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Metaverso e o futuro das compras imersivas na realidade mista

Por: Dinalva Fernandes

Jornalista

Jornalista na E-Commerce Brasil. Graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada em Política e Relações Internacionais pela FESPSP. Tem experiência em televisão, internet e mídia impressa.

Quando o Facebook virou Meta, em 2021, muita gente se perguntou se fazia sentido uma empresa tão grande e conhecida alterar o nome, pensando em um negócio chamado Metaverso. Porém, a ideia da companhia é justamente se moldar nos próximos anos para acompanhar o que chama de “nova forma de conectar pessoas”. Na quarta-feira (29), durante o 16º CMEP (Congresso de Meios Eletrônicos e Pagamento), realizado pela Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), Duda Bastos, diretora de negócios para serviços financeiros da Meta no Brasil, afirmou que essa ideia de conexão também se passa pelo setor de pagamentos, pois o Metaverso promete gerar uma grande transformação nos negócios.

“Acreditamos que o Metaverso será experimentado em uma janela de cinco a dez anos, mas, de qualquer maneira, isso já está acontecendo. O filtro do Instagram, por exemplo, que é uma tecnologia fundamental do Metaverso, é realidade aumentada. E a razão pela qual estamos nesta jornada como Meta é mais do que tecnologia, mas sim sobre uma nova forma de se conectar ”, provoca Bastos.

Duda Bastos, diretora de negócios para serviços financeiros da Meta no Brasil. Foto: Divulgação/ Panorama Abecs

“A gente se acostuma muito rápido com o avanço da tecnologia e queremos cada vez mais. As nossas necessidades voam mais rápido que a tecnologia. Enxergamos que temos que nos preparar agora, pois essa conexão que temos hoje já não é mais suficiente. Com a pandemia, aumentou a necessidade de estar junto sem poder estar junto e o mundo precisava eliminar essas limitações de distância”, contextualiza.

A executiva explica que a mudança de nome foi um movimento importante porque queriam sinalizar o quanto estavam comprometidos com a visão de desenvolver e construir para o futuro do Metaverso. Atualmente, as plataformas da Meta conectam 3 bilhões de pessoas no mundo.

E como tornamos hoje a nossa experiência online mais presente possível? De acordo com Bastos, quando nasceu, a internet era praticamente consumo de informação. “Os mecanismos de buscas organizavam as informações e nós estávamos passivamente consumindo o conteúdo. Com as redes sociais, a internet trouxe o elemento social. Passamos a consumir de forma mais informal, passamos a acompanhar a vida de quem a gente gosta e isso virou a nova norma”, explica.

Não é só sobre espaços virtuais

Atualmente, o ato de comprar online se resume a uma tela, seja do celular ou do computador. “Toda aquela experiência se resume a uma telinha. Agora, imagine como incrível será poder entrar em um universo e ter experiências de imersão? O poder do lojista seja digitalizado e a loja física poderá, de fato, proporcionar uma experiência online proporcional porque a ficção científica já cabe no bolso”, diz a executiva.

De acordo com Bastos, a experiência de imersão será possível com a junção da realidade virtual com a realidade aumentada, que é a sobreposição de uma camada digital sobre o mundo físico, como os filtros do Instagram. “Mas há outras aplicações práticas dessa tecnologia, como na indústria de cosméticos, que sempre teve dificuldade de aproveitar o online para saber como ficaria determinada base ou batom, por exemplo. Ou mesmo no setor de eletrodomésticos, se a geladeira cabe ou não em determinado lugar. Com a combinação do WhatsApp mais a realidade aumentada, um programa já calcula as medidas. Essa é a realidade mista, que é a combinação das duas realidades”, afirma.

O uso da realidade mista só é possível com o uso de equipamentos como o headset. Inclusive a Meta com essa função. “Ele não fecha totalmente, por isso você consegue estar aqui e projetar sobre o mundo físico em um mundo digital. E tem aplicações práticas. Por exemplo, você pode estar em uma videoconferência e escutar o que está acontecendo na sua casa”, conta. “As oportunidades serão enormes com o Metaverso. Acreditamos que ele vai representar uma oportunidade sem precedentes, equivalente ao surgimento da internet. O Metaverso não será construído apenas por uma empresa. Não temos essa ambição de que será construído apenas por nós, mas sim por criadores, marcas, desenvolvedores e parceiros. Não haverá um momento chave, ele simplesmente vai acontecer”, aposta Bastos.