados, um aumento de R$ 729 milhões em relação ao fim de 2024.
* Com informações do Estadão Conteúdo