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Julho é a nova Black Friday?

Por: Cristiano Nobrega

Executivo sênior na Social Digital Commerce

Executivo Sênior na Social Digital Commerce, especializado em acelerar a transformação digital de grandes marcas do varejo e da indústria. Atua conectando estratégias de full commerce, tecnologia e fulfillment para impulsionar crescimento, eficiência e performance no e-commerce.

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Julho não é mais apenas um mês comum. É a nova arena das vendas digitais, e quem percebeu isso primeiro já está colhendo os frutos.

A Shopee, com sua campanha 7.7 Aniversário, vendeu o dobro do volume da Black Friday de 2024. Apenas no dia 7, foram mais de 1 milhão de itens vendidos nas categorias moda, beleza e casa & construção. Lives e vídeos curtos dominaram, com 30 milhões de visualizações nas transmissões e 60 milhões em vídeos, enquanto R$ 14 milhões em cupons movimentaram a plataforma, conforme divulgado na Central do Varejo.

Pessoa segurando um cartão de crédito e fazendo uma compra online em um notebook.
Imagem: Reprodução.

A Amazon, por sua vez, divulgou desempenho recorde no Prime Day 2025, nos dias 15 e 16 de julho, com descontos de até 60%, frete grátis nacional, R$ 60 de desconto para novos membros anuais e mais de R$ 20 milhões em cupons. As entregas no mesmo dia cresceram 4,5 vezes em relação a 2024 e o volume de vendas atingiu recorde no Brasil.

Enquanto isso, Mercado Livre, Magalu e outros players adotaram campanhas como “Descontaço” até 20 de julho, com descontos de até 70%, R$ 37 milhões em cupons, frete grátis a partir de R$ 19 e parcelamentos especiais.

Julho deixou de ser mês de calmaria no varejo digital. Amazon, Shopee e Mercado Livre transformaram o período em uma temporada robusta de vendas, criando campanhas estratégicas com forte retorno em volume, velocidade e engajamento. A Amazon impulsiona com sua estrutura logística e benefícios para o consumidor, a Shopee estabelece datas duplas de impacto e o Mercado Livre ajusta preços e entregas para sustentar o crescimento de mercado impulsionado pelos ótimos resultados de 2024. O resultado é um novo padrão promocional, a verdadeira “Black Friday de julho”.

O que estamos vendo é uma redefinição do calendário promocional. Julho deixou de ser zona de baixa e virou centro de grandes oportunidades. As plataformas perceberam que antecipar a “Black Friday” para esse período, que está entre o Dia dos Namorados e o Dia dos Pais, proporciona fidelização, acelera o consumo e mantém o varejo aquecido durante todo o ano, além de abrir oportunidades para outros segmentos com menor apelo nas festas juninas.

O que isso significa para você

Isso não é apenas sobre promoção, é sobre reposicionar sua operação. Quem tratou julho como oportunidade mostrou o caminho. Apostar no crescimento das vendas apenas no período de Black Friday pode gerar bons resultados, mas abaixo do verdadeiro potencial que se desenha nesse novo contexto. A dica é acompanhar essa tendência de forte crescimento e se organizar para surfar a onda.

Prepare-se: antecipar estoque não é luxo, é necessidade. Isso requer planejamento em produção, reserva de espaço, disponibilização de mão de obra qualificada na logística e bons fornecedores para manter o alto padrão de serviço.

Seja estratégico: acionar múltiplos canais com equilíbrio entre escala e margem é essencial. Alguns marketplaces estão jogando bem esse jogo, e estar presente nesses canais impulsiona o crescimento, mas não adianta queimar estoque sem observar a rentabilidade.

Planeje para lucrar, não apenas para fazer volume. A escalada nas vendas também eleva os gastos na logística e no pós-vendas. Estar preparado para aproveitar esse período requer disposição para estressar os canais de distribuição e atendimento e fazer concessões nas margens.

Cinco lições práticas para escalar nesse novo cenário

Supere o calendário tradicional: julho hoje é tão importante quanto novembro. Antecipe campanhas e estoques, alinhando-os às previsões de crescimento dos canais.

Use dados como bússola: marketplaces como Shopee, Mercado Livre e Amazon indicam onde o consumidor está e como reage. Use essas informações para planejar mix, ofertas e logística. O estudo dos cenários anteriores ainda é o melhor caminho para decisões estratégicas.

Domine os formatos que convertem: lives, vídeos curtos e cupons são canais diretos de conversão e impulsionaram os resultados da Shopee. Quem os utiliza corretamente ganha força e aproveita melhor um período ainda pouco explorado.

Foque em fidelização, não no estalo da compra: um CS experiente mantém os clientes próximos, reduz rupturas e melhora a margem pós-evento. A atenção aos detalhes e o cuidado com a jornada do consumidor garantem recorrência e fortalecem a experiência para a Black Friday.

Logística é vantagem competitiva: entrega rápida, agilidade na separação e controle de estoque fizeram a Amazon escalar entregas same-day 4,5 vezes mais que em 2024. Mercado Livre e Shopee também fortaleceram a eficiência de separação e distribuição, elevando o nível do jogo.

Em um mercado ansioso como o nosso, velocidade vende. Contar com parceiros e fornecedores que acompanham tendências e desenvolvem soluções diferenciadas é crucial para bons resultados.

Para muitos canais, julho já é a nova Black Friday. Sólida, estratégica e real, ainda tímida e pouco divulgada, mas entregando números robustos e ganhando cada vez mais aderência do consumidor, que percebe menos enrolação e mais confiabilidade nas promoções em comparação com o período tradicional de novembro.

A pergunta não é se esses canais estão corretos, os resultados falam por si. É se você está pronto para acompanhar a tendência ou se vai apenas observar mais um pouco antes de aderir.