A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (5) o lançamento do Frontier, uma nova plataforma corporativa voltada à criação, implementação e gestão de agentes de inteligência artificial em ambientes empresariais. A proposta é atacar um dos principais gargalos da adoção de IA nas empresas: a falta de uma infraestrutura integrada que conecte dados, ferramentas e fluxos de trabalho, permitindo que agentes operem de forma escalável no dia a dia.

Segundo a empresa, o Frontier funciona como um “centro de comando” para agentes de IA, oferecendo contexto compartilhado, processos estruturados de onboarding, avaliação contínua de desempenho e controle claro de permissões. O objetivo é permitir que agentes deixem de ser apenas projetos experimentais e passem a executar tarefas reais dentro de sistemas corporativos, com segurança e governança.
A OpenAI cita experiências recentes em larga escala. Em um grande fabricante industrial, agentes de IA reduziram um trabalho de otimização de produção de seis semanas para um dia. Em uma gestora global de investimentos, agentes foram aplicados de ponta a ponta no processo de vendas, liberando mais de 90% do tempo dos vendedores para interação com clientes. Já em uma grande empresa de energia, o uso de agentes ajudou a elevar a produção em até 5%, o que representou mais de US$ 1 bilhão em receita adicional.
Segundo a empresa, o avanço dos modelos não tem sido o principal entrave para a adoção corporativa. O problema está em como os agentes são construídos, implantados e operados dentro das organizações. A fragmentação de sistemas, dados e regras de governança, distribuídos entre diferentes nuvens e aplicações, tem ampliado o chamado “gap de oportunidade” entre o que os modelos conseguem fazer e o que as empresas efetivamente conseguem colocar em produção.
À medida que agentes se tornam mais sofisticados, esse descompasso cresce. A OpenAI destaca que novas capacidades são lançadas em ritmo acelerado, com atualizações chegando a cada poucos dias, o que dificulta para as empresas equilibrar experimentação e controle. “A pressão para acompanhar esse ritmo está aumentando, porque a distância entre os primeiros líderes e o restante do mercado cresce rapidamente”, afirma a empresa.
Qual a funcionalidade do Frontier?
A OpenAI afirma que partiu da forma como empresas já escalam pessoas para estruturar a plataforma. Processos de onboarding, transmissão de conhecimento institucional, aprendizado com feedback contínuo e definição clara de acessos e limites foram aplicados ao conceito de “colegas de trabalho de IA”.
O Frontier se integra a data lakes, CRMs, sistemas de tickets e aplicações internas, criando uma camada semântica comum que pode ser utilizada por todos os agentes de IA. Dessa forma, eles passam a entender onde a informação está, como ela circula e quais decisões são relevantes para o negócio.
Além disso, a plataforma permite que equipes técnicas e não técnicas utilizem agentes para executar tarefas cotidianas em computadores, como manipulação de arquivos, execução de código e uso de ferramentas corporativas. À medida que operam, os agentes constroem memória, transformando interações passadas em contexto para melhorar o desempenho ao longo do tempo.
Outro ponto destacado é a flexibilidade de execução. Os agentes podem operar em ambientes locais, na nuvem corporativa ou em runtimes hospedados pela própria OpenAI, sem que as empresas precisem redesenhar seus fluxos de trabalho. Para atividades sensíveis a tempo, a plataforma prioriza acesso de baixa latência aos modelos da OpenAI, garantindo respostas rápidas e consistentes.
O Frontier já está disponível?
Inicialmente, o Frontier está sendo liberado para um grupo de empresas como HP, Intuit, Oracle, State Farm, Thermo Fisher e Uber. Além delas, clientes como BBVA, Cisco e T-Mobile já testaram a abordagem da plataforma em projetos considerados críticos e de alto valor. A OpenAI também afirma que pretende expandir gradualmente a ferramenta nos próximos meses.