As fraudes digitais devem ganhar novos contornos em 2026, impulsionadas pelo uso crescente de inteligência artificial por organizações criminosas e pela expansão dos meios de pagamento digitais. É o que aponta um levantamento da LexisNexis Risk Solutions, que elenca as principais tendências que devem moldar o cenário de segurança para empresas e instituições financeiras no próximo ano.

Entre os principais pontos destacados no relatório, estão:
1. Fraude de primeira parte avança e amplia riscos operacionais
A fraude de primeira parte dobrou no último ano e já responde por 36% dos casos registrados na rede LexisNexis Digital Identity Network. Esse tipo de fraude ocorre quando o próprio cliente fornece informações falsas ou age de má-fé, o que pode ser confundido com inadimplência. Segundo a empresa, a criação de identificadores globais de identidade pode ajudar a diferenciar comportamento legítimo de ações fraudulentas.
2. Fraude se profissionaliza com oferta de serviços na dark web
Marketplaces da dark web passaram a operar como plataformas de autoatendimento para fraudadores. Nesses ambientes, criminosos negociam identidades sintéticas, contas bancárias, dados pessoais e serviços ilegais, muitas vezes utilizando criptomoedas para viabilizar as transações.
3. Redes de mulas financeiras seguem centrais para a lavagem de dinheiro
As chamadas mulas de dinheiro continuam sendo peça-chave na fraude digital. Em média, cada rede conta com cerca de 15 pessoas que movimentam recursos ilícitos por bancos, corretoras de criptoativos e plataformas digitais. O comportamento dessas redes, no entanto, tem permitido que ferramentas analíticas identifiquem padrões e bloqueiem transações suspeitas.
4. Identidades digitais se tornam mais complexas e exigem análise integrada
A verificação de identidade envolve um volume crescente de dados, como dispositivos, localização, histórico e padrões de comportamento. Para reduzir riscos, empresas precisam cruzar informações de diferentes canais e construir pontuações de risco dinâmicas, ajustadas ao modelo de negócio e à escala da operação.
5. Expansão dos pagamentos digitais cria novas brechas para fraudes
Carteiras digitais devem representar 61% dos pagamentos globais até 2027, enquanto o mercado de neobancos pode alcançar US$ 2 trilhões até 2030. Soluções como Pix, BNPL e sistemas de pagamentos instantâneos ampliam a conveniência, mas também criam janelas de adaptação que podem ser exploradas por criminosos.
6. Disputa entre uso legítimo e criminoso da inteligência artificial se intensifica
Cerca de 85% das fraudes de identidade já envolvem ferramentas de IA generativa, usadas na criação de documentos falsos, deepfakes e tentativas de burlar processos de KYC. Empresas têm recorrido à própria IA para identificar padrões e analisar grandes volumes de dados, ainda que enfrentem limitações regulatórias inexistentes para fraudadores.
7. Compartilhamento de dados ganha espaço como estratégia antifraude
A colaboração entre empresas tem ampliado a eficácia no combate a fraudes. Segundo a LexisNexis Risk Solutions, o uso de redes colaborativas pode melhorar a detecção em até 43% em relação a abordagens isoladas, permitindo identificar esquemas e alertar outros participantes do ecossistema em tempo real.